terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma inútil e bem paga opinião.




Antes de nos entrarem casa adentro sem pedir licença, certos formadores de opiniões deveriam ser coagidos a formarem-se adequadamente. Como em democracia toda a gente diz o que quer e não, obrigatoriamente, tudo o que sabe, não se pode dizer que exista culpabilidade do agente de comunicação no cometimento do facto, sendo que para isso seria necessário que o mesmo lhe pudesse ser imputado a título de dolo ou negligência.  Não é. É simples, inútil e bem paga opinião.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O arraial continua!

Já está por todo o lado. No Facebook, no Sapo Notícias, Na TSF cuja jornalista se deu ao trabalho de fazer uma montagem entre o vídeo da Ministra e o vídeo do menino, enfim, pelo mundo da verdadeira indústria da criação de valores – a nossa real e actual escola – a comunicação social. “Jovem estudante reproduz no Youtube mensagem da ministra da Educação”. E põe-se o menino a brilhar sob o estandarte das glórias do Big Brother, do olho que tudo vê e onde nada se esconde, representando o elevadíssimo número de teatro de imitação. Está, certamente, garantido o “Excelente” no Clube de Artes de Teatro para este menino. E para os seus pais e restantes adultos que dão cobertura e incentivo a estas práticas eu garantiria o mais profundo “Medíocre” da história da Educação.

Entendo que foi de uma infelicidade atroz o conteúdo e a forma do vídeo em que a Ministra se predispõe a dar as boas vindas ao novo ano lectivo. De sobremaneira infeliz é, sem a menor da dúvidas, a falta de bom senso e boas maneiras dos adultos - pais e jornalistas – que permitiram que se use uma criança de 10 anos, uma criança que deve ser orientada no sentido do respeito pelos outros, venha para as redes de comunicação social ostentar e dar continuidade pública ao ridículo. A esta criança, aplaudirão, pais e professores que se sentem injustiçados e bem, pelas políticas governamentais, esquecendo que é a eles e aos seus filhos educandos e/ou alunos que prejudicam. As boas acções nascem pelo exemplo que se mostra e não pelo bem que as más nos farão ao ego.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Corações ao alto!

Era já noite alta. O bom senso mandava dormir mas a irreverência adormecida há já algum tempo mandava que despertasse. Estava cansada de se ver definhar. Não foi preciso ir longe. A ajuda estava apenas à distância de um par de cliques. A sublime presença, a amizade que lhe dedicou desde o início fê-la renascer. Dois dedos de conversa e, por artes desconhecidas, os olhos abriram-se para o que sempre estivera à sua frente. Dói menos se assim o desejarmos. O remédio para a enfadonha mas mortífera moléstia não está senão no próprio querer. - “Não foram as circunstâncias do ambiente que te rodeia que mudaram, foste tu” – dissera-lhe ela.
O dia amanheceu alerta e disposto a percorrer o seu caminho. Bom dia, Alegria! Venham mais cinco, venham mais dez, venham quantos vierem que a pétala pode até murchar mas ficará para sempre o aroma do bem que fez enquanto viçosa.

Obrigada, amiga!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade...
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade

terça-feira, 14 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

BOM DIA

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

(Antoine de Saint-Exupery)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Stress Pós-Férias


Desaconselha-se o cutucar do bicho, sobretudo se a vara for curta.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A ESCOLHA


Não consigo sair do labirinto. Ignoro a diferença entre uma chaves de fendas e uma chaves inglesa. Podia usar a chave mestra, no entanto, confesso, prefiro esperar pela chaves da cidade. Até lá, vou fazendo casacos e camisolas com o fio de Ariadne. Tarde ou cedo, o Inverno há-de vir.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

LIGAR AS COLUNAS (OU TALVEZ NÃO)



Num certo livro de matemática, um quociente apaixonou-se por uma incógnita.

Ele, o quociente, produto notável de uma família importantíssima de polinômios.

Ela, uma simples incógnita, de mesquinha equação literal.

Oh, que tremenda desigualdade.

