terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PEQUENAS DIFERENÇAS



Há geografias muito complicadas, por isso, tudo o que é longe fica em casco de rolha. Mas uma coisa parece certa, é que por enquanto o Dakar situa-se no deserto da Patagónia. E não me mandem abaixo de Braga porque a culpa não é minha.

sábado, 27 de dezembro de 2008

YESTERDAY

Qual a década que estamos a viver? pergunta-se Carlota enquanto espera o sinal verde dos peões. O número 6236 persegue-a há várias noites consecutivas e agora não dá mais para hesitar. Será o bilhete premiado na lotaria de fim de ano! Mas a luz verde demora a abria e o cauteleiro, do outro lado da rua, perdeu-se no meio da multidão. Num impulso imprudente, Carlota corre por uma aberta de trânsito, mas a distância é mal calculada. Duas horas depois, a etiqueta número 6236 estará atada ao dedo grande do pé.
Carlota não chegou a esclarecer a sua dúvida e os amigos apenas sabem que ela era fascinada pelos míticos anos sessenta dos Beatles.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

FIQUEM BEM!

Nada tenho contra a tradição e não desgosto de festas que promovem o calor humano e que, quanto mais não seja embora talvez a custo, ajudam as pessoas a lembrar que, afinal, o universo não se resume à individualidade de cada um.

Do que não gosto nem suporto é de palavras de circunstância, palavras vazias de sentido, palavras que são ditas porque são de ser. Palavras que à semelhança dos ritos, se sobrepõem ao verdadeiro espírito da ocasião. Desprezo palavras de pesar ou pêsames, palavras de encorajamento, palavras de felicitações, palavras de votos, palavras que atestam falsos sentimentos.

As pessoas que me conhecem e que gostam de mim sabem, sem que tenha que o atestar com expressão, que desejo o melhor a todas as pessoas, agora e em qualquer hora, seja Natal ou Carnaval. Desejo tudo de bom às que me respeitam e que me elevam aos píncaros da auto-estima assim como a aquelas que tentam humilhar-me pela exibição da única faculdade que lhes dá esse direito - o poder de poder determinar o saldo da minha conta bancária - às que me julgam enorme e às que se acham enormes e com autoridade moral para julgar a minha própria moralidade. Não sinto qualquer necessidade de exprimir estes meus desejos a ninguém em especial nem em qualquer especial ocasião, assim como não sinto de os receber. São, portanto, valores e desejos intemporais e universais. Fiquem bem!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

UMA PORTA ENTREABERTA


Hoje, o dia adiado que há-de vir...

As palavras nunca dizem o que querem dizer
E é tramado não ter mais do que as palavras
Para pôr na mesa, para jogar com a vida na boca.

A verdade é tão frágil, tão louca!

É mais fácil fechar os olhos
Para nos olharmos de frente,
E mesmo assim vale a pena o abraço...

Agora só nos falta viver o que vivemos,
É que afinal já temos tudo...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

COM LAÇO NO TELHADO

A Câmara de Lisboa tem à venda não sei quantos palácios e com preços de saldo! Aqui fica a sugestão para quem ainda não fez as compras de Natal. Não sei é se fazem entregas ao domicílio...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

TOCAM OS SINOS!



Mais enjoativas do que os doces de Natal são as campanhas de solidariedade que se acumulam nesta época.
Porém, a atitude mais ignóbil é o aproveitamento camuflado, são os engodos muito bem montados para nos sacar pela lágrima, e em simultâneo, pela moeda.
De destacar os programas televisivos que, sem nenhum pejo, usam elaborados ardis para nos endrominar. O Natal é o mote para a pratica de boas acções, sendo que o número telefónico 760 é a causa de todas as causas. Passado no rodapé como se nada fosse... Tão acessível às nossas carteiras, apenas 60 cêntimos + IVA, 50 dos quais revertem directamente para a causa em causa. (Então e o resto, incluindo o IVA, vai para onde? Não interessa.).
Para que não haja duvidas, faz-se, por exemplo, a reportagem com as cadeiras de rodas e andarilhos entregues aos idosos. Ah, muito bem!
Ajuda-se assim o Estado e demitir-se das suas verdadeiras funções. Coitado do Estado, tem bancos para salvar, não pode desperdiçar recursos em bagatelas...

