quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DA DERROTA

De derrota em derrota até à derrota final. Assim assistimos, embasbacados, ainda que esperneando e rabujando, mas não mais do que isso por não sabermos fazer diferente, ao descalabro a que nos levam os senhores actuais da nossa guerra. Assistimos aos seus percursos, sem táctica nas estratégias percorrendo os mais morosos caminhos que poderiam calcorrear em busca de vitórias que desconhecem o destinatário. Sem estratégias sustentando a táctica, não fazendo senão ruído antes da derrota. A hora é sempre certeira nos seus sessenta minutos e o Fundo Monetário Internacional anuncia o fim da recessão para o próximo ano, com uma expansão de 3,1% da economia mundial. Outros afirmam que, apesar de a crise financeira ter, provavelmente, acabado, a crise económica agravar-se-á cada vez mais, sendo que se prevê uma terceira crise, desta feita que se tem ocultado por detrás dos dois primeiros grandes papões - a crise da competitividade. Como se esta fosse virgem e nunca se tivesse deixado beliscar nas suas intimidades. Devem querer que a seguir venha a crise da lucidez, porque não há santo que os entenda e aguente. Sustenta-se que o mundo dopou a economia internacional com dinheiro barato e negligenciou na adopção de medidas institucionais. Prevêem-se catástrofes de destruição maciça para o país a ocorrer nos próximos anos. Os talibãs atafulham o oriente de renovados mísseis e multiplicam bombas a repartir por homens, mulheres e crianças que não saberão na morte, o mártir que mata do mártir que morre. A dimensão das desigualdades na distribuição da riqueza em todo o mundo atinge, a cada dia que passa, proporções chocantes, indizíveis de tão vergonhosas. Não se vislumbram planícies de verdura, vales refrescantes nem montanhas de coragem para os filhos de hoje e, ainda assim, continuamos a fazê-los, deixando para amanhã o desassossego que se impunha tivéssemos tido ontem.

E enquanto o mundo pula e recua, de derrota em derrota até à derrota final, os nossos governantes e deputados, empregam o tempo, gastam horas, preenchem metros de folhas de papel, ocupam teras em suportes magnéticos, discutindo a semântica desta ou daquela expressão linguística, utilizada por este ou aquele indivíduo, com maior ou menor propriedade para tal, o sexo dos anjos - diga-se. E, assim, se ocupam e ocupam o povo, como se fosse vital ou fatal essa expressão, em lugar de cuidar da alteração do certeiro percurso desta batalha teimosamente vitoriosa e que, de derrota em derrota, cedo ou tarde, extinguir-nos-á com a derrota final.

5 comentários:

privada disse...

Vai-te Lixar Blimunda, eu não morro, eu nego-me terminantemente a morrer, fogo, era o que me havia de faltar. Eu sobrevivo!

Mofina disse...

parece que as coisas n estão a chegar ao meu mail...

saphou disse...

E o petróleo e gás nacionais? E o Berardo? E o FCP? e a Selecção? E o Cris? E os anjinhos cagões?E o teu jardim? Toma um Xanax ou um Prozac que a coisa muda de figura.Vade retro que a coisa ainda se pega.

Mofina disse...

Nada é tão mau que não possa ser pior. Vamos aos saldos?

Blimunda disse...

Bora lá aos saldos primeiro. De seguida passamos por Tomar a ver os anjinhos cagões, O Cris não me apetece, lamento mas não faz o meu género. Já da selecção podemos sempre temperar o treinador, que em matéria de sex-appeal bate o seu antecessor paradinho, quietinho e sem grandes elevações patrióticas. O berardo que se vá fuck him self, não posso com a abécula. Na volta criamos uma micro-pequena-média empresa de exploração de petróleo. Acredito que quando chegarmos ao ponto de partida ainda estaremos todos vivos. Right, guys?