terça-feira, 25 de maio de 2010

CADA MIGALHA É PÃO

Há já algum tempo que me tenho vindo a abster de me manifestar sobre o estado da nação e/ou sobre os desmandos dos governantes. Não que nada tenha a dizer, não que concorde ou discorde das políticas assumidas, não que esteja tudo bem ou tudo mal. Têm sido maiores e mais fortes o cansaço, o tédio, a impotência sabida de palavras escritas a tinta branca e não escarlate e que nada pesam na balança do poder. É a triste consciência de que não existem Catarinas Eufémias nem padeiras de Aljubarrota. E, a menos que incorpore o caudal do mesmo rio e me deixe rebolar leito abaixo com a corrente ou em contrapartida me arme em revolucionária de cravo ao peito alvejada pelo facto de fazer ou não a depilação às pernas ou ao buço ou pela louca genica do que pela bravura e pela determinação, qualquer palavra que escreva cairá em saco roto. O que me acode e concorre neste momento para a materialização das palavras que se me escapam da cabeça para a ponta dos dedos é tão-só a vontade de gritar, a vontade quase incontrolável de chorar perante a certeza de que neste país dificilmente fará sentido esperar que aconteça justiça, equidade e probidade entre governantes e governados, independentemente do âmbito da governação. Como se os senhores deputados, aqueles senhores que propõem, ditam e aprovam leis que, sumariamente, lhes facilite a vida, tivessem parcos meios financeiros para o fazer. A quem foi, a título de exemplo, retirado cinco por cento do salário, coitadinhos, cinco por cento enquanto que aos outros, aos sacanas dos outros, é apenas retirado um ou um e meio. Àqueles senhores a quem depois de uma temporada numa assembleia supostamente do povo abrindo e fechando Magalhães e nos intervalos a boca para dizer umas bacoradas valentes, passam a ter direito a beneces que a maioria de nós desconhece. É a esses senhores que, em tempo de crise apontados e publicitados como o estandarte do bom exemplo, se lhes retirou cinco por cento ao salário - porque Dona Merkle Branca mandou - mas e sem que se note em demasia, se aumenta significativamente o orçamento para transporte, deslocações e estadas, despesas com seminários, exposições e similares, artigos honoríficos, decoração do Parlamento - pasme-se - e “outros trabalhos especializados” - uma caixinha de utilidades onde cabe tudo o que se lhe quiser enfiar dentro. Não haverá solução porque nunca ninguém lhes ensinou que cada migalha é pão.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

INCOMPATIBILIDADES

É minha convicção pessoal que uma das causas maiores do insucesso escolar e da irregular formação das nossas crianças é a deficiência dos modelos. É sabido que a evolução da civilização tem obrigado progenitores – primeiros responsáveis pela educação e formação das suas crianças – a delegar competências nessa área aos profissionais da educação, vulgo Professores. Esperam deles a capacidade para ensinar aos seus filhos a serem pessoas minimamente bem formadas dentro das normas e costumes socialmente aceites e a aprender a respeitar a integridade física e psíquica de cada ser humano, incluindo a deles próprios.

É notória a banalização com que, ao longo do evoluir dos tempos, se tem lidado com o corpo humano, mormente com o feminino. Já ninguém se escandaliza quando se vêm, a troco de cêntimos, em qualquer folhetim publicitário ou sem o menor dispêndio monetário nas acessibilíssimas páginas cibernéticas ou na televisão, reproduções fotográficas de corpos humanos nus e nas mais arrojadas e despudoradas poses.

Devido à tendencial ostracização ou estigmatização a que as pessoas que se obstem, de modo mais ou menos acentuado, à vulgarização do corpo humano e das relações pessoais e intimas, estão sujeitas é comum testemunharem-se profundas declarações públicas de pseudo aceitabilidade e aprovação das mais reprováveis condutas no que à reserva da intimidade e respeitabilidade pelo corpo de cada um de nós diz respeito.

Não me é cara a aceitação de que as pessoas são efectivamente livres para exercerem sobre o seu próprio corpo qualquer acção, seja ela em prol do seu próprio prazer ou do prazer alheio, desde que não colida com a liberdade e com o prazer das pessoas que, directa ou indirectamente, lhe estão, por força das circunstâncias, aglutinadas.

É do mais elementar saber que educador é aquele que para além de transmitir conhecimentos académicos, transmite com a mesma ou talvez mais veemente facilidade, padrões de comportamentos e valores através da própria conduta, sendo certo que, consciente ou inconscientemente, serão imitados.