ATÉ JÁ

Quando o trabalho aperta e o sentido de inexorabilidade desperta apercebemo-nos que apesar do tempo ser o que dele fazemos e que, por mais que disso tenhamos vontade, não volta atrás. A verdade é que há urgências que não podem, não devem, ser deixadas ao abandono e à mercê do toque implacável do tiquetaque. Vou estando à espreita, esgueirando os olhares que a odiosa responsabilidade, essa enfadonha fada dos seres imputáveis, me permitir.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ECOLOGIA A QUANTO OBRIGAS


"Pardon”, uma marca de roupa oferece aos seus clientes, desde o início de Dezembro, um saco em que se pode ver a primeira-dama francesa nua."Práticos, divertidos e ecológicos, estes sacos, servem para tudo. Podem ser usados para ir à praia ou ir às compras. Resumindo, dão para tudo o que quisermos", afirma a empresa no seu site. Eu era menina para acrescentar que dão ainda para aquilo que os meninos estão, neste preciso momento, a cogitar. Ora nem mais! É que serve para isso mesmo! Digam lá que, multiplicando pelos milhões de adolescentes e solitários onanistas franceses, não serve para poupar umas consideráveis quantias do precioso e, cada vez mais, escasso “argent” em revista da especialidade! Bauésavapanon?

A VIDA EM APNEIA

Ensonada estica o braço e cala a voz decapadora de sonos que se esganiça da geringonça radiofónica do lado esgueira-se do quente dos lençóis cambaleante entra na casa de banho senta-se na sanita não precisam de saber para quê nem porquê dirige-se ao lavatório lava os dentes põe a água do chuveiro a correr tira o pijama toma o seu banho enxuga-se arrepiada penteia-se e seca o cabelo veste-se e dirige-se à cozinha coloca a taça de leite no micro-ondas retira-a coloca-lhe os cereais senta-se à mesa come os cereais levanta-se deposita a taça vazia na banca liga a máquina de café aquece a chávena no micro-ondas tira o café toma o café fuma um maldito cigarro dirige-se ao quarto das crianças mais um calvário para despertá-las do sono quinze minutos passados vence e finalmente rouba-as aos braços de Morfeu faz-lhes a higiene despe-lhes o pijama veste-as dá-lhes o pequeno almoço depois de ligar a televisão da cozinha para verem os bonecos enquanto comem prepara os lanches faz as camas pensa no que há-de fazer para o jantar vai ao congelador retira o saco de alimentos destinados à refeição nocturna coloca-o na parte debaixo do friogorifico pega nas mochilas e arrasta as crianças que resmungam porque não querem desligar a televisão descem as escadas entram no carro e finalmente não tendo em linha conta os passos autómatos esquecidos a este relato cada um enfiado o melhor que consegue dentro do seu casaco anti-inverno saem de casa.

Pedimos desculpa pela interrupção o programa segue dentro de momentos sendo certo que do tempo dos momentos nada mais sabemos de que tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

LAST CHRISTMAS



Não há volta! Não há Natal sem o "Last Christmas" dos "Wham"!

Há coisas que de tão recorrentes até enervam!
Mesmo assim continuo a gostar de ouvir.

VIOLÊNCIA OU EDUCAÇÃO

Há cerca de duas semanas relatei em post um episódio entre um adulto e uma criança intranquila e rebelde ao qual dei o título de “Educação ou Violência”. Não referi, no entanto, que a reacção à bofetada que a criança infligiu ao adulto como resposta à sua advertência verbal foi devolver-lhe a bofetada, evidentemente com a intensidade adequada à idade da criança. O caso foi, como seria de esperar, polémico. Depois das devidas explicações e pedidos de desculpa ao grupo de educadores incluindo os progenitores o adulto encerrou a questão de bem com a sua consciência.

