sábado, 11 de abril de 2009

PÁSCOA!



O termo Páscoa deriva do aramaico Pasha, que em hebraico se diz pesach, com um significado discutível: pode ser "saltar", originalmente em referência a uma dança ritual; mas também a passagem do sol pelo seu ponto mais alto numa determinada constelação. No livro do Êxodo, no Antigo Testamento (Ex. 12,26-32) o termo refere-se à noite em que Javé matou os primogénitos do Egipto e poupou ("saltou") as casas de Hebreus, cujas ombreiras e dintel das portas estavam pintadas com o sangue do cordeiro pascal. No entanto, para o Judaísmo a Páscoa, sua principal festa, comemora a libertação dos hebreus no Egipto através da passagem do Mar Vermelho, conduzidos por Moisés (Ex. 12, 1-13). Javé terá dito então a Moisés: "Aquele dia será para vós um memorial, e vós festejá-lo-eis como uma festa em honra ao Senhor. Ao longo das vossas gerações, a deveis festejar como uma lei perpétua" (Ex. 12,14). Todavia, até à libertação do Egipto, a Páscoa dos Hebreus era a festa dos cordeiros novos (com um ano), entre os pastores, e festa do pão novo, ou dos Ázimos, entre os agricultores. Por isso se dizia "comer a Páscoa" (Mt. 26,17). Só depois da escravidão no Egipto é que se tornou a festa da libertação e a anunciação da libertação futura, impregnada de Messianismo, o vector fundamental da religião judaica.



Páscoa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-11].

5 comentários:

mac disse...

E para mim é um calmo feriado, dia em que até há tempo para pensar...

Boa Páscoa, Quadratura.

Jardineira aprendiz disse...

E o melhor (para mim) da Páscoa cristã: http://www.youtube.com/watch?v=z0v83gHrBlk
Obrigada Mac, boa Páscoa também para si.

Carla disse...

Ainda não consegui perceber o porquê desta enorme necessidade de rituais, de momentos pré-programados para celebrar, para estar alegre ou triste, em datas precisas...
Que se lembre a História, tudo bem, na condição de não a confundir com os mitos que se foram criando ou ampliando.
Mas não seria melhor celebrar ou estar triste em qualquer momento, e inventando os nossos próprios rituais, segundo o gosto de cada qual?
Ai as "traditions" (estou a lembrar-me de "Um violino no telhado")!!!
Cada vez me parecem mais sem sentido, sobretudo quando o sentido principal -e por vezes único - é precisamente o de serem ... tradições.

Jardineira aprendiz disse...

Não percebemos porque perdemos a ligação à Terra. Quer queiramos quer não, somos uma espécie, que evoluiu tal como as outras, ao longo de milhares de anos em condições especificas - os ciclos da natureza estão inscritos nos nossos genes, e na nossa memória. Estas festas têm origem em rituais pagãos, ritos de passagem, em que as várias fases dos ciclos naturais, como os solstícios, ou a Primavera, simbolizavam também a evolução interior do homem (chame-se-lhe espiritual, inconsciente ou o que se quiser) - a sua relação com a morte, o renascimento, a transformação. Esses ciclos estão representados nos ciclos da natureza, e se os conhecermos, se tivermos contacto próximo com eles, o simbolismo torna-se mais óbvio, e a vivência interior mais viva. A igreja católica teve consciência disso quando colocou certas festas cristãs sobre as festas pagãs. O simbolismo era semelhante, e pretendia-se que se sobrepusesse aos ritos pagãos, que incluíam aspectos que a igreja pretendia eliminar, por os considerar demoníacos, e porque descentrava o poder que pretendia ter.

Com o tempo, com o afastamento da natureza, perdemos a noção da importância desses ritos. Eles mantiveram-se como formas de manter a coesão social, como festas desprovidas de sentido interior, porque a igreja não conseguiu criar uma ligação eficaz com a espiritualidade das sociedades actuais, mas como formas de criar e manter laços. Mas como a sociedade também está em 'decomposição', e os laços que unem os indivíduos e comunidades são cada vez mais ténues e artificiais, estas festas perderam todo o significado.

Pessoalmente acho que vamos pagar caro este afastamento. Já estamos a pagar.

Blimunda disse...

Boa reflexão, Jardineira! Aliás como todas as que saem dessa ilucidada mente de bio-poeta. Como em todas as vertentes da vida, o Poder, neste caso, o da Igreja católica, lixou tudo!