quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Stress Pós-Férias


Desaconselha-se o cutucar do bicho, sobretudo se a vara for curta.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A ESCOLHA


Não consigo sair do labirinto. Ignoro a diferença entre uma chaves de fendas e uma chaves inglesa. Podia usar a chave mestra, no entanto, confesso, prefiro esperar pela chaves da cidade. Até lá, vou fazendo casacos e camisolas com o fio de Ariadne. Tarde ou cedo, o Inverno há-de vir.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

LIGAR AS COLUNAS (OU TALVEZ NÃO)



Num certo livro de matemática, um quociente apaixonou-se por uma incógnita.

Ele, o quociente, produto notável de uma família importantíssima de polinômios.

Ela, uma simples incógnita, de mesquinha equação literal.

Oh, que tremenda desigualdade.

Mas como todos sabem, o amor não tem limites e vai do mais infinito até o menos infinito.

Apaixonado, o quociente a olhou do vértice à base, sob todos os ângulos, agudos e obtusos.

Era linda, uma figura ímpar e punha-se em evidência: olhar rombóide (rombo=losango), boca trapezóide, seios esféricos num corpo cilíndrico de linhas senoidais (curvas).

– Quem és tu? – perguntou o quociente com olhar radical.

– Sou a raiz quadrada da soma dos quadrados dos catetos.

Mas pode me chamar de hipotenusa – respondeu ela com uma expressão algébrica de quem ama.

Ele fez de sua vida uma paralela à dela, até que se encontraram no infinito.

E se amaram ao quadrado da velocidade da luz, traçando ao sabor do momento e da paixão, retas e curvas no jardim da quarta dimensão.

Ele a amava e a recíproca era verdadeira.

Adoravam-se nas mesmas razões e proporções no intervalo aberto da vida.

Três quadrantes depois resolveram se casar.

Traçaram planos para o futuro e todos desejaram a felicidade integral.

Os padrinhos foram o vetor e a bissetriz.

Tudo estava nos eixos.

O amor crescia em progressão geométrica.

Quando ela estava em suas coordenadas positivas, tiveram um par: o menino, em homenagem ao padrinho, chamaram de versor; a menina, uma linda abscissa.

Ela sofreu duas operações.

Eram felizes até que, um dia, tudo se tornou uma constante.

Foi aí que surgiu um outro, sim, um outro.

O máximo divisor comum, um freqüentador de círculos viciosos.

O mínimo que o máximo ofereceu foi uma grandeza absoluta.

Ela sentiu-se imprópria, mas amava o máximo.

Sabedor desta regra de três, o quociente chamou-a de fração ordinária.

Sentindo-se um denominador comum, resolveu aplicar a solução trivial: um ponto de descontinuidade na vida deles.

Quando os dois amantes estavam em colóquio, ele em termos menores e ela de combinação linear, chegou o quociente e nu giro determinante disparou o seu 45.

Ela foi para o espaço imaginário e ele foi para num intervalo fechado, onde a luz solar se via através de pequenas malhas quadráticas.



Millôr Fernandes

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Qual Cruz Pesada, Qual Quê?

http://www.youtube.com/watch?v=c1O-r1q2cwI&feature=related

The Gossip - "Heavy Cross" LIVE bei ZDF"Wetten, dass..?"

Peso pesado sim, mas na qualidade da voz! Que importam as formas se o conteúdo as supera?!

SOLIDARIEDADE À PORTUGUESA

O número de dadores de sangue e de medula óssea aumentou em Portugal de forma elevadíssima. Um facto louvável, sem dúvida.
Só um pormenor pode causar alguma consternação: Porque será que as pessoas aderem sobretudo nos lugares públicos? Basta pôr um posto de recolha num centro comercial para haver logo uma fila de gente solidária. E se o ambiente for animado, por exemplo, com exercícios de fitnees, não como irromper da multidão.
Exibicionismo? Talvez. Mas até nem é por mal, é mais por algo que nos está no sangue. Afinal, importante são os resultados.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CALAI-VOS, Ó PESSIMISTAS!

Está decidido, a partir de agora só se deve ler o Financial Times. Por uns trocados, o nosso Sócrates criou uma oportunidade excelente para acabar com os calmantes e anti-depressivos. Sem dispensa na farmácia, até podemos ficar ricos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

COMPRADO A 4 DE JULHO

Quem tem dinheiro ao qual não sabe o que fazer, faz dele o que bem entende, nem que seja ordenar a um guarda-costas que se plante no meio das pernas do corpo e esperar que saia a criança para lhe enfiar um alfinete de diamante a segurar o umbigo até que ele caia. O menino de ouro, tem mais um brinquedo - um filho. E isto é bomba mediática em todo o mundo. Por cá, provavelmente terá até servido para baixar os dedos indicadores dos que torceram o nariz ao seu comportamento no mundial. Depois de esvaziada a embalagem de ketchup, viremos a página e entremos no mundo da puericultura. E o que faz falta é entreter a malta, é o que faz falta.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

