
“É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.”

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The Gossip - "Heavy Cross" LIVE bei ZDF"Wetten, dass..?"
Peso pesado sim, mas na qualidade da voz! Que importam as formas se o conteúdo as supera?!
Quem tem dinheiro ao qual não sabe o que fazer, faz dele o que bem entende, nem que seja ordenar a um guarda-costas que se plante no meio das pernas do corpo e esperar que saia a criança para lhe enfiar um alfinete de diamante a segurar o umbigo até que ele caia. O menino de ouro, tem mais um brinquedo - um filho. E isto é bomba mediática em todo o mundo. Por cá, provavelmente terá até servido para baixar os dedos indicadores dos que torceram o nariz ao seu comportamento no mundial. Depois de esvaziada a embalagem de ketchup, viremos a página e entremos no mundo da puericultura. E o que faz falta é entreter a malta, é o que faz falta.
Em Portugal, na aldeia medieval de Monsaraz, há um fresco alegórico dos finais do século XV que representa o Bom Juiz e o Mau Juiz, o primeiro com uma expressão grave e digna no rosto e segurando na mão a recta vara da justiça, o segundo com duas caras e a vara da justiça quebrada. Por não se sabe que razões, estas pinturas estiveram escondidas por um tabique de tijolos durante séculos e só em 1958 puderam ver a luz do dia e ser apreciadas pelos amantes da arte e da justiça. Da justiça, digo bem, porque a lição cívica que essas antigas figuras nos transmitem é clara e ilustrativa. Há juízes bons e justos a quem se agradece que existam, há outros que, proclamando-se a si mesmos justos, de bons pouco têm, e, finalmente, não são só injustos como, por outras palavras, à luz dos mais simples critérios éticos, não são boa gente. Nunca houve uma idade de ouro para a justiça.
Quem trabalha com sabedoria, empenho e sentido de responsabilidade sabe que não precisa de ser supervisionado no seu trabalho para que ele produza efeitos positivos e lucrativos. É evidente que é necessário um período de aprendizagem, mas sobretudo é necessário espírito dinâmico e vontade de aprender e chegar sempre mais à frente, seja em quantidade seja em qualidade do serviço que presta. É evidente que nem todas as pessoas têm essa capacidade e para isso é imprescindível a presença de alguém capaz de produzir essa avaliação e proceder em consonância. Que alguém que, pela sua intervenção operacional qualificada e que contribua para resultados de excelência em determinada empresa seja remunerado acima de um trabalhador médio/indiferenciado apesar de também aqueles serem imprescindíveis para se atingirem resultados excelentes, é aceitável. O que não poderia jamais ser aceitável e é-o sem que ninguém se importe verdadeiramente, é que seja superior em 700%. Isto é, o salário de um chefe de departamento de uma empresa estatal daria para pagar a sete funcionários dos quadros médios e a 10 indiferenciados. Segundo um estudo encomendado pelos bons samaritanos liderados por um belo coelhinho playboiano que por aí vagueia, existem, em média, 60 chefes em cada empresa do estado. Excepção seja feita à Refer, que é uma empresa que prima por resultados excelentíssimos – só 113 milhões de euros de prejuízo em 2009 – que apresenta um gang de 158 chefes, sendo certo que um considerável número deles são chefes de si mesmos já que não têm subordinados. A completar este quadro brilhantíssimo e que retrata na perfeição o busílis da situação económico-financeira do país, temos uma carteira de salários que ronda os 6.300 euros por chefe/mês, havendo ainda alguns, que devido ao revestimento a ouro da sua massa encefálica, merecem ainda mais, ganhando acima dos 8 mil euros por mês.
