De derrota em derrota até à derrota final. Assim assistimos, embasbacados, ainda que esperneando e rabujando, mas não mais do que isso por não sabermos fazer diferente, ao descalabro a que nos levam os senhores actuais da nossa guerra. Assistimos aos seus percursos, sem táctica nas estratégias percorrendo os mais morosos caminhos que poderiam calcorrear em busca de vitórias que desconhecem o destinatário. Sem estratégias sustentando a táctica, não fazendo senão ruído antes da derrota. A hora é sempre certeira nos seus sessenta minutos e o Fundo Monetário Internacional anuncia o fim da recessão para o próximo ano, com uma expansão de 3,1% da economia mundial. Outros afirmam que, apesar de a crise financeira ter, provavelmente, acabado, a crise económica agravar-se-á cada vez mais, sendo que se prevê uma terceira crise, desta feita que se tem ocultado por detrás dos dois primeiros grandes papões - a crise da competitividade. Como se esta fosse virgem e nunca se tivesse deixado beliscar nas suas intimidades. Devem querer que a seguir venha a crise da lucidez, porque não há santo que os entenda e aguente. Sustenta-se que o mundo dopou a economia internacional com dinheiro barato e negligenciou na adopção de medidas institucionais. Prevêem-se catástrofes de destruição maciça para o país a ocorrer nos próximos anos. Os talibãs atafulham o oriente de renovados mísseis e multiplicam bombas a repartir por homens, mulheres e crianças que não saberão na morte, o mártir que mata do mártir que morre. A dimensão das desigualdades na distribuição da riqueza em todo o mundo atinge, a cada dia que passa, proporções chocantes, indizíveis de tão vergonhosas. Não se vislumbram planícies de verdura, vales refrescantes nem montanhas de coragem para os filhos de hoje e, ainda assim, continuamos a fazê-los, deixando para amanhã o desassossego que se impunha tivéssemos tido ontem.
E enquanto o mundo pula e recua, de derrota em derrota até à derrota final, os nossos governantes e deputados, empregam o tempo, gastam horas, preenchem metros de folhas de papel, ocupam teras em suportes magnéticos, discutindo a semântica desta ou daquela expressão linguística, utilizada por este ou aquele indivíduo, com maior ou menor propriedade para tal, o sexo dos anjos - diga-se. E, assim, se ocupam e ocupam o povo, como se fosse vital ou fatal essa expressão, em lugar de cuidar da alteração do certeiro percurso desta batalha teimosamente vitoriosa e que, de derrota em derrota, cedo ou tarde, extinguir-nos-á com a derrota final.