Daqui resulta o seguinte: há profissões que são efectivamente incompatíveis. Ou se é vendedora da imagem do seu próprio corpo, vulgo modelo, e/ou do corpo propriamente dito – vulgo prostituta ou se é professora. As duas ao mesmo tempo é que…NÃO OBRIGADA!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

COIO? TOLA?

"Estou no Porto estou a arremessar-te com um pequeno peixo do Brasil à parte do rego onde há roturas pelas quais se escoa a água".

Francamente, Privada, podias falar de forma a que te entendam.

terça-feira, 11 de maio de 2010

EM TEMPO DE PEREGRINAÇÕES...


... Uma ideia peregrina.

O Funes é que se deve consolar de repetir a palavra vuvuzela centenas de vezes.

Depois das bandeiras nos telhados, podíamos ter sido originais e pôr em cada janela uma janela.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A SAPHOU É QUE SABE


A banca ainda não está rota, mas já tem uma fuga de óleo queimado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O CÉU VAI CAIR


Depois das declarações do P.M. e do Pedro Passos Coelho, julgo que não há mesmo nada a dizer.

domingo, 25 de abril de 2010

SOBE QUE SOBE

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SEMPRE MESTRE

Apesar de o ser humano ser egoísta por natureza é, de igual monta, o mais dependente dos seus pares. Só se realiza em sociedade.

Não têm sido poucas as vezes em que o Mestre manifesta desprezo pelas eventuais avaliações que de si possam fazer os outros. Ora, no meu humilde a roçar o orgulhoso entendimento, esta é uma forma falaciosa de contornar a desprezível dependência que todos nós sentimos da avaliação alheia.
Recordo um outro post seu (quem somos nós sem esse pilar de sabedoria que nos alenta o caminho?) nascido, do mesmo modo, da atribuição de um qualquer prémio, em que desfere duros ataques aos seus comentadores, atestando a sua total indiferença e desprezo pelo que pensam os outros da sua escrita. Na altura discordei, alegando que a sua escrita só existe porque alguém a lê e a comenta, caso contrário não existe, é nula. Fazendo os devidos paralelismos, entendo que a auto-suficiência da sua auto-avaliação é fraudulenta já que a segunda não é válida senão por oposição ao conceito geral da avaliação pública e exógena. No momento em que o Mestre radicaliza a máxima sofista de que o homem é a medida de todas as coisas, reclamando-a si mesmo, entra em total contradição com a natureza humana e, por conseguinte, consigo próprio. Em que códigos se procuram os valores para a avaliação, seja ela endógena ou exógena? Avaliamo-nos sempre por comparação, seja connosco mesmos seja com os outros. O sucesso ou insucesso é determinado por uma tabela de valores que nos foi imposta extrinsecamente e que se aplica e regulamenta os nossos comportamentos da mesma forma que se aplica e regulamenta os dos outros. Para ajuizarmos sobre determinado valor pessoal, fazemo-lo transpondo esse valor para o outro e calculando o que o outro ajuizaria sobre o mesmo valor. A auto-estima nasce da consciência que temos das nossas potencialidades por oposição ao conceito geral que nos é incutido pelos outros, através de avaliações e comparações externas. Ora, assim sendo, não vejo como se conseguir o radical corte com o julgamento alheio. Se nos auto-julgamos por tabelas de juízos que nos são impostas pelo exterior, entendo ser completamente descabida de sentido a pretensão de se ser único juiz em causa própria e achar que só esse julgamento será válido, verdadeiro e justo.

Na generalidade partilho da posição do Mestre sobre o poder do julgamento dos outros sobre mim própria. Não vivo por ele nem para ele. No entanto, e lamento profundamente que assim seja, tenho que admitir que não possuo o fardo das divinas omnipotência, omnisciência e omnipresença sobre os ombros. Sou simplesmente humana. Confesso que não encontro qualquer ligação entre os temas debatidos, tanto nos posts referidos do Mestre como neste próprio post, com o conceito que tenho sobre os sentimentos de orgulho e de humildade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

FACEBOOM

Andava eu a bisbilhotar o que faz a malta pelas ruas do Faceboom e deparo com alguém que é amigo de um amigo que enviou um convite à Blimunda para ser sua amiga, embora fosse mentira, porque já o era antes de o ser, (palavras do primeiro e não da segunda) e dou de caras com esta coisa bonita de morrer:

"EU TENHO UM ENORME ORGULHO DE SER MULHER

Página de todas as mulheres que têm orgulho em ser mulheres!A Mulher Activa, Mulher Bonita, Mulher Empreendedora, Mulher Trabalhadora, Mulher Independente, Mulher Empresária, Mulher Mãe, Mulher Esposa, Mulher Amiga, Mulher Desportista, Mulher Sexy, Mulher Criativa, Mulher Interessante, Mulher Corajosa, Mulher Inteligente, Mulher Positiva, Mulher de Sucesso, Mulher Feminina, Mulher Orgulhosa… Mulher MULHER!!!VAMOS JUNTAR NESTA PÁGINA O MAIOR NÚMERO DE MULHERES. Mulheres orgulhosas de serem...
(ler mais) Missão: Homenagear a Mulher!"