Passadas as mesmas duas semanas, a criança dá de caras, pela primeira vez depois do incidente, com o mesmo adulto. De olhar tímido e apreensivo a criança estancou a sua correria ao deparar-se com a pessoa que lhe dera uma bofetada há uns dias atrás, esta por sua vez, abraçando o seu próprio filho. Apercebendo-se do constrangimento da criança, o adulto chamou-o dizendo-lhe que era seu amigo e que podia aproximar-se porque gostava muito dele. A criança, aliviada aproximou-se e disse-lhe: “Mas eu bati-te e belisquei-te.” O adulto abraçou-o e disse-lhe: “Pois foi e sabes que isso não se deve fazer nunca”. A criança acena afirmativamente com a cabecita e pergunta com a maior simplicidade e honestidade: “ E tu desculpas-me?”.

É irrelevante o relato da restante conversa porque o essencial está dito. Criança e adulto desculparam-se mutuamente e acabou ali, antes de começar, uma guerra. Estou certa de que aquela criança não voltará a esquecer a bofetada que recebeu em troca da que deu. Estou certa de que o objectivo daquela bofetada foi atingido e, mais do que tudo, estou certa de que foi educação e nunca violência. Estou certa, ainda, de que se os adultos entre si tivessem a imensurável sabedoria e desinteressada humildade das crianças a vida seria muito mais aprazível para todos, crianças e adultos.

O MENINO REAL




Todos os meninos são diferentes, mas uns são mais diferentes que outros.
Conheço um menino que revelou ser este o seu maior desejo: ter uma mãe que gostasse dele. Tem 6 anos.
Não inveja os outros meninos; apenas olha embevecido para as mães que vão buscar os seus colegas à escola, que os abraçam no reencontro diário.
No Natal, vou oferecer-lhe um casaco quentinho e um jogo a que tem direito. E vou continuar a sorrir-lhe com carinho todas as vezes que o encontrar.
Vou também pedir ao Pai Natal que lhe preserve, pelo menos, o pai que o tem criado e dedicado o amor difícil dos solitários.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

OPEN YOUR EYES



Mais um produto da minha auto-determinada reciclagem induzida pelo meu amigo drummer: Open your eyes?! No problem! Here I am with my open eyes and ears. E não é que gosto! Cooooool Steve!!!

Trance - uma das vertentes da música electrónica que surgiu em inícios dos anos 90. Deriva do house e do techno embora com alguma melodia. A grande maioria das músicas trance são calmas, produzindo um estado de alma energético e constante. Acentuado pelas batidas repetitivas e pelas melodias progressivas que levam um gajo a um estado de quase transe, dizem eles, e de libertação espiritual. Doutor, diga de sua justiça. Ainda não experimentei, mas sou gaja para isso e para muito mais! Para já fiquem-se com o “Open your Eyes – Insigma”

PALAVRA SUPREMA

sábado, 6 de dezembro de 2008

Das cidades, dos homens e do vento


Todas as glórias são iguais, embora umas sejam mais iguais do que outras. Efémeras, ilusórias. As das cidades, como as dos homens. Não valem a beleza do voo de uma ave, o esplendor quieto e silencioso de uma árvore velha.

De vez em quando é preciso sentar à beira de um rio, tentando ouvir as respostas que pairam no vento.

Se um dia me esquecer disto, por favor, lembrem-me.




