quinta-feira, 30 de abril de 2009

A INFÂMIA

Os burlões andam por aí, a enganar todos quantos são velhos incautos, numa conversa infalível que começa por tratar as vítimas pelo nome, e em seguida, fazendo-se passar por amigos da família mais próxima. Apesar dos avisos feitos às pessoas de mais idade, os gatunos sabem muito bem como lhes entreabrir a porta de boa-fé. Assim, atacam logo, sem escrúpulos, até ao último cêntimo das suas parcas economias.

Ignóbil é a semelhança entre estes golpes baixos e o seguinte discurso:

"Tenho a grande felicidade de poder realizar-me como político, sabendo que um programa que o Governo lançou, o Novas Oportunidades, serviu para formar pessoas e melhores e dar uma oportunidade ao João André, que não a teve quando devia ter tido, mas que ainda foi a tempo", declarou Sócrates no final da cerimónia.

d'Aqui.

Atenção: Há uma gralha que não é minha.

terça-feira, 28 de abril de 2009

E A GAIVOTA VOOU!



Desengane-se quem achou que calaria a minha homenagem ao 25 de Abril. Trinta e cinco anos e 3 dias e são muitas as vozes que se interrogam se valeu ou não a pena. Será possível que alguém tenha dúvidas? Tudo é possível mas nada vale a pena se a alma não é serena. Sereno foi o povo e o vento calou a desgraça e o vento nada me disse mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça, há sempre alguém que semeia canções no vento que passa, há sempre alguém que resiste e há sempre alguém que diz não!
Não poderei dizer quantas foram as vezes que cantei "Uma Gaivota Voava" apesar de não ter idade para entender a sua mensagem. Fora somente uma canção que cantei de voz cheia e viva e livre. Cantei ceifeiras do Alentejo que triste te vejo não chores, sorri e muitas mais canções "vermelhas" que tresandavam a revolução e a Abril. E mesmo sem saber porque o fazia, pude fazê-lo porque a ditadura acabara.
Diria que, passados que são 35 anos, quis saber quem sou e o que faço aqui, quem me abandonou e de quem me esqueci e são tantas as dúvidas, tantos os desenganos e o silêncio, enfim, que depois do amor e depois de nós, nada nos resta senão dizer adeus e ficarmos sós.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ACTO DE CONTRIÇÃO PÚBLICO

Eu, calhau e tapada quem nem porta, me confesso ao JG todo poderoso e ao seu arguto filho porque teimei e bati pé, quando afinal, aquilo que era, não é. Amén.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

LA VERA MERCHE ou LA VERDADERA MERCANCÍA

A boneca Merche e não Mercancía que, portanto, deveria ter nascido em Itália e nunca em Espanha para que assim o seu nome fizesse jus perfeito à sua essência interior, rebuscava perguntas patetas, daquelas para as quais respondemos deste lado sem hesitações –“sim querida, espera lá que já te respondo.” A miúda, já adulta de 19 anos, ia deixando escapar um ou outro tímido vocábulo. Estou em crer que o fazia apenas para não lhe responder com o silêncio absoluto. A dúvida que sempre me assiste em casos de exploração televisiva das misérias individuais, concretamente em casos como este de abusos e violações sexuais de pais contra os próprios filhos, é se, de facto, os promotores de tais festivais acreditam mesmo que os espectadores conscienciosos, embora poucos haja, acreditam por sua vez nas publicitadas razões que evocadas para as ditas transmissões festivaleiras à pala da desgraça alheia. Pergunto-me, sem expectativas de vir a sentir satisfeitas as minhas dúvidas, que tipo de resposta esperará uma apresentadora, do género Merche Romero, obter a perguntas do calibre destas:
-Queres contar-nos como foi a tua vida?
-Foi difícil?
-O que é que te passava pela cabeça?
-Tinhas medo de quê?
-Como é que era o ambiente lá em casa?
-Conversavas com as tuas migas sobre o que se passava contigo?
Só lhe faltou sacar da sua genuína leviandade e perguntar – “Mas querida, entretanto foste crescendo e a libido foi-se desenvolvendo. Tens a certeza que não sentiste prazer em nenhum momento?”
É certo que o Dr. Paulo Sargento a espionava e quando a coisa roçava o grotesco atalhava do alto da sua profissionalíssima psicologia criminal, mascarando a borrada da menina com meia dúzia de balelas que podem ter algum interesse para algumas pessoas mas que para gente como a menina de Benavente que, tardiamente ou nunca saberá o que significa psicologia, nada dizem.
Ai Merche, Merche, má hora em que deixaste escapar a oportunidade de veres realizada a verdadeira vocação que te assiste – a de ronaldete.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

