sexta-feira, 7 de maio de 2010

A SAPHOU É QUE SABE


A banca ainda não está rota, mas já tem uma fuga de óleo queimado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O CÉU VAI CAIR


Depois das declarações do P.M. e do Pedro Passos Coelho, julgo que não há mesmo nada a dizer.

domingo, 25 de abril de 2010

SOBE QUE SOBE

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SEMPRE MESTRE

Apesar de o ser humano ser egoísta por natureza é, de igual monta, o mais dependente dos seus pares. Só se realiza em sociedade.

Não têm sido poucas as vezes em que o Mestre manifesta desprezo pelas eventuais avaliações que de si possam fazer os outros. Ora, no meu humilde a roçar o orgulhoso entendimento, esta é uma forma falaciosa de contornar a desprezível dependência que todos nós sentimos da avaliação alheia.
Recordo um outro post seu (quem somos nós sem esse pilar de sabedoria que nos alenta o caminho?) nascido, do mesmo modo, da atribuição de um qualquer prémio, em que desfere duros ataques aos seus comentadores, atestando a sua total indiferença e desprezo pelo que pensam os outros da sua escrita. Na altura discordei, alegando que a sua escrita só existe porque alguém a lê e a comenta, caso contrário não existe, é nula. Fazendo os devidos paralelismos, entendo que a auto-suficiência da sua auto-avaliação é fraudulenta já que a segunda não é válida senão por oposição ao conceito geral da avaliação pública e exógena. No momento em que o Mestre radicaliza a máxima sofista de que o homem é a medida de todas as coisas, reclamando-a si mesmo, entra em total contradição com a natureza humana e, por conseguinte, consigo próprio. Em que códigos se procuram os valores para a avaliação, seja ela endógena ou exógena? Avaliamo-nos sempre por comparação, seja connosco mesmos seja com os outros. O sucesso ou insucesso é determinado por uma tabela de valores que nos foi imposta extrinsecamente e que se aplica e regulamenta os nossos comportamentos da mesma forma que se aplica e regulamenta os dos outros. Para ajuizarmos sobre determinado valor pessoal, fazemo-lo transpondo esse valor para o outro e calculando o que o outro ajuizaria sobre o mesmo valor. A auto-estima nasce da consciência que temos das nossas potencialidades por oposição ao conceito geral que nos é incutido pelos outros, através de avaliações e comparações externas. Ora, assim sendo, não vejo como se conseguir o radical corte com o julgamento alheio. Se nos auto-julgamos por tabelas de juízos que nos são impostas pelo exterior, entendo ser completamente descabida de sentido a pretensão de se ser único juiz em causa própria e achar que só esse julgamento será válido, verdadeiro e justo.

Na generalidade partilho da posição do Mestre sobre o poder do julgamento dos outros sobre mim própria. Não vivo por ele nem para ele. No entanto, e lamento profundamente que assim seja, tenho que admitir que não possuo o fardo das divinas omnipotência, omnisciência e omnipresença sobre os ombros. Sou simplesmente humana. Confesso que não encontro qualquer ligação entre os temas debatidos, tanto nos posts referidos do Mestre como neste próprio post, com o conceito que tenho sobre os sentimentos de orgulho e de humildade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

FACEBOOM

Andava eu a bisbilhotar o que faz a malta pelas ruas do Faceboom e deparo com alguém que é amigo de um amigo que enviou um convite à Blimunda para ser sua amiga, embora fosse mentira, porque já o era antes de o ser, (palavras do primeiro e não da segunda) e dou de caras com esta coisa bonita de morrer:

"EU TENHO UM ENORME ORGULHO DE SER MULHER

Página de todas as mulheres que têm orgulho em ser mulheres!A Mulher Activa, Mulher Bonita, Mulher Empreendedora, Mulher Trabalhadora, Mulher Independente, Mulher Empresária, Mulher Mãe, Mulher Esposa, Mulher Amiga, Mulher Desportista, Mulher Sexy, Mulher Criativa, Mulher Interessante, Mulher Corajosa, Mulher Inteligente, Mulher Positiva, Mulher de Sucesso, Mulher Feminina, Mulher Orgulhosa… Mulher MULHER!!!VAMOS JUNTAR NESTA PÁGINA O MAIOR NÚMERO DE MULHERES. Mulheres orgulhosas de serem...
(ler mais) Missão: Homenagear a Mulher!"