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

SECOND DEATH & SECOND OPINION







“Entre Deus e o Diabo” trouxe-me à memória o meu amigo baterista da “Second Death” - banda inglesa de heavy metal. Estranho?! Bizarro?! Os preconceitos são o que são! Não consigo ouvir por mais de 5 minutos acordes de heavy metal. Enerva-me, cansa-me, confunde-me a alma. Sempre achei que o dito estilo musical exorta a violência. Ele diz-me que é um equívoco, que se trata exactamente do oposto. Condena e tem como principal fundamento denunciar actos violentos. Certo é que o aspecto sujo, desleixado, desinteressado da maioria dos amantes de heavy metal, vulgo punks, contraria a amabilidade, a sensibilidade e a humanidade de quase todos os rockers, heavy e menos heavy, punks e até motards que tenho tido o privilégio de conhecer. Daí o meu viva à diversidade e à diferênça.

Hey Steve! This is for you, man!

FOBIAS IDEATIVAS

"Estou actualmente atravessando uma daquelas crises a que, quando se dão na agricultura, se costuma chamar "crise de abundância".

Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos, e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher que algumas se perdem, por elas serem tantas, e outras se não podem ler depois, por com mais que muita pressa escritas. As ideias que perco causam-me uma tortura imensa, sobrevivem-se nessa tortura escuramente outras. V. dificilmente imaginará que a Rua do Arsenal, em matéria de movimento, tem sido a minha pobre cabeça. Versos ingleses, portugueses, raciocínios, temas, projectos, fragmentos de coisas que não sei o que são, cartas que não sei como começam ou acabam, relâmpagos de críticas, murmúrios de metafísicas... toda uma literatura, meu caro Mário, que vai da bruma - para a bruma - pela bruma...

Destaco de coisas psíquicas de que tenho sido o lugar o seguinte fenômeno que julgo curioso. V. sabe, creio, que de várias fobias que tive guardo unicamente a assaz infantil mas terrivelmente torturadora fobia das trovoadas. O outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa e por tarde não havia carros. Afinal não houve trovoada, mas esteve iminente e começou a chover — aqueles pingos graves, quentes e espaçados — ia eu ainda a meio caminho entre a Baixa e minha casa. Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar, com a tortura mental que V. calcula, perturbadíssimo, confrangido eu todo. E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto — acabei-o uns passos antes de chegar ao portão de minha casa —, a compor um soneto de uma tristeza suave, calma, que parece escrito por um crepúsculo de céu limpo. E o soneto é não só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito. O fenômeno curioso do desdobramento é a coisa que habitualmente tenho, mas nunca o tinha sentido neste grau de intensidade... "

Carta de Fernando Pessoa ao amigo Mário Beirão, 1 de Fevereiro de 1913

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

SER PROFESSOR

À minha amiga Valentina com 60 anos, professora de Latim e Português que, com grande desgosto, pedirá reforma antecipada no final deste ano lectivo por não aguentar mais o descalabro do ensino e das medidas do actual ministério. À minha amiga Valentina que, nada mais tendo a perder, está hoje em Lisboa, debaixo do temporal que se sente, a lutar pelos direitos e deveres dos seus colegas em início ou meio de carreira. À minha amiga Valentina que quando eu era aluna já era professora e que como professora soube cativar a minha amizade e admiração por ela como pessoa.

Ser professor é ser artista,
malabarista,
pintor, escultor, doutor,
musicólogo, psicólogo...
É ser mãe, pai, irmã e avó,
é ser palhaço, estilhaço,
É ser ciência, paciência...
É ser informação,
é ser acção.
É ser bússola, é ser farol.
É ser luz, é ser sol.
Incompreendido?... Muito.
Defendido? Nunca.
O seu filho passou?...
Claro, é um génio.
Não passou?
O professor não ensinou.

Autor Desconhecido

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SERÁ?

É UM DESCONSOLO!

Ora nem mais! Vamos lá juntar aqui meia dúzia de gente idónea e honesta para salvar as parcas economias dos depositantes e demais credores do BPP. Sublinhe-se que o depósito mínimo do dito banco ascende, pasme-se, a 250.000 euros. Súcia de bandalhos e malfeitores! À falta de inspiração e tempo vou num instante ao quiosque da Mac buscar meia dúzia de insultos e já volto.

