terça-feira, 2 de junho de 2009

A DESORDEM DA ORDEM!

Como ditam as leis dos antepassados duas Comissões do Judas - Lugar de Baixo e Lugar de cima da Freguesia de Travassô no Concelho de Águeda - enfrentam-se no adro da igreja fazendo fortes critica a muitos dos comportamentos das pessoas da aldeia. É usando da palavra de forma sarcástica e levando o público ao riso durante as acusações de ambos os lugares que são expostas publicamente factos da vida reservada de cada individuo ou grupo. O Judas é queimado em praça pública depois de lido o missal de criticas à comunidade e da tradicional leitura do Testamento, onde todos os solteiros da freguesia recebem a "herança" devida e advinda dos “podres” e as “carecas” são descobertas e alvo de paródia e sátira. Dois palcos de grandes dimensões servem de base a todo este teatro onde os sócios de cada comissão assumem as personagens como sendo a sua própria pele e dão vida aos mais ridículos fantoches.

Ontem, achei-me a assistir à “Queima do Judas” de Travassô, durante o programa “Prós e Contras”. Estava lá tudo: o palco, o judas, os juízes acusadores e até os bois. A cada emissão do programa que assisto mais me convenço que também este é para eliminar da minha ínfima lista “programas televisivos que merecem a pena”.

É, para mim, deplorável assistir ao “lavar de roupa suja” e ao exibir de vaidades e orgulhos do bem feito por mim simultâneo ao equivalente apontar de dedo do mal feito por ti e do até comungo das tuas razões mas di-lo-ia de forma mais eloquente e diplomática e não da forma arruaceira e grosseira que o dizes, em praça pública e seja em que contexto fôr.

Independentemente das razões que possam eventualmente assistir a qualquer um dos advogados intervenientes, quanto a mim, perderam toda a razão quando aceitaram participar num programa televisivo com propósitos de enxovalho e de aumento de audiências, para debater a actual situação da sua Ordem. Se o intuito foi credibilizar a idoneidade da classe presumivelmente destruída ou ferida de morte pelo seu Bastonário, não atingiram o objectivo a que se propuseram.

Pergunto-me como poderemos nós, cidadãos dependentes da capacidade de defesa de homens que não têm inteligência nem aptidão para se defenderem dos ataques dos seus pares em sede própria, colocar as nossas vidas nas suas mãos inábeis e incapazes?

7 comentários:

jg disse...

"quanto a mim, perderam toda a razão quando aceitaram participar num programa televisivo com propósitos de enxovalho e de aumento de audiências, para debater a actual situação da sua Ordem"
Foi o meu resumo no final do programa.
Grosseiros no trato e de uma falta de educação surpreendentes.

Privada, o bacoco disse...

Eles percebem, entendem o que o Marinho diz, concordam ,mas acham que o senhor devia falar disso em privado.
Do tipo camaradas voces andam a fazer acordos e só querem representar quem possa ter dinheiro e a v. solidariedade é em primeiro lugar com os outros advogados e só depois com os vossos clientes, não é? Acertei? Ei.
Ontem tbm foram a publico, mas só porque não tem nada a perder, afinal ninguem se pode defender sem advogado.

Privada, o bacoco disse...

A falta de educação realmente é preocupante.

Mofina Mendes disse...

Ainda não perdi a esperança de ver um qualquer circo destes a pegar fogo. Fogo!

Blimunda disse...

Confesso que quando comecei a ler a transcrição de uma frase do texto e vendo de quem vinha o comentário, o meu primeiro pensamento foi: qual foi o erro que dei desta vez? Mas não, alguém se suplantou e me surpreendeu ao declarar concordância com um pensamento meu. Estará uma nova era a despertar?

O Marinho é genuinamente jornalista dos tempos actuais, ou seja, mau jornalista. Não consegue destrinçar os factos da sua própria sensibilidade, daí toda a ebulição que provoca.

Mofina Mendes disse...

O 1.º comentário tb me deixou perturbada. Será sinal de tsunami? Que medo!

mac disse...

Olhem, nem sei bem que vos diga...

Estou profundamente convicta que é o segredo que permite as coisas inomináveis - na TV não há segredo, é-se tolo e/ou arrogante publicamente e nunca se pode ser menos que humano.

Já o ferrolho em portas opacas permite pensamentos, palavras e obras que nem valem a pena mencionar. :(

Ora batatas.