sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

OS BIO-PONHONHOS DO PLANETA

Há quem tenha dito lá no já apelidado Titanic do Fracasso ou Cimeira de Copenhaga, que a Europa está perfeitamente unida e que a África se junta a nós. Não quero admitir que aquele “nós” queira significar “França-e-Alemanha” ou, talvez, “França-e-França”, sei lá! Com um pouco de boa vontade quererá dizer mesmo só Europa. Disse, ainda, o orador que os Estados Unidos, presumo, também, que da América, têm uma posição próxima à nossa. Isto, evidentemente depois da novel declaração de que mais vale um “acordo-imperfeito” do que um “não-acordo”. A proximidade deve estar algures por esses lados, mais coisa menos coisa. Nesta onda de presunção a que somos abandonados, julgo não podermos, obviamente, deixar de presumir que, depois de tanta difusão à nulidade dos eventuais resultados a advir daquele faraónico encontro de titãs, o real ganho vá ser senão uma amálgama escatológica, ininteligível tanto para aqueles que o levaram a cabo - os Bio-Ponhonhós do Planeta, como pelos que o financiaram - os restantes.
Agora fora de brincadeiras, digam lá que, tirando a altura das casas e os mastros dos barcos, aquela foto não é uma verdadeira montagem das marginais da ria de Aveiro do Rossio com a Costa Nova.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

UNO ILLUMINATUS, PREGHO!

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Alguém que nos ajude a decifrar este código secreto e assim nos possamos precaver contra a queda em mãos sabe-se lá de que ordens internacionais.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O PRODUTO

O pioneiro dos estandartes nas varandas e janelas, inspirado pela Nossa Senhora do Caravaggio, santa de adoração dos descendentes italianos no sul do Brasil, moveu ânimos e vontades e conseguiu que muitos portugueses comprassem a bandeira de Portugal, fazendo dela símbolo de um incompreensível e desmedido orgulho nacional, tendo em consideração o motivo desse orgulho, que excedeu todas as expectativas. Há quem sustente a ideia de que Felipão, utilizando a sua fé, motivou e aproximou os seus jogadores. Terá sido essa fé e as preces de Figo que levaram Beckham a escorregar e assim falhar, decisivamente, um penaltie durante o jogo Portugal – Inglaterra em 2004.

Passados que são 5 anos, eis que a moda da bandeirinha está de volta, desta feita pela mão de promotores do Opiáceo Segundo-Comandante na hierarquia dos alucinogénios de top – a religião.

São já mais de 20.000 bandeirolas - gabam-se os promotores da iniciativa que, em sua voz, nenhum outro objectivo tem senão o feroz combate aos Pais-Natal que se podem avistar de castigo, pendurados por tudo o que seja varanda ou chaminé, e ao diabólico consumismo no qual se transformou o espírito de Natal dos últimos tempos.

Meus queridos irmãos na fé, em linguagem de gestão e de marketing foi criado e oferecido um produto para o qual havia procura e quando isso acontece, é natural que haja sucesso na divulgação e na venda, ainda que o tal “produto” custe a simbólica quantia de 15€. Mas atentai, meus irmãos, nada disto tem que ver com consumismo. Isto não se trata de consumismo, é um valor simbólico face à grandeza da acção. Vamos derrubar o Pai Natal que é mau e dá prendas caras aos meninos. Compremos todos A Bandeira da moda e vistamos o país com a angélica face do Menino Jesus.

Resta-me dizer que parece ter esta moda sido importada de Espanha, onde já é hábito ver-se o tal menino pendurado, rivalizando com o Pai Natal. Confirma-se o ditado: de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O CHUCHADEIRA PONHONHÓ

Em mercê ao nosso amigo RPS, que é o senhor que nos dá música à Sexta-Feira em casa dos Universais, e, porque apreciei o seu empenho em esclarecer achada dúvida, numa casa acidental com ideias acidentais, sobre o que seria, em seu parecer, um blogue de gaja, deixo este exemplo ilustrado daquilo que é o meu entendimento sobre o que possa ser uma chuchadeira ponhonhó ou um ponhonhó chuchadeira.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

BALELAS? PERGUNTEM A QUEM SABE



DD, desta ainda te safaste!