“Malandros, energúmenos, filhos de um deus mesmo muito menor, flibusteiros, valentões, sacripantas, mongas, estupores, esperem aí que tenho de respirar...Anormais, indecentes, bestas completas, camelos que nem mastigam, vacas secas, iletrados, inconscientes, prostitutos, anomalias idiossincráticas”.

Com é que se atrevem a empenhar 45 euros de cada cidadão português, veja-se que muitos nem sonham o que é ter 45 euros na mão em toda uma vida, para emprestar a esta corja de larápios da pior espécie?!!! Depois ainda há quem se admire por haver pessoas que queiram cantar ideologias ainda que utópicas! Que alternativas temos nós, a quem calam a voz, que não sabemos senão trautear, e mesmo assim, trauteamos ao som da música que nos dão ainda que mal nos caiba no ouvido?! Apaputakiuspariu corja de ladrões! Este país é um desconsolo!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

UM DIÁLOGO CHEIO DE ALEGRIA

— Olá, que cara de alegria é essa?
— Nem imaginas, acabei de fazer uma compra fantástica!
— Conta, conta..
— Mais uma nova antiguidade.
— Oh, parabéns! Mas tens a certeza de que é uma antiguidade e não uma velharia?'
— Claro que sim, até tenho aqui o certificado de garantia.
— Óptimo!... Ainda assim, quando o prazo da garantia terminar, não há o perigo da peça envelhecer?
— Posso ficar descansada, a loja faz excelentes trabalhos de restauro...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ALTO E PÁRA O BAILE!!



Acabei de encontrar...


Darei ao povo o meu poema.
Eu lhe darei a flor e a pedra
cada minuto cada tristeza
uma azagaia contra a dura sorte
a minha raiva acesa em cada noite.
Eu lhe darei a flor e a pedra.
E a minha vida. E a minha morte."


MANUEL ALEGRE

ESPANTA-PARDAIS

JUNK FOLDER

Cum caneco! Cum caraças! Cum raio que os carregue, corja de tarados e taradas, comedores da santa quietude empresarial e divino esforço profissional. Está uma pessoa muito compenetrada na sua obrigação de execução exemplar e dedicada ao trabalho e é bombardeada com torpedos destes. Atentai no calibre do assédio.

“Olá! Acabámos de nos abrirmos. O nosso endereço na rede... Temos vídeos e fotos a qualquer gosto, incluindo hard kor, chuva de ouro, zoofilia, etc. Estais limitados apenas por sua fantasia. Montes de pornografia clássica dos anos 70 e 80. Entra, pois a velocidade de carga não está limitada. www.nacionalpussilga"


Não fosse eu uma pessoa compenetrada e bem resolvida a vários níveis, outros nem tanto mas isso agora não interessa nada, já estava de olho posto no tal “nacionalpussilga". Estes gajos não desarmam mesmo! Será difícil perceber que se eu estivesse interessada nessa coisa do “nacionalpussilga” não estaria até agora à espera que uns energúmenos desclassificados ma pusessem olho adentro, salvo seja?

Ainda assim há coisas que me fazem uma certa confusão mental: “Acabámos de nos abrirmos”. Esta declaração referir-se-á exactamente a quê? Só pode ser ao que estão a pensar e que eu pensei também assim que pus os olhos no url. Pois! Tem lógica! Só mesmo à vimada! Desavergonhadas! Galdérias! Se fossem mas era cavar terra!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O CIRCO DA ALEGRIA

A IDADE DO FRIO

Apetecia-me comer uma viola
Daquelas que se punham na árvore de Natal,
Recordar o tempo em que a minha avó
Cobria o chão com palha limpa
E tudo cheirava a fantasia....

Os serões punham sombra na parede,
O fogo ardia ao ritmo das palavras
E eu acreditava nas histórias de assustar
(tinha a certeza que debaixo das camas
viviam bichos que gostavam de pés de crianças....
por isso era bom dormir com a luz acesa!).
Gostava do cheiro do alecrim
Nas horas de trovoada,
Santa Bárbara sempre esquecida!

