terça-feira, 18 de novembro de 2008

DOS AFETOS

”-Como aprendeste a ler? – Perguntou a rapariga a certa altura.
-Como todas as outras pessoas -respondeu o rapaz – Na escola.
-E, se sabes ler, então por que és apenas um pastor?
O rapaz deu uma desculpa qualquer para não responder àquela pergunta. Tinha a certeza de que a rapariga jamais entenderia. Continuou a contar as suas histórias de viagem, e os pequenos olhos mouros abriam-se e fechavam-se de espanto e surpresa. Á medida que o tempo foi passando, o rapaz começou a desejar que aquele dia não acabasse nunca, que o pai da jovem ficasse ocupado por muito tempo e o mandasse esperar durante três dias. Percebeu que estava a sentir uma coisa que nunca tinha sentido antes: vontade de ficar a morar numa única cidade para sempre. Com a menina dos cabelos negros, os dias nunca seriam iguais.
Mas o comerciante finalmente chegou e mandou que ele tosquiasse quatro ovelhas. Depois, pagou-lhe o que era devido, e pediu-lhe que voltasse no ano seguinte.
Agora faltavam apenas quatro dias para chegar de novo à mesma cidade. Estava excitado e ao mesmo tempo inseguro: talvez a menina já o tivesse esquecido. Por ali passavam muitos pastores para vender lã.
-Não tem importância – disse o rapaz para as suas ovelhas. - Eu também conheço outras meninas noutras cidades.
Mas no fundo do seu coração, ele sabia que tinha importância. E que tanto os pastores, como os marinheiros, como os caixeiros-viajantes, sempre conheciam uma cidade onde havia alguém capaz de fazer com que esquecessem a alegria de viajar livremente pelo mundo."


O alquimista, Paulo Coelho

Este excerto do livro que ontem iniciei dedico-o à minha pastora favorita com um agradecimento especial porque também ela é, para mim, muito especial.

8 comentários:

Mofina Mendes disse...

:-S

Ajuda-me Alegria, que eu não sei o que dizer...

jg disse...

Os "dosafetos", à semelhança das dozepassas, não são para consumir na noite da passagem d'ano ao soarem as doze balasdelas?!

Só me confundem...

Mofina Mendes disse...

Até as minhas ovelhinhas estão pasmadas.

Mofina Mendes disse...

Será que ele tem razão? Não, razão tem a alegria, andamos coladinhos. Credo, chega prà lá!

Blimunda disse...

Constato que sim Pastora. O meu alívio provem da irrefutável certeza de que a inveja não é contagiosa!

mac disse...

Quando o pastor lá chegou, verificou que a menina tinha ido ao cabeleireiro fazer madeixas verdes.

E nunca mais foi a mesma coisa.

privada disse...

Uh não posso, tu Blimunda meu amor, por aqui? E escreves como uma doce e terna menina de olhos de oiro e cabelo de mar, oh estou vazado, hoje é só descobertas, ai tenho de me esquecer que voces existem, vou acabar na falencia.

Anónimo disse...

Aprendi muito