ESTRATEGIA DE MERCADO OU FALÊNCIA DA MORAL

O dia apresentava-se chuvoso e, como sempre o são os dias assim, sombrio. O tráfego era aceitável para um início de tarde – pouco passava da uma – e deslizava moderadamente. Mais uns 60 Kms e chegaria à escola sem imprevistos. Contrariando o mau humor meteorológico, ela trauteava, flutuando ao som da doce voz da Susana Félix que a acompanhava no trajecto através das ondas de FM. "Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço, balanço é o que a maré me dá e eu não contesto, o meu destino está fora de mim e eu aceito...flutuo".
Sem um pré-aviso, um ténue sinal de alerta, o automóvel tomou as rédeas do destino e deixou de obedecer ao seu comando. Não houve tempo para pensar sequer e ela não pode senão abandonar-se aos desmandos da mecânica, flutuando. A lei de Murphy encarregou-se do resto e o veículo descreveu o trajecto perfeito de forma a embater no primeiro que se apresentou em sentido contrário. A presença de pessoal pertence ao Inem na fila que se imobilizou na faixa de rodagem, facultou uma maior celeridade ao processo de socorro e, passados dez minutos, quatro ambulâncias recolheram os cinco feridos, alguns menos ligeiros que outros. Ninguém corria perigo de vida., menos-mal! Os veículos estavam em perfeitas condições para engrossar os despojos de uma qualquer sucata.
O marido foi avisado e tratou de se apresentar no local o mais rápido que pode. Depois de se inteirar da situação avisou um dos familiares com indicações expressas para que não avisasse mais ninguém enquanto não houvesse informações precisas. A acidentada estava em observações assim como os restantes 4 feridos.
A campainha tocou. O relógio rondava as 17H00. O pai levantou-se e foi abrir. A mãe espreitou pela janela para ver quem era. Ninguém conhecido mas seria certamente um vendedor de colchões ou de pacotes de férias. O perfil encaixava no protótipo.
-Boa tarde.
-Boa tarde, faça favor.
- Desculpe, a Sra. Dª Joana Figueiredo mora nesta casa?
- Não mora. Porquê?
-Mas é sua filha?
-Por que deseja saber?
-Sou representante da Vokswagen de Aveiro e acabei de presenciar um acidente na IC 24. Tive oportunidade de ver o carro da Dª Joana acidentado e sem reparação possível. Venho, portanto, apresentar os meus serviços para a substituição do mesmo.
A esta altura do meu relato, seria suposto dar início ao rosário de impropérios a maldizer a destemperança moral que assume, de forma assustadora, os comportamentos humanos. Não me apetece. Não quero tentar entender. Não quero avaliar. Não quero julgar. Não quero. Simplesmente! Sei, no entanto que não demorará muito tempo até que depois de um acidente de viação, nos apareça à porta do hospital, um sujeito engravatado representando uma agência de casamentos, de catálogo em punho, ilustrando belos exemplares de homens e mulheres, e, imbuído do melhor espírito profissional, publicitando com a maior das naturalidades e ciente da sua imbatível eficiência, nos dirá: – Fui informado que a sua mulher ficou danificada no acidente que sofreu e provavelmente não terá reparação. Peço a sua atenção para este magnífico catálogo de exemplares disponíveis no mercado para troca imediata e a preços extraordinários e imbatíveis. Garanto-lhe que não encontrará melhor negócio na concorrência!
Resta-me apenas o desabafo da ordem – PQP esta merda de gente!

terça-feira, 14 de abril de 2009

INSONIA

A boca escancarada da noite
Os urros do silêncio
As teclas mudas
Não tilintam os cristais
Não estilhaçam a vidraça
Os amantes não sussurram
Não há sinos de igreja
O mundo acabou
O relógio dorme
O tempo não passa
Onde estão os latidos
Os galos os gritos
Os olhos do sol?
Na cama imensa
O corpo exausto
O vazio da tua ausência
E os mil anos dessa noite
Que me engole
Que me vomita
Líria Porto, roubadinho a um site que se chama "Casa da Cultura"

segunda-feira, 13 de abril de 2009

sábado, 11 de abril de 2009

PÁSCOA!