Ora bolas! Vá-se lá entender esta gente. Mas afinal o que vem a ser isso do orgulho?
Há quem defenda que Orgulho pode ser um sentimento de satisfação pela capacidade ou realização ou um sentimento elevado de dignidade pessoal. Pode, no entanto, ser o orgulho entendido tanto como uma atitude positiva como negativa dependendo das circunstâncias. Quanto a mim, esse sentimento surge da necessidade que alguém sente de se elogiar a si próprio e quando usado em quantidades excessivas, pode transformar-se em vaidade, ostentação, soberba e arrogância. Geralmente, os orgulhosos servem-se de um tipo de satisfação incondicional, super-estimando os seus próprios valores em detrimento dos dos outros, tornando-se, portanto, egoístas e egocentristas. É, basicamente, a compensação de um sentimento exagerado de insegurança. Quando alguém se sente muito inseguro e tem medo de não ser aceite ou de ser humilhado caso alguém perceba os defeitos que pensa ter, geralmente compensa-se através do orgulho. Este nada mais é do que uma necessidade imensa de mostrar aos outros que tem qualidades, que é melhor que alguém ou melhor que a maioria. Quando o amor-próprio e a auto-estima são reais, o orgulho desaparece, porque não há necessidade de se sobrepor a ninguém para auto-afirmação.
Ora, minhas caras 9.000 e não sei quantas mais fãs do clube “EU TENHO UM ENORME ORGULHO DE SER MULHER”, permitam a esta simplesmente mulher que quando nasceu já o era e, portanto, não contribuiu minimamente para o ser, vos diga que orgulho se pode ter de uma bela pintura que se expôs ou de um bom livro que se escreveu. A não ser que seja disso que se trata, não consigo entender estas mulheres.

Nunca gostei de floreados. Tão cedo não me apanham a laurear por esse mar de enganos, chamado “Faceboom”

segunda-feira, 19 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

King Camp Gillette


— Boa tarde, é a senhora dona Elisiária?
— Eu sou pois atão...
— Trago-lhe a encomenda que pediu, é só assinar aqui, por favor.
— Hã? O meu patrão anda além, na Requeixada, eu não bulo em nada.
— Mas senhora dona Elisiária, permita-me, é só uma oferta com o modelo mais avançado de lâminas femininas.
— Sou lá mulher dessas coisas... Naaah, já tou servida, paguei metade e raparam-me o dobro. A bem dizer. Vossemecê sabe quanto é o dobro de metade?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

PARA MAC COM AMIZADE II

Estaria ela a viver na sombra do seu corpo? Se a alma tem vida própria e o corpo não é senão o esqueleto que disfarça os seus contornos, teria esse corpo o direito de se chamar Mac? Passara o dia a olhar-se ao espelho e não conseguia detectar nenhum sinal dessa alma escondida nos sulcos da pele. Subitamente, assomou-se-lhe ao pensamento o poema de Alfred Tennyson e, com voz tonitruante, declama como se da sua voz dependesse o sucesso de mais meio século de existência.

The Eagle
HE clasps the crag with crooked hands;
Close to the sun in lonely lands,
Ringed with the azure world, he stands.

The wrinkled sea beneath him crawls;
He watches from his mountain walls,
And like a thunderbolt he falls.

A águia sempre desperta e alerta recusa-se a descer a sua montanha e eleva-se, sumptuosamente, em sua legítima altivez, dando grossa caça à desgraça e ao desalento. O derrubamento será sempre calculado e em sereno êxtase descerá os degraus da vida que erigiu e a cada lanço, orgulhosamente, repetirá: tudo isto é meu, tudo isto sou eu, tudo isto existe porque a verdade daqueles que agem como se não houvesse público, sempre me acompanhou.

PARA MAC COM AMIZADE

As pedras são para pôr à varanda a apanhar sol? claro que sim...
E quem não percebe isso, não percebe nada.
Nem pode dar conta de que uma pedra pode dar flor, couve flor, ou transformar-se em ananás cor de mel.
Não há como apagar a beleza de um lugar onde se está, se vive, e tem as horas sempre certas apenas pela inclinação lua.
Hoje, até o vizinho de cima é capaz de se pôr a assobiar ou a fazer bolinhas de sabão. A MAC merece!

terça-feira, 6 de abril de 2010

COMER SUCHI?