Ora bolas! Vá-se lá entender esta gente. Mas afinal o que vem a ser isso do orgulho?
Há quem defenda que Orgulho pode ser um sentimento de satisfação pela capacidade ou realização ou um sentimento elevado de dignidade pessoal. Pode, no entanto, ser o orgulho entendido tanto como uma atitude positiva como negativa dependendo das circunstâncias. Quanto a mim, esse sentimento surge da necessidade que alguém sente de se elogiar a si próprio e quando usado em quantidades excessivas, pode transformar-se em vaidade, ostentação, soberba e arrogância. Geralmente, os orgulhosos servem-se de um tipo de satisfação incondicional, super-estimando os seus próprios valores em detrimento dos dos outros, tornando-se, portanto, egoístas e egocentristas. É, basicamente, a compensação de um sentimento exagerado de insegurança. Quando alguém se sente muito inseguro e tem medo de não ser aceite ou de ser humilhado caso alguém perceba os defeitos que pensa ter, geralmente compensa-se através do orgulho. Este nada mais é do que uma necessidade imensa de mostrar aos outros que tem qualidades, que é melhor que alguém ou melhor que a maioria. Quando o amor-próprio e a auto-estima são reais, o orgulho desaparece, porque não há necessidade de se sobrepor a ninguém para auto-afirmação.
Ora, minhas caras 9.000 e não sei quantas mais fãs do clube “EU TENHO UM ENORME ORGULHO DE SER MULHER”, permitam a esta simplesmente mulher que quando nasceu já o era e, portanto, não contribuiu minimamente para o ser, vos diga que orgulho se pode ter de uma bela pintura que se expôs ou de um bom livro que se escreveu. A não ser que seja disso que se trata, não consigo entender estas mulheres.

Nunca gostei de floreados. Tão cedo não me apanham a laurear por esse mar de enganos, chamado “Faceboom”

segunda-feira, 19 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

King Camp Gillette


— Boa tarde, é a senhora dona Elisiária?
— Eu sou pois atão...
— Trago-lhe a encomenda que pediu, é só assinar aqui, por favor.
— Hã? O meu patrão anda além, na Requeixada, eu não bulo em nada.
— Mas senhora dona Elisiária, permita-me, é só uma oferta com o modelo mais avançado de lâminas femininas.
— Sou lá mulher dessas coisas... Naaah, já tou servida, paguei metade e raparam-me o dobro. A bem dizer. Vossemecê sabe quanto é o dobro de metade?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

PARA MAC COM AMIZADE II

Estaria ela a viver na sombra do seu corpo? Se a alma tem vida própria e o corpo não é senão o esqueleto que disfarça os seus contornos, teria esse corpo o direito de se chamar Mac? Passara o dia a olhar-se ao espelho e não conseguia detectar nenhum sinal dessa alma escondida nos sulcos da pele. Subitamente, assomou-se-lhe ao pensamento o poema de Alfred Tennyson e, com voz tonitruante, declama como se da sua voz dependesse o sucesso de mais meio século de existência.

The Eagle
HE clasps the crag with crooked hands;
Close to the sun in lonely lands,
Ringed with the azure world, he stands.

The wrinkled sea beneath him crawls;
He watches from his mountain walls,
And like a thunderbolt he falls.

A águia sempre desperta e alerta recusa-se a descer a sua montanha e eleva-se, sumptuosamente, em sua legítima altivez, dando grossa caça à desgraça e ao desalento. O derrubamento será sempre calculado e em sereno êxtase descerá os degraus da vida que erigiu e a cada lanço, orgulhosamente, repetirá: tudo isto é meu, tudo isto sou eu, tudo isto existe porque a verdade daqueles que agem como se não houvesse público, sempre me acompanhou.

PARA MAC COM AMIZADE

As pedras são para pôr à varanda a apanhar sol? claro que sim...
E quem não percebe isso, não percebe nada.
Nem pode dar conta de que uma pedra pode dar flor, couve flor, ou transformar-se em ananás cor de mel.
Não há como apagar a beleza de um lugar onde se está, se vive, e tem as horas sempre certas apenas pela inclinação lua.
Hoje, até o vizinho de cima é capaz de se pôr a assobiar ou a fazer bolinhas de sabão. A MAC merece!

terça-feira, 6 de abril de 2010

COMER SUCHI?


Talvez, mas só se for à lagareiro. Ou com molho de escabeche.

sábado, 20 de março de 2010

BASE DE DADOS


Se a escola é uma seca, é só atirar uma cadeira à cabeça do professor. Suspensão garantida por vários dias.

quinta-feira, 18 de março de 2010

WHEN I GET OLDER



Ficar mais velho não é sinónimo de o ser. A velhice não é um estádio qualitativamente diverso de outros surgido numa manhã de nevoeiro. Envelhece-se como se vive e, minha amiga pastora, só podes envelhecer com muita sabedoria já que é dela feita a tua vida. Parabéns por isso.

terça-feira, 16 de março de 2010

MARIAS

Urbana, prima da Arlinda e da Faustina, nunca quis aliviar o luto de há 34 anos e nem o lenço tira da cabeça. Aos domingos encontram-se as três no pátio da eira grande, 0nde, após os tremoços regados a vinho do Porto, mantêm chamuscadas discussões. Arlinda usa calças de malha para aquecer as pernas e a Faustina, agora, que cortou a trança de cabelo e fez uma permanente, só calça sapatinhos finos.