E A "SAGAMARO" CONTINUA

Em Portugal, na aldeia medieval de Monsaraz, há um fresco alegórico dos finais do século XV que representa o Bom Juiz e o Mau Juiz, o primeiro com uma expressão grave e digna no rosto e segurando na mão a recta vara da justiça, o segundo com duas caras e a vara da justiça quebrada. Por não se sabe que razões, estas pinturas estiveram escondidas por um tabique de tijolos durante séculos e só em 1958 puderam ver a luz do dia e ser apreciadas pelos amantes da arte e da justiça. Da justiça, digo bem, porque a lição cívica que essas antigas figuras nos transmitem é clara e ilustrativa. Há juízes bons e justos a quem se agradece que existam, há outros que, proclamando-se a si mesmos justos, de bons pouco têm, e, finalmente, não são só injustos como, por outras palavras, à luz dos mais simples critérios éticos, não são boa gente. Nunca houve uma idade de ouro para a justiça.
Hoje, nem ouro, nem prata, vivemos no tempo do chumbo. Que o diga o juiz Baltasar Garzón que, vítima do despeito de alguns dos seus pares demasiado complacentes com o fascismo sobrevivo ao mando da Falange Espanhola e dos seus apaniguados, vive sob a ameaça de uma inabilitação de entre doze e dezasseis anos que liquidaria definitivamente a sua carreira de magistrado. O mesmo Baltasar Garzón que, não sendo desportista de elite, não sendo ciclista nem jogador de futebol ou tenista, tornou universalmente conhecido e respeitado o nome de Espanha. O mesmo Baltasar Garzón que fez nascer na consciência dos espanhóis a necessidade de uma Lei da Memória Histórica e que, ao abrigo dela, pretendeu investigar não só os crimes do franquismo como os de outras partes do conflito. O mesmo corajoso e honesto Baltasar Garzón que se atreveu a processar Augusto Pinochet, dando à justiça de países como Argentina e Chile um exemplo de dignidade que logo veio a ser seguido. Invoca-se aqui a Lei da Amnistia para justificar a perseguição a Baltasar Garzón, mas, em minha opinião de cidadão comum, a Lei da Amnistia foi uma maneira hipócrita de tentar virar a página, equiparando as vítimas aos seus verdugos, em nome de um igualmente hipócrita perdão geral. Mas a página, ao contrário do que pensam os inimigos de Baltasar Garzón, não se deixará virar. Faltando Baltasar Garzón, supondo que se chegará a esse ponto, será a consciência da parte mais sã da sociedade espanhola que exigirá a revogação da Lei da Amnistia e o prosseguimento das investigações que permitirão pôr a verdade no lugar onde ela tem faltado. Não com leis que são viciosamente desprezadas e mal interpretadas, não com uma justiça que é ofendida todos os dias. O destino do juiz Baltasar Garzón é nas mãos do povo espanhol que está, não dos maus juízes que um anónimo pintor português retratou no século XV.
E como a saga tem que continuar porque viuvas também comem, no fim da publicação tão-só o link: http://www.josesaramago.org/detalle.php?id=851.
P.s: Esqueceram-se foi de consultar o post da Blimunda do dia D, senão não seria necessário tanto papel.

ENTRETANTO

Há alguma informação sobre os barcos que estavam a ser atacados por Israel?
O conflito entre as duas Coreias acalmou ou intensificou-se?
Ao longo dos últimos meses, como estão os desalojados do Haiti?
E as tropas americanas, já se retiraram do Iraque?

Sabemos, isso sim, é que nos EUA foi descoberta uma mulher que passava informações aos serviços secretos russos.
O quê?... Abaixo o muro de Berlim!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PERDEMOS O CAMPEONATO


Mas culpa foi de D. Afonso Henriques e a sua mania de independência. E do Camões, como não podia deixar de ser.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

JOGADOR DE FUTEBOL GANHA MAIS, ORA!

Quem trabalha com sabedoria, empenho e sentido de responsabilidade sabe que não precisa de ser supervisionado no seu trabalho para que ele produza efeitos positivos e lucrativos. É evidente que é necessário um período de aprendizagem, mas sobretudo é necessário espírito dinâmico e vontade de aprender e chegar sempre mais à frente, seja em quantidade seja em qualidade do serviço que presta. É evidente que nem todas as pessoas têm essa capacidade e para isso é imprescindível a presença de alguém capaz de produzir essa avaliação e proceder em consonância. Que alguém que, pela sua intervenção operacional qualificada e que contribua para resultados de excelência em determinada empresa seja remunerado acima de um trabalhador médio/indiferenciado apesar de também aqueles serem imprescindíveis para se atingirem resultados excelentes, é aceitável. O que não poderia jamais ser aceitável e é-o sem que ninguém se importe verdadeiramente, é que seja superior em 700%. Isto é, o salário de um chefe de departamento de uma empresa estatal daria para pagar a sete funcionários dos quadros médios e a 10 indiferenciados. Segundo um estudo encomendado pelos bons samaritanos liderados por um belo coelhinho playboiano que por aí vagueia, existem, em média, 60 chefes em cada empresa do estado. Excepção seja feita à Refer, que é uma empresa que prima por resultados excelentíssimos – só 113 milhões de euros de prejuízo em 2009 – que apresenta um gang de 158 chefes, sendo certo que um considerável número deles são chefes de si mesmos já que não têm subordinados. A completar este quadro brilhantíssimo e que retrata na perfeição o busílis da situação económico-financeira do país, temos uma carteira de salários que ronda os 6.300 euros por chefe/mês, havendo ainda alguns, que devido ao revestimento a ouro da sua massa encefálica, merecem ainda mais, ganhando acima dos 8 mil euros por mês.