Apetecia-me esse sabor puro das manhãs
Quando o leite e o café
Eram aquecidos ao borralho.
Os dias acordavam assim,
Com essa infância aberta para a claridade,
A relva aparecia coberta por geada transparente
E era bom deitar fumo pela boca!

O tanque enchia-se de navios de sabão
E era bom andar de carapuço
Embrulhada em xailes de lã,
Ter as mãos frias
E a esperança doce das maçãs!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

EDUCAÇÃO OU VIOLÊNCIA
























Foto desviada de lusitaniavox.blogspot.com

Numa sociedade transpirando violência por todos os poros, onde reina a impunidade, onde, por vezes, premiamos prevaricadores e criminosos, onde impera o salve-se quem puder, uma criança cujo comportamento se rege pela mesma violência, é chamada a atenção, verbalmente, por alguém que não tem a seu cargo a sua educação mas que se sente na obrigação, como adulto, de a educar. Ressalve-se que esta falta de educação colide com a educação e o bem estar das suas próprias crianças. Em resposta imediata a essa chamada de atenção verbal, o pivete de cinco anos espeta uma bofetada no adulto que a adverte. Questiono-me sobre qual seria a atitude imediata e passível de ser considerada acertada a tomar pelo adulto visado? Já agora dava-me jeito a vossa opinião.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CHUVA, CHUVA, CHUVINHA!

Mas porque carga de águas, passo a redundância, é que as pessoas hão-de sempre queixar-se dos dias de chuva?

- Bom dia. Ai que chuvinha tão chata! Que dia triste, não é?

Mas será que toda a gente tem que dizer o mesmo? Cambada de vinis riscados! Pois eu hoje estou muito bem disposta. Até está de chuva e tudo? Rega-me as árvores e a relva e até a alma. Porque é que eu haveria de estar aborrecida? Não estou, pronto! Estou até muito bem disposta. Homessa!!! Hoje nem sinto inveja nem nada! Dos que pululam livremente ao sol quando está sol.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Olho sobre azul

Já alguma vez se sentiram num túnel de via única, sem desvios, vistas ou alternativas? Onde nem sequer o GPS funciona?
Não sei se é argumento suficiente para me ilibar das prolongadas ausências, mas poderá explicar a tal "via láctea" em que me encontro.




«Viver com um autista é desafiar constantemente os padrões estabelecidos para a normalidade. Deixamos de nos guiar pelas prioridades dos “outros”, mas também passamos a não ser entendidos em quase todas as atitudes que tomamos diariamente.
Já me vou habituando a que as outras mães e pais não percebam porque é que deixei de frequentar grande parte dos espaços públicos, ou porque é que dou almoço ao Tiago em casa, antes de ir a um casamento, ou porque é que tenho de estar a vigiar constantemente o Tiago, mesmo durante as brincadeiras ao ar livre, em espaços abertos. Há uma ignorância generalizada em relação às PEA (Perturbações do Espectro do Autismo), por um lado por se tratar de uma deficiência não-visível no aspecto físico, por outro lado por ter características tão ambíguas, em grande parte misteriosas, por vezes até inexplicáveis.

Por muito que eu tente explicar aos amigos e familiares, é sempre com uma grande dose de cepticismo que os mais compreensivos acabam por entender que o Tiago (como todos os outros indivíduos com autismo) fica com as estruturas mentais todas descontroladas quando recebe demasiados estímulos visuais e sonoros ao mesmo tempo; que a alimentação é um drama que quase todas as mães de autistas têm de enfrentar, porque eles são selectivos e qualquer transtorno pode arruinar o dia ou mesmo a semana; que os indivíduos com PEA não têm noção do perigo, pelo que facilmente avançam sobre um abismo, uma janela aberta, uma piscina, uma estrada cheia de trânsito.