— Vai-te mundo cada vez a pior...

Surdas que nem uma porta, rezam pelas almas. Mabília junta-se a elas, mas, de uma maneira sonegada, põe o mp3 nos ouvidos.

— E réu-réu, quem morreu, morreu...

Antes do Sol se pôr, há mais azeitonas para curtir.

quarta-feira, 3 de março de 2010

BULLYING

Passo os olhos pela página online do Expresso.
-Ministros reúnem no Sábado para aprovar o PEC
-Moura Guedes e Balsemão vão ao Parlamento.
-5200 Pessoas posam nuas numa Ópera de Sydney.
-Oposição quer esclarecimentos de Mário Lino sobre uma qualquer calhandrice.
-Já é possível emprestar uns trocos no Facebook.

Do que procuro nada encontro.
Procuro na do JN
-Secretário-Geral da UGT, João Proença, faz greve em Moçambique
-Dois trabalhadores acamparam no alto de uma grua. A 40 metros do solo, protestam contra a falta de pagamento. A “manif” tem mais de mil seguidores no Facebook.
-O portista Rolando rende Ricardo Carvalho, dado como inapto, no "onze" da selecção para o encontro particular de hoje, quarta-feira, com a China, em Coimbra.
-Uma imagem de videovigilância na Nova Zelândia com uma menina parecida com Madeleine McCann foi hoje, quarta-feira, publicada por vários jornais britânicos…

Procuro a confirmação do que me vieram contar depois de almoço porque não vi as notícias. Nada.
Abro a página da Lusa :
-Foi aberto um processo de averiguações ao caso da criança desaparecida no rio Tua para apurar o que poderá ter ocorrido no recinto da escola antes do sucedido.
Não consigo ler mais do que isto. Pelos vistos, a notícia não vende jornais. Venderá se a família chorar muito e fizer grande alarido à porta da escola. Se fizer greve de fome, ameaçar colocar uma bomba no Ministério da Educação que estimula este tipo de crime, permitindo que ele aconteça. Ao que parece a criança era vitima de uma coisa com o pomposo nome de “bullying”. Para mim tem outra cara – violência dos fortes sobre os fracos. Alegadamente já tinha estado hospitalizado em consequência de episódios de violência. Nos dias que se seguem, o Ministério da Educação abrirá um inquérito mas aquela vida perdida não se encontrará nas páginas desse inquérito. Nem os pais, nem os irmãos encontrarão conforto no que lá se apurar. É antes do facto consumado que temos que abrir e fechar inquéritos. Está na mão de cada um de nós e nós, que temos mãos, nada fazemos. Ou talvez façamos – empurramo-los para a berma desse rio maldito que os espera. Mas amanhã estará tudo bem, porque é dia de catequese e missa e lavaremos a alma e pecados e cuidaremos dos filhos que são nossos e esqueceremos os dos outros.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O PONTAPÉ POR BAIXO DA MESA

Tenho referido várias vezes que quando nada de profícuo se tem a dizer fala muito mais o silêncio que qualquer palavra. Por vezes, essa convicção pessoal esfuma-se e reina, soberana, a parvoíce. O meu último post era – o mata-borrão existe para isso mesmo - prova disso. Um abraço especial à Mac que me deu o pontapé por baixo da mesa.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

É GERAL?

Quem é que disse que este mundo não é da pior filhadaputice possível?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NÃO SEI

Não queria confessar o meu apedeutismo, no entanto, não consigo achar resposta para esta questão: Para além da bandeira a meia haste, em que consiste o luto nacional?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ESTÁ TUDO DOIDO OU QUÊ?

Será de mim ou a onda generalizou-se e os alucinados chegam a eito? Então e esta Maria Madalena arrependida precisa de cinco meses para se aperceber e denunciar a tal alegada “promiscuidade” da campanha na qual esteve inserido e foi cúmplice. Ou será que, afinal, bem vistas as coisas, não se trata de uma Maria Madalena mas sim de mais uma Maria Vai-Com-As-Outras.

Eu cá juro, seja ceguinha, que não uso os meios governamentais para difundir as minhas ideias e que tudo o que escrevo, para o bem ou para o mal, sai desta carola desgovernada. Só me resta o aviso- Cuidado bloguistas! Eles andam aí!!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A CLASSE CEPHALOPODA

Esta “coisa” que se tem passado nos últimos dias com a comunicação social faz-me lembrar as notícias sobre a violência doméstica. Dizem os números que, de há um par de anos para cá, aumentou drasticamente. Ora, todos sabemos que, afinal, o que aumentou foi o registo das denúncias. O mesmo se passa com todo este alarido que se tem feito em volta das alegadas pressões para total controlo da liberdade de expressão ou, para que ninguém se encha de pruridos fazendo a devida destrinça, da comunicação.