Talvez, mas só se for à lagareiro. Ou com molho de escabeche.

sábado, 20 de março de 2010

BASE DE DADOS


Se a escola é uma seca, é só atirar uma cadeira à cabeça do professor. Suspensão garantida por vários dias.

quinta-feira, 18 de março de 2010

WHEN I GET OLDER



Ficar mais velho não é sinónimo de o ser. A velhice não é um estádio qualitativamente diverso de outros surgido numa manhã de nevoeiro. Envelhece-se como se vive e, minha amiga pastora, só podes envelhecer com muita sabedoria já que é dela feita a tua vida. Parabéns por isso.

terça-feira, 16 de março de 2010

MARIAS

Urbana, prima da Arlinda e da Faustina, nunca quis aliviar o luto de há 34 anos e nem o lenço tira da cabeça. Aos domingos encontram-se as três no pátio da eira grande, 0nde, após os tremoços regados a vinho do Porto, mantêm chamuscadas discussões. Arlinda usa calças de malha para aquecer as pernas e a Faustina, agora, que cortou a trança de cabelo e fez uma permanente, só calça sapatinhos finos.

— Vai-te mundo cada vez a pior...

Surdas que nem uma porta, rezam pelas almas. Mabília junta-se a elas, mas, de uma maneira sonegada, põe o mp3 nos ouvidos.

— E réu-réu, quem morreu, morreu...

Antes do Sol se pôr, há mais azeitonas para curtir.

quarta-feira, 3 de março de 2010

BULLYING

Passo os olhos pela página online do Expresso.
-Ministros reúnem no Sábado para aprovar o PEC
-Moura Guedes e Balsemão vão ao Parlamento.
-5200 Pessoas posam nuas numa Ópera de Sydney.
-Oposição quer esclarecimentos de Mário Lino sobre uma qualquer calhandrice.
-Já é possível emprestar uns trocos no Facebook.

Do que procuro nada encontro.
Procuro na do JN
-Secretário-Geral da UGT, João Proença, faz greve em Moçambique
-Dois trabalhadores acamparam no alto de uma grua. A 40 metros do solo, protestam contra a falta de pagamento. A “manif” tem mais de mil seguidores no Facebook.
-O portista Rolando rende Ricardo Carvalho, dado como inapto, no "onze" da selecção para o encontro particular de hoje, quarta-feira, com a China, em Coimbra.
-Uma imagem de videovigilância na Nova Zelândia com uma menina parecida com Madeleine McCann foi hoje, quarta-feira, publicada por vários jornais britânicos…

Procuro a confirmação do que me vieram contar depois de almoço porque não vi as notícias. Nada.
Abro a página da Lusa :
-Foi aberto um processo de averiguações ao caso da criança desaparecida no rio Tua para apurar o que poderá ter ocorrido no recinto da escola antes do sucedido.
Não consigo ler mais do que isto. Pelos vistos, a notícia não vende jornais. Venderá se a família chorar muito e fizer grande alarido à porta da escola. Se fizer greve de fome, ameaçar colocar uma bomba no Ministério da Educação que estimula este tipo de crime, permitindo que ele aconteça. Ao que parece a criança era vitima de uma coisa com o pomposo nome de “bullying”. Para mim tem outra cara – violência dos fortes sobre os fracos. Alegadamente já tinha estado hospitalizado em consequência de episódios de violência. Nos dias que se seguem, o Ministério da Educação abrirá um inquérito mas aquela vida perdida não se encontrará nas páginas desse inquérito. Nem os pais, nem os irmãos encontrarão conforto no que lá se apurar. É antes do facto consumado que temos que abrir e fechar inquéritos. Está na mão de cada um de nós e nós, que temos mãos, nada fazemos. Ou talvez façamos – empurramo-los para a berma desse rio maldito que os espera. Mas amanhã estará tudo bem, porque é dia de catequese e missa e lavaremos a alma e pecados e cuidaremos dos filhos que são nossos e esqueceremos os dos outros.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O PONTAPÉ POR BAIXO DA MESA

Tenho referido várias vezes que quando nada de profícuo se tem a dizer fala muito mais o silêncio que qualquer palavra. Por vezes, essa convicção pessoal esfuma-se e reina, soberana, a parvoíce. O meu último post era – o mata-borrão existe para isso mesmo - prova disso. Um abraço especial à Mac que me deu o pontapé por baixo da mesa.