PPP-Palhaços Parlamentares Permanentes

Os nossos políticos andam cada vez mais preocupados com a tineta misantropa a que os portugueses se têm vindo a abandonar. Como competentes e dignos faróis iluminados no breu do abismo em que nos mergulharam, encetam descomunais esforços próprios e alheios na busca capaz de nos soerguerem e lavarem a alma com o eficiente detergente de todas as nódoas e sujidade - o Riso.

Ora, a Doutora MJNP não sabe, não que saber, ou não lhe dá expressivo jeito saber, que o móbil dessa reacção involuntária que é o riso provocado por supostas piadas ou recursos humorísticos, deve-se de sobremaneira à auto-presunção ou eventual cegueira que evidenciou, afirmando que é a primeira vez que vê, e passo a citar, um palhaço permanente numa comissão parlamentar.

E pergunto eu: que tem feito esta Senhora durante todo o tempo em que veraneia pelos corredores do poder político, que não tem visto um boi à frente dos olhos?

domingo, 6 de dezembro de 2009

SERÁ CHUVA?' SERÁ GENTE?

Madre Pérola vigia com binóculos o recreio e fuma para acalmar os nervos.

GENTE NÃO É CERTAMENTE

Poema para ser lido com entoação hi-fi

Dois postes
Quatro beiras
Três eees

E A CHUVA NÃO BATE ASSIM

Sicrana ameaça Fulana que faz e acontece, mas a outra fica na dela e nem tu nem eu.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PRIVADA, NÃO TE DIGO NADA, MAS...

O mp3 espetado na almofada não deixa a cabeça sossegar. Já nem adianta desligar os ouvidos porque a voz cavernosa não tem off e quanto mais é atirada janela fora, mais ela se aguça no seu lenço atado ao queixo e mostra o piercing da sobrancelha. 3 pontos foi o que foi, a telha quase lhe acertou em cheio, diabo do gato, muito gosta de andar em cima dos pináculos.

DA DERROTA

De derrota em derrota até à derrota final. Assim assistimos, embasbacados, ainda que esperneando e rabujando, mas não mais do que isso por não sabermos fazer diferente, ao descalabro a que nos levam os senhores actuais da nossa guerra. Assistimos aos seus percursos, sem táctica nas estratégias percorrendo os mais morosos caminhos que poderiam calcorrear em busca de vitórias que desconhecem o destinatário. Sem estratégias sustentando a táctica, não fazendo senão ruído antes da derrota. A hora é sempre certeira nos seus sessenta minutos e o Fundo Monetário Internacional anuncia o fim da recessão para o próximo ano, com uma expansão de 3,1% da economia mundial. Outros afirmam que, apesar de a crise financeira ter, provavelmente, acabado, a crise económica agravar-se-á cada vez mais, sendo que se prevê uma terceira crise, desta feita que se tem ocultado por detrás dos dois primeiros grandes papões - a crise da competitividade. Como se esta fosse virgem e nunca se tivesse deixado beliscar nas suas intimidades. Devem querer que a seguir venha a crise da lucidez, porque não há santo que os entenda e aguente. Sustenta-se que o mundo dopou a economia internacional com dinheiro barato e negligenciou na adopção de medidas institucionais. Prevêem-se catástrofes de destruição maciça para o país a ocorrer nos próximos anos. Os talibãs atafulham o oriente de renovados mísseis e multiplicam bombas a repartir por homens, mulheres e crianças que não saberão na morte, o mártir que mata do mártir que morre. A dimensão das desigualdades na distribuição da riqueza em todo o mundo atinge, a cada dia que passa, proporções chocantes, indizíveis de tão vergonhosas. Não se vislumbram planícies de verdura, vales refrescantes nem montanhas de coragem para os filhos de hoje e, ainda assim, continuamos a fazê-los, deixando para amanhã o desassossego que se impunha tivéssemos tido ontem.