Agora venham dizer-me que o problema está nas pensões de velhice, nos abonos de família, nos apoios sociais em geral, nas ambulâncias do Inem e no não-pagamento de portagens nas vias que foram construídas com o nosso dinheiro.

terça-feira, 22 de junho de 2010

ORA BOLAS!

Por via de nada me ocorrer para publicar, lembrei-me de ir ver o que, por aqui se publicava há um ano atrás. Saiu-me isto.

UM ABAFO DESTES!
Socoooooooooorro! Saphou, trate de lavar o carro que já não posso mais com este calor. Não há quem consiga trabalhar, nem blogar, nem falar, nem comer, nem...nada! Jasus!!!!!!


Pena que a Saphou já não use as suas artes mágicas. Que desconsolo!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

NÃO HÁ FOME QUE NÃO DÊ EM CONGESTÃO


Com duas horas alargadas de almoço, é muito provável que se tenha gasto o ketchup todo duma vez. A partir de agora, vai ser preciso misturar água.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

SARAMAGO


Se, depois da sua morte, quiserem escrever a sua biografia, não há nada mais simples. Tem apenas duas datas - a da sua nascença e a da sua morte. Entre uma e outra todos os dias foram seus.
Adapatação: "Se depois de eu morrer", Alberto Caeiro

quinta-feira, 17 de junho de 2010

UMA AULA DE DIREITO

Peço aos meus amigos jurisconsultos, Funes, Saphou, Jama. PBL, 100anos, que me permitam uma questão que esta coisa da jurisprudência baralha-me a cabecinha toda e eu preciso dela bem organizada.

Parece que o estado terá sido absolvido de pagar a módica indemnização de 130.000 euros ao ilustre deputado PP, indemnização essa requerida na sequência da sua prisão preventiva durante quatro meses e meio por alegado envolvimento no caso Casa Pia. Agora pergunto eu que não percebo nada disto: Se o estado foi absolvido significará que a sua prisão terá sido justa porquanto é culpado apesar de ter a justiça falhado a justiça quando o ilibou dos crimes de que foi acusado ou é inocente e, nesse caso, a sua prisão efectiva foi, manifestamente, injusta e caber-lhe-ia ser indemnizado? Em que é que ficamos?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ESTE POVO QUE NÓS SOMOS

Ontem, enquanto fazia o jantar, ia assistindo ao telejornal. Seguramente mais de 75% do tempo usado para as notícias e sempre na expectativa de ser informada sobre assuntos que deveras me interessassem, fui obrigada a assistir a um interminável e abjecto relato das reacções deste povo em que não me revejo, a uma denominada partida de futebol. Desliguei a televisão antes do final do espaço supostamente noticioso. Não minto se aqui deixar escrito que senti tristeza ao assistir às manifestações de alegria das muitas almas que ali vi, esperneando, puxando cabelos, agarrando a cabeça como se a solução das misérias pessoais estivesse na entrada da bola dentro das redes de uma baliza. Tristeza por saber que o fim desta humanidade é certo. Por suspeitar que enquanto o Homem não se convencer que os êxitos de uma nação não serão possíveis senão através dos pessoais e não dependem senão do esforço de cada um para o bem comum não haverá êxitos. A situação dramática em que vivem milhares de pessoas incluído um número obsceno de crianças não é suficiente para mobilizar meia dúzia de portugueses mas um desprezível jogo de futebol, em que cada uma das marionetes que por lá dançam articulando músculos a troco de milhões de euros é o suficiente para imobilizar um país inteiro.
.
Desporto e Pedagogia

Diz ele que não sei ler
Isso que tem? Cá na aldeia
Não se arranjam dúzia e meia
Que saibam ler e escrever.
P'ra escolas não há bairrismo,
Não há amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!
Desporto e pedagogia
Se os juntassem, como irmãos,
Esse conjunto daria,
Verdadeiros cidadãos!
Assim, sem darem as mãos,
O que um faz, outro atrofia.
Da educação desportiva,
Que nos prepara p'ra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.
E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.
Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo lá na bilheteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.
Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,
Não pode ver por quantos é comido
E nem se importa que o comam, ou não.
E assim os ratos vão roendo o queijo
E o Zé, sem ver que é palerma, que é bruto,
De vez em quando solta o seu bocejo,
Sem ter p'ra ceia nem pão, nem conduto.
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

segunda-feira, 14 de junho de 2010

PROPOSTA SÉRIA E URGENTE

Tolerância de ponto (e respectivas pontes) todos os dias em que jogar a selecção.