Mas como todos sabem, o amor não tem limites e vai do mais infinito até o menos infinito.

Apaixonado, o quociente a olhou do vértice à base, sob todos os ângulos, agudos e obtusos.

Era linda, uma figura ímpar e punha-se em evidência: olhar rombóide (rombo=losango), boca trapezóide, seios esféricos num corpo cilíndrico de linhas senoidais (curvas).

– Quem és tu? – perguntou o quociente com olhar radical.

– Sou a raiz quadrada da soma dos quadrados dos catetos.

Mas pode me chamar de hipotenusa – respondeu ela com uma expressão algébrica de quem ama.

Ele fez de sua vida uma paralela à dela, até que se encontraram no infinito.

E se amaram ao quadrado da velocidade da luz, traçando ao sabor do momento e da paixão, retas e curvas no jardim da quarta dimensão.

Ele a amava e a recíproca era verdadeira.

Adoravam-se nas mesmas razões e proporções no intervalo aberto da vida.

Três quadrantes depois resolveram se casar.

Traçaram planos para o futuro e todos desejaram a felicidade integral.

Os padrinhos foram o vetor e a bissetriz.

Tudo estava nos eixos.

O amor crescia em progressão geométrica.

Quando ela estava em suas coordenadas positivas, tiveram um par: o menino, em homenagem ao padrinho, chamaram de versor; a menina, uma linda abscissa.

Ela sofreu duas operações.

Eram felizes até que, um dia, tudo se tornou uma constante.

Foi aí que surgiu um outro, sim, um outro.

O máximo divisor comum, um freqüentador de círculos viciosos.

O mínimo que o máximo ofereceu foi uma grandeza absoluta.

Ela sentiu-se imprópria, mas amava o máximo.

Sabedor desta regra de três, o quociente chamou-a de fração ordinária.

Sentindo-se um denominador comum, resolveu aplicar a solução trivial: um ponto de descontinuidade na vida deles.

Quando os dois amantes estavam em colóquio, ele em termos menores e ela de combinação linear, chegou o quociente e nu giro determinante disparou o seu 45.

Ela foi para o espaço imaginário e ele foi para num intervalo fechado, onde a luz solar se via através de pequenas malhas quadráticas.



Millôr Fernandes

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Qual Cruz Pesada, Qual Quê?

http://www.youtube.com/watch?v=c1O-r1q2cwI&feature=related

The Gossip - "Heavy Cross" LIVE bei ZDF"Wetten, dass..?"

Peso pesado sim, mas na qualidade da voz! Que importam as formas se o conteúdo as supera?!

SOLIDARIEDADE À PORTUGUESA

O número de dadores de sangue e de medula óssea aumentou em Portugal de forma elevadíssima. Um facto louvável, sem dúvida.
Só um pormenor pode causar alguma consternação: Porque será que as pessoas aderem sobretudo nos lugares públicos? Basta pôr um posto de recolha num centro comercial para haver logo uma fila de gente solidária. E se o ambiente for animado, por exemplo, com exercícios de fitnees, não como irromper da multidão.
Exibicionismo? Talvez. Mas até nem é por mal, é mais por algo que nos está no sangue. Afinal, importante são os resultados.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CALAI-VOS, Ó PESSIMISTAS!

Está decidido, a partir de agora só se deve ler o Financial Times. Por uns trocados, o nosso Sócrates criou uma oportunidade excelente para acabar com os calmantes e anti-depressivos. Sem dispensa na farmácia, até podemos ficar ricos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

COMPRADO A 4 DE JULHO

Quem tem dinheiro ao qual não sabe o que fazer, faz dele o que bem entende, nem que seja ordenar a um guarda-costas que se plante no meio das pernas do corpo e esperar que saia a criança para lhe enfiar um alfinete de diamante a segurar o umbigo até que ele caia. O menino de ouro, tem mais um brinquedo - um filho. E isto é bomba mediática em todo o mundo. Por cá, provavelmente terá até servido para baixar os dedos indicadores dos que torceram o nariz ao seu comportamento no mundial. Depois de esvaziada a embalagem de ketchup, viremos a página e entremos no mundo da puericultura. E o que faz falta é entreter a malta, é o que faz falta.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