O termo Páscoa deriva do aramaico Pasha, que em hebraico se diz pesach, com um significado discutível: pode ser "saltar", originalmente em referência a uma dança ritual; mas também a passagem do sol pelo seu ponto mais alto numa determinada constelação. No livro do Êxodo, no Antigo Testamento (Ex. 12,26-32) o termo refere-se à noite em que Javé matou os primogénitos do Egipto e poupou ("saltou") as casas de Hebreus, cujas ombreiras e dintel das portas estavam pintadas com o sangue do cordeiro pascal. No entanto, para o Judaísmo a Páscoa, sua principal festa, comemora a libertação dos hebreus no Egipto através da passagem do Mar Vermelho, conduzidos por Moisés (Ex. 12, 1-13). Javé terá dito então a Moisés: "Aquele dia será para vós um memorial, e vós festejá-lo-eis como uma festa em honra ao Senhor. Ao longo das vossas gerações, a deveis festejar como uma lei perpétua" (Ex. 12,14). Todavia, até à libertação do Egipto, a Páscoa dos Hebreus era a festa dos cordeiros novos (com um ano), entre os pastores, e festa do pão novo, ou dos Ázimos, entre os agricultores. Por isso se dizia "comer a Páscoa" (Mt. 26,17). Só depois da escravidão no Egipto é que se tornou a festa da libertação e a anunciação da libertação futura, impregnada de Messianismo, o vector fundamental da religião judaica.



Páscoa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-11].

quinta-feira, 9 de abril de 2009

GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA

"Ao menos, se não morri da queda, vou para casa em uma escada" – Não fora Semicúpio desenvolto em suas expedições casamenteiras e seus ordenados atrasados, atrasados ficariam para sempre! O que dificilmente se pode prever é a única e absoluta exclusividade de uma intenção pessoal. As guerras sucedem-se, reproduzem-se, auto-alimentam-se e proliferam em torno de indizíveis intenções gerais. Não fará sentido o que escrevo, bem sei, mas haverá algum sentido nas palavras?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

PODIA SAIR DENTRO DE UM OVO SURPRESA




Para consolar o Funes...

MIAMI "BITCH"

Não fosse o tédio que esta praia transmite, era menina para assentar arraias por aqui. É um verdadeiro sossego! É que não se ouve uma só palavra parecida com Sócrates, ou crise, ou Marco de Canavezes, ou perda de tempo, sei lá! As férias, bem merecidas, estão a meio e como não posso com celebrações pascais e simulacros de crucificações, vou-me ficando a arejar a pevide e a lavar as vistinhas. Ele é com cada vírgula, Saphou!!! Mofina, se fizer falta uns dólares para os salários apita. Nada de te valeres da crise para incumprimentos ilegais. Aviso já a malta que os chocolates natalícios continuam dispensados. O mesmo se aplicar às amêndoas.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

AGORA A SÉRIO


Dado que as boas oportunidades surgem sem aviso prévio, ou quando já nem se esperam, adiam-se as explicações porque o que é preciso é correr... Assim aconteceu com Blimunda. Não lhe saiu a sorte grande, mas apenas a terminação. Ausente por umas semanas, estará a gozar do bom e do melhor . (Grrrrrr... que inveja!) Entretanto, pode ser que se lembre de nos mandar uns postais.

DIVERTE-TE AMIGA!


quinta-feira, 2 de abril de 2009

BLIMUNDA!!!!!!!!!!


E deixou-me com os salários em atraso...

quarta-feira, 1 de abril de 2009