E enquanto o mundo pula e recua, de derrota em derrota até à derrota final, os nossos governantes e deputados, empregam o tempo, gastam horas, preenchem metros de folhas de papel, ocupam teras em suportes magnéticos, discutindo a semântica desta ou daquela expressão linguística, utilizada por este ou aquele indivíduo, com maior ou menor propriedade para tal, o sexo dos anjos - diga-se. E, assim, se ocupam e ocupam o povo, como se fosse vital ou fatal essa expressão, em lugar de cuidar da alteração do certeiro percurso desta batalha teimosamente vitoriosa e que, de derrota em derrota, cedo ou tarde, extinguir-nos-á com a derrota final.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FUNES SEM NOBEL DA PAZ


Obama salvou um peru no dia de Acção de Graças. O Funes nunca salvará um atum, nem mesmo que seja em lata. E muito menos em dia de Natal.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

EDITE THE STAR

Parece que que o Parlamento Europeu aprovou esta quinta-feira em Estrasburgo, por esmagadora maioria, uma resolução promovida pela eurodeputada portuguesa Edite Estrela defendendo a proibição total de fumar em espaços públicos fechados e em toda a União Europeia.

Se a senhora dá em promover uma resolução que obrigue a dizer purtinha em vez de portinha e coeilho em vez de coelho, estamos feitos ao bife.

HEMISFERIO NORTE

Piso a palavra em quadrados da escrita
Piso de raiva os sonhos caídos da puta da vida
Piso o vómito na entrada do bar
Piso as sombras
Piso a rima mais a beata devota
Piso os sistemas capitalistas
Piso o plágio
Piso o G20
Piso a pena de morte
Piso a escória do fútil

Excelente! Digna de ser publicada em Diário da República, esta rebelião enQUADRADA de Hemisfério Norte.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

UMA TEIA MOLHADA


Para quem tem a cabeça rapada
Para quem perde o fio e meada
Para quem fala de boca tapada
Para quem tem uma árvore cansada
Para quem olha e não vê nada

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SONS ETERNOS



A 7 de Janeiro de 1982, estreava a série “Fame”. Foram muitos os meses de emoções fortes, de quimeras sonhadas para além do imaginável, do inatingível.
*****
Fame
I'm gonna live forever
I'm gonna learn how to fly High
I feel it coming together
People will see me and cry
Fame
I'm gonna make it to heaven
Light up the sky like a flame
Fame
I'm gonna live forever
Baby remember my name
*****
Passados 27 anos vibro com a mesma intensidade ou, talvez, de forma ainda mais irreverente e incontrolável, ao som dos acordes desta “Fame” renovada com vestes dos tempos modernos.
Sempre soube que existem sons que duram vidas inteiras.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PARA O ”NOSSO” BORGEANO



Nadie rebaje a lágrima o reproche
esta declaración de la maestría
de Dios, que con magnífica ironía
me dio a la vez los libros y la noche.

De esta ciudad de libros hizo dueños
a unos ojos sin luz, que sólo pueden
leer en las bibliotecas de los sueños
los insensatos párrafos que ceden

las albas a su afán. En vano el día
les prodiga sus libros infinitos,
arduos como los arduos manuscritos
que perecieron en Alejandría.

De hambre y de sed (narra una historia griega)
muere un rey entre fuentes y jardines;
yo fatigo sin rumbo los confines
de esta alta y honda biblioteca ciega.

Enciclopedias, atlas, el Oriente
y el Occidente, siglos, dinastías,
símbolos, cosmos y cosmogonías
brindan los muros, pero inútilmente.

Lento en mi sombra, la penumbra hueca
exploro con el báculo indeciso,
yo, que me figuraba el Paraíso
bajo la especie de una biblioteca.

Algo, que ciertamente no se nombra
con la palabra azar, rige estas cosas;
otro ya recibió en otras borrosas
tardes los muchos libros y la sombra.

Al errar por las lentas galerías
suelo sentir con vago horror sagrado
que soy el otro, el muerto, que habrá dado
los mismos pasos en los mismos días.

¿Cuál de los dos escribe este poema
de un yo plural y de una sola sombra?
¿Qué importa la palabra que me nombra
si es indiviso y uno el anatema?

Groussac o Borges, miro este querido
mundo que se deforma y que se apaga
en una pálida ceniza vaga
que se parece al sueño y al olvido.





Jorge Luis Borges

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tratado sobre Nietzsche

Bate com as botas no chão com grande estrondo, tenta que as pulgas saltem todas para fora e façam o espectáculo tantas vezes ensaiado. Mas já ninguém faz caso daquelas sandices, é o costume, uns bagaços logo pela manhã resultam sempre no mesmo número de ilusionismo.

— Reparem, hoje vou faiscar pirilampos!

No entanto, como é de dia, as palavras apagam-se. Que tragédia, já não se ganha nem para o tabaco.