Outra das grandes dificuldades do dia-a-dia é enfrentar os olhares de censura, ou mesmo até os comentários desagradáveis, daqueles desconhecidos que assistem a uma grande cena de gritos e agitação, por exemplo, num supermercado ou qualquer outro espaço público com centenas de estímulos. Na ausência de qualquer deficiência física, o que os outros vêm é uma criança birrenta, mal-educada, mimada, que armou uma monumental gritaria, e uma mãe “incapaz de dar educação ao filho”.
Como explicar que aqueles gritos são a expressão possível de um qualquer mau-estar? Como fazer os outros entender que aquela criança não é capaz sequer de entender as emoções que está a sentir, quanto mais explicá-las a um adulto?
O autista tem a sua mente de tal forma compartimentada, que um qualquer desvio, por muito pequeno que nos pareça, pode perturbar-lhe toda a ordem. Um som inesperado ou desagradável, uma cor fora de contexto, um objecto que não está onde devia, pode chegar a provocar-lhe dor física, de tal forma o perturba e desorienta.

É a forma como eles vêm o mundo que está errada? Há forma certa para organizar o mundo? De todas as vezes que penso nestas questões – e noutras que obrigatoriamente se encadeiam – concluo que, como mãe do Tiago, me tornei uma pessoa muito mais rica que a maioria das que conheço. Aprendi com o Tiago a observar pormenores que escapam aos outros. Descobri que a mentira não cabe nos padrões dos autistas – o que eles mostram é aquilo que está a passar-se lá dentro, nem mais nem menos. Eles não entendem como é possível fingir, nem trocar os nomes às coisas. Se o Tiago me abraça (felizmente, ele não rejeita o contacto físico), isso só pode significar que naquele momento ele sentiu um grande afecto pela mãe… e nada mais podia fazer senão demonstrá-lo.
Que clareza!
É mau não ser igual aos outros? Não! É só mais difícil.»


Excerto de um texto que escrevi, para colaborar num trabalho de formação.

ATCHIMMMM

Ai que friiiiiiio!!!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sorry?



Rectificação à rectificação que rectifiquei.

O QUER DIZER SALVO SEJA?



Então, aqui estou publicamente para rectificar perante a DD que não nos virou nada as costas, anda é numa via láctea diferente. Porquê esta música? Foi a primeira que me veio à mão (salvo seja).

OS AZARES DA MANUELA

Não têm sido poucas as vezes que oiço pessoas já maduras em idade afirmarem que os anos passados lhes conferem o direito a dizer tudo o que pensam. Ora, sabendo que a verdade, na maior parte das vezes, é incómoda e causa dor e que o mau estar e a dor provocam perdas irreparáveis, as pessoas abstêm-se muitas vezes da verdade durante grande parte dos gloriosos anos das suas vidas.

No limiar da vida, no topo da escada, num tempo em que já pouco ou nada se pode perder por já se ter perdido tudo o que se teme perder, as pessoas ganham-se o direito de verbalizar os seus pensamentos sem filtros, sem medos. Já não podem perder o emprego, o amigo, o namorado ou marido, nem os filhos. Já não podem perder o dourado dos seus anos, porque os anos já se perderam. E a verdade dos seus pensamentos, ideologias ou fantasias, surge do alto da sua indiferença ao incómodo que possam provocar aos outros. Julgo ser esta a razão pela qual é tão enriquecedor ouvir ou ler pessoas livres em idade e sóbrias em inteligência independentemente do seu nível social ou intelectual.

