Mas mãe, a terra não pode ter sido criada por uma ideia. As ideias existem na cabeça dos homens e foram os homens que criaram Deus e não o contrário. Então e quem é que criou o homem? Perguntava, do alto da sua magistral e inabalável sabedoria maternal? - Não digas disparates, filha, que Deus castiga. Ora, ainda mais essa agora! Já não me bastavam os castigos que carrego nos ombros, vou ter ainda que aguentar com o mau humor divino apenas por ser uma aluna aplicada e ter estudado a lição de ciências. Não entendo nada disto. Querem pôr-nos malucos, é o que é. Uns dizem que é assim, outros que não, e nós que decidamos. Eu sei, também me ensinaram que existe o livre-arbítrio mas, caramba, não poderia ser tudo muito mais simples. Davam-nos a verdade absoluta sem reservas nem contestações e ficava tudo muito certinho e direitinho. Evitavam-se consultas ao psicanalista e cabeçadas na parede para quem o dinheiro tem sinal de interdição na roda alimentar dos cheliques e sentido obrigatório aos bens de primeiríssima necessidade. Se não doesse desmesuradamente e não fosse eu ficar com um tremendo galo, estas paredes que me enclausuram já tinham ido todas ao chão.
4 comentários:
Coitadas das paredes. Olha lá, nunca ouviste dizer que as mães têm sempre razão?
(que a minha não me ouça nem sonhe que digo isto...)
O livre-arbítrio é que nos mata - nem podemos dizer que a culpa é Dele, é malvado.
Um Deus decente nunca daria tal presente. (olha, rimei - deve ser por ser dia 11)
Ora, da minha parte agradeço à filha desta mãe por me ter revelado um pouco dos seus pensamentos, não os entendi todos, mas agradeço a partilha e desejo-lhe dias tranquilos.
Mofina, coitada é de mim, pá!
Mac, então não mata?! Um Deus decente? Cuidado amiga, não vá a língua fugir-lhe para palavras mais complicadas, tipo Deus não é de fiar, ou coisa que o valha.
Privada, meu amigo, se eu me predispusesse a tentar entender pensamentos - meus e alheios - já não haveria paredes. Dias tranquilos para ti também.
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