
Mas culpa foi de D. Afonso Henriques e a sua mania de independência. E do Camões, como não podia deixar de ser.
Quem trabalha com sabedoria, empenho e sentido de responsabilidade sabe que não precisa de ser supervisionado no seu trabalho para que ele produza efeitos positivos e lucrativos. É evidente que é necessário um período de aprendizagem, mas sobretudo é necessário espírito dinâmico e vontade de aprender e chegar sempre mais à frente, seja em quantidade seja em qualidade do serviço que presta. É evidente que nem todas as pessoas têm essa capacidade e para isso é imprescindível a presença de alguém capaz de produzir essa avaliação e proceder em consonância. Que alguém que, pela sua intervenção operacional qualificada e que contribua para resultados de excelência em determinada empresa seja remunerado acima de um trabalhador médio/indiferenciado apesar de também aqueles serem imprescindíveis para se atingirem resultados excelentes, é aceitável. O que não poderia jamais ser aceitável e é-o sem que ninguém se importe verdadeiramente, é que seja superior em 700%. Isto é, o salário de um chefe de departamento de uma empresa estatal daria para pagar a sete funcionários dos quadros médios e a 10 indiferenciados. Segundo um estudo encomendado pelos bons samaritanos liderados por um belo coelhinho playboiano que por aí vagueia, existem, em média, 60 chefes em cada empresa do estado. Excepção seja feita à Refer, que é uma empresa que prima por resultados excelentíssimos – só 113 milhões de euros de prejuízo em 2009 – que apresenta um gang de 158 chefes, sendo certo que um considerável número deles são chefes de si mesmos já que não têm subordinados. A completar este quadro brilhantíssimo e que retrata na perfeição o busílis da situação económico-financeira do país, temos uma carteira de salários que ronda os 6.300 euros por chefe/mês, havendo ainda alguns, que devido ao revestimento a ouro da sua massa encefálica, merecem ainda mais, ganhando acima dos 8 mil euros por mês.
Mas, pela amostra, não há como tapar o que salta à vista: Os franceses não estão católicos do juízo...