Confesso que qualquer tipo de folclore me causa fortes crises de urticária, embora reconheça a necessidade e o valor da representação e registo cultural de todos os povos. Estas vozes que agora se fazem, copiosamente, ouvir, com repetidos sons agudos e lancinantes aos ouvidos dos que os têm já tão cheios de pungentes estridências desgovernadas, prenhas de uma gravidez psicológica predestinada a parir ventos de tudo menos de mudança, provocam-me surdez profunda e severa.

Desde quando a liberdade de expressão e/ou comunicação é sinónimo de divulgação da verdade? Quem, na posse das suas plenas faculdades cognitivas, pode afirmar-se bem informado, aquando da pluralidade de informação. É do mais primário engano que se trata. Quanto maior é a informação, menor é o conhecimento. Somos hiroshimamente bombardeados com verdades de uns fundamentadas nas mentiras de outros e nagasakimamente canhoneados com mentiras de outros alicerçadas nas verdades de uns.

O que me intriga não é a onda de indignação que por aí se fecunda como coelhos, consequência da proclamada isenta liberdade de investigação, sabe-se lá por que insondados meios e com que éticos procedimentos da, até à data, dita livre comunicação social. O que me intriga é tão-somente a capacidade que o povo tem de se deixar arrastar para as correntes que a mesma faz fluir. Ninguém se questiona sobre os reais motivos de uns e outros. É letra de lei o que se escreve e ninguém quer ler para além do que se lê. Eles são aos molhos os desditosos arrasados, erradicados das suas próprias casas ou crónicas, devido aos caprichos de um tirano chefe, cujo entendimento editorial não se cruza com o caminho da publicação de textos cujo conteúdo sofre da ausência do princípio do contraditório. E vai daí, demitem-se de beiça feita, da casa que é sua por direito de usucapião em vez de ficarem e continuar a usar da argamassa, e depois dizem-se os coitadinhos despejados do seu próprio tecto. E choram-se rios de tinta, mares de angústias antecipadas, roubadas ao futuro como quem rouba o apocalipse que há-de vir.

Entretanto, como quem não quer a coisa e até que outro iluminado e atento representante da tão apregoada liberdade de expressão e/ou comunicação se lembre de borrifar todas as páginas da sagrada Comunicação Social com mais uma informação livre e isenta e, por isso, verdadeira, ninguém se debruça sobre o facto de um qualquer administrador de empresa pública precisar de renunciar, dizem eles que eu não faço a mínima sobre os meandros em que se verifica tal renúncia, ao cargo de administrador executivo da mesma empresa, para poder preparar a sua defesa sem quaisquer constrangimentos e para que a sua presença nos órgãos sociais da PT não pudesse servir para lesar a imagem e a reputação do grupo e nunca, obviamente, por ter sido protagonista de conduta menos adequada aos requisitos do cargo que ocupa. De somenos importância terá saber quais as contrapartidas financeiras auferidas, ou a auferir por tal administrador com a sua saída da empresa pública e a falta de comentários dos seus chefes hierárquicos com a descabida afirmação de que a empresa nunca comentou ou transmitiu fora da sede própria – que é a divulgação de informação ao mercado – as condições de remuneração dos seus órgãos sociais, não fazendo qualquer sentido que abra uma excepção no presente caso. Até porque, a bem da verdade se deve sempre sublinhar o empenho e profissionalismo com que o auto-ou-nem-por-isso demitido administrador exerceu todas as funções que lhe foram atribuídas no seio do seu remunerador grupo empresarial.

E vêm-me radiosos Sete-Sóis e iluminadas Sete-Luas apontar o dedo à indubitável e inconfundível cova do polvo? Quem, em seu juízo perfeito, é que é capaz de afirmar que o bichinho vive em cova certa? Esse triste e odiado cefalópode que nem tentáculos tem, mas apenas uns míseros oito bracinhos com os quais procura o seu alimento, sabe Deus coitadinho, valendo-se apenas do seu especializado bracito hectocótilo para quando sentir ganas de fecundar alguém. A lula e o choco sim, esses malfadados cefalópodes, não se contentando com os mesmos oito braços, contam ainda com dois pujantes tentáculos com os quais travam verdadeiras guerras espermatófitas, capturam cruelmente as suas presas e fazem delas o que bem lhes apetece.
Já não há pachora para estas proliferantes classes de cephalophodas.