E A "SAGAMARO" CONTINUA

Em Portugal, na aldeia medieval de Monsaraz, há um fresco alegórico dos finais do século XV que representa o Bom Juiz e o Mau Juiz, o primeiro com uma expressão grave e digna no rosto e segurando na mão a recta vara da justiça, o segundo com duas caras e a vara da justiça quebrada. Por não se sabe que razões, estas pinturas estiveram escondidas por um tabique de tijolos durante séculos e só em 1958 puderam ver a luz do dia e ser apreciadas pelos amantes da arte e da justiça. Da justiça, digo bem, porque a lição cívica que essas antigas figuras nos transmitem é clara e ilustrativa. Há juízes bons e justos a quem se agradece que existam, há outros que, proclamando-se a si mesmos justos, de bons pouco têm, e, finalmente, não são só injustos como, por outras palavras, à luz dos mais simples critérios éticos, não são boa gente. Nunca houve uma idade de ouro para a justiça.
Hoje, nem ouro, nem prata, vivemos no tempo do chumbo. Que o diga o juiz Baltasar Garzón que, vítima do despeito de alguns dos seus pares demasiado complacentes com o fascismo sobrevivo ao mando da Falange Espanhola e dos seus apaniguados, vive sob a ameaça de uma inabilitação de entre doze e dezasseis anos que liquidaria definitivamente a sua carreira de magistrado. O mesmo Baltasar Garzón que, não sendo desportista de elite, não sendo ciclista nem jogador de futebol ou tenista, tornou universalmente conhecido e respeitado o nome de Espanha. O mesmo Baltasar Garzón que fez nascer na consciência dos espanhóis a necessidade de uma Lei da Memória Histórica e que, ao abrigo dela, pretendeu investigar não só os crimes do franquismo como os de outras partes do conflito. O mesmo corajoso e honesto Baltasar Garzón que se atreveu a processar Augusto Pinochet, dando à justiça de países como Argentina e Chile um exemplo de dignidade que logo veio a ser seguido. Invoca-se aqui a Lei da Amnistia para justificar a perseguição a Baltasar Garzón, mas, em minha opinião de cidadão comum, a Lei da Amnistia foi uma maneira hipócrita de tentar virar a página, equiparando as vítimas aos seus verdugos, em nome de um igualmente hipócrita perdão geral. Mas a página, ao contrário do que pensam os inimigos de Baltasar Garzón, não se deixará virar. Faltando Baltasar Garzón, supondo que se chegará a esse ponto, será a consciência da parte mais sã da sociedade espanhola que exigirá a revogação da Lei da Amnistia e o prosseguimento das investigações que permitirão pôr a verdade no lugar onde ela tem faltado. Não com leis que são viciosamente desprezadas e mal interpretadas, não com uma justiça que é ofendida todos os dias. O destino do juiz Baltasar Garzón é nas mãos do povo espanhol que está, não dos maus juízes que um anónimo pintor português retratou no século XV.
E como a saga tem que continuar porque viuvas também comem, no fim da publicação tão-só o link: http://www.josesaramago.org/detalle.php?id=851.
P.s: Esqueceram-se foi de consultar o post da Blimunda do dia D, senão não seria necessário tanto papel.

ENTRETANTO

Há alguma informação sobre os barcos que estavam a ser atacados por Israel?
O conflito entre as duas Coreias acalmou ou intensificou-se?
Ao longo dos últimos meses, como estão os desalojados do Haiti?
E as tropas americanas, já se retiraram do Iraque?

Sabemos, isso sim, é que nos EUA foi descoberta uma mulher que passava informações aos serviços secretos russos.
O quê?... Abaixo o muro de Berlim!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PERDEMOS O CAMPEONATO


Mas culpa foi de D. Afonso Henriques e a sua mania de independência. E do Camões, como não podia deixar de ser.