Como bem sabemos, em política, reina a mentira descarada. O politicamente correcto implica filtragens constantes e sucessivas às verbalizações de pensamentos, ideias e ideologias, sob pena de haver colisões drásticas e irreversíveis na vida político-social do momento. Julgo ser este o grande problema do PSD. Tiveram o azar de escolher alguém para Presidente a quem a idade conferiu o direito à verbalização livre dos seus pensamento, ideias e ideologias e esqueceram-se de lhe colocar filtros para que seja politicamente correcta, compreendida e aceite pela sociedade política e social do momento.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

DOS AFETOS

”-Como aprendeste a ler? – Perguntou a rapariga a certa altura.
-Como todas as outras pessoas -respondeu o rapaz – Na escola.
-E, se sabes ler, então por que és apenas um pastor?
O rapaz deu uma desculpa qualquer para não responder àquela pergunta. Tinha a certeza de que a rapariga jamais entenderia. Continuou a contar as suas histórias de viagem, e os pequenos olhos mouros abriam-se e fechavam-se de espanto e surpresa. Á medida que o tempo foi passando, o rapaz começou a desejar que aquele dia não acabasse nunca, que o pai da jovem ficasse ocupado por muito tempo e o mandasse esperar durante três dias. Percebeu que estava a sentir uma coisa que nunca tinha sentido antes: vontade de ficar a morar numa única cidade para sempre. Com a menina dos cabelos negros, os dias nunca seriam iguais.
Mas o comerciante finalmente chegou e mandou que ele tosquiasse quatro ovelhas. Depois, pagou-lhe o que era devido, e pediu-lhe que voltasse no ano seguinte.
Agora faltavam apenas quatro dias para chegar de novo à mesma cidade. Estava excitado e ao mesmo tempo inseguro: talvez a menina já o tivesse esquecido. Por ali passavam muitos pastores para vender lã.
-Não tem importância – disse o rapaz para as suas ovelhas. - Eu também conheço outras meninas noutras cidades.
Mas no fundo do seu coração, ele sabia que tinha importância. E que tanto os pastores, como os marinheiros, como os caixeiros-viajantes, sempre conheciam uma cidade onde havia alguém capaz de fazer com que esquecessem a alegria de viajar livremente pelo mundo."


O alquimista, Paulo Coelho

Este excerto do livro que ontem iniciei dedico-o à minha pastora favorita com um agradecimento especial porque também ela é, para mim, muito especial.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

EXPLICAÇÃO

Partilhamos a vida real com as pessoas do nosso quotidiano: família, vizinhos, amigos, colegas de trabalhos... É gente conhecida aquela com quem cruzamos à hora do café, na ida aos correio, ao cruzar a rua... O nosso nome às vezes é bem lembrado, outras, ficar no aflorar da memória e ainda que não venha, está mesmo ali, debaixo da língua.
Mas eis que chegamos ao tempo da realidade virtual e tudo se transforma. Quem somos nós neste universo paralelo?
Trio, mais uma no cantinho! Essa flor tem tudo a ver comigo, Mofina dos ovos chocos. Porém, é a Blimunda que fica exposta às pedras que por mãos cobardes e traiçoeiras são atiradas, é a Jardineira que mora um pouco mais acima do leito deste rio, é a DD que nos virou as costas e nunca mais aparece.
E é do nosso mútuo desconhecimento que se criam laços de inexplicáveis afinidades, laços que não sendo de sangue, por sublime coindência, acabam por ter o mesmo código genético.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A princesa

Anda aí uma linguaruda a ameaçar pôr as pessoas a um canto. Antes que me façam alguma intimação, resolvi tentar adoçar as bocas com um post.

Para as minhas sócias, amantes de livros e viagens, aqui fica um excerto do livro Viagem ao país da manhã’ de Herman Hesse. E mais uns complementos.


"E, cada um de nós, parecendo seguir ideais e fins comuns e lutar sob uma mesma bandeira, levava individualmente no seu coração, como força mais íntima e último consolo, o seu próprio sonho louco de infância. No que diz respeito ao meu próprio objectivo e destino de viagem, sobre o qual tinha sido interrogado pela Cátedra Suprema antes da minha admissão, era de natureza simples, ao passo que alguns dos outros irmãos se tinham colocado objectivos, que eu podia, evidentemente, respeitar bastante, mas não entender plenamente. Um, por exemplo, procurava tesouros e não tinha outra coisa na mente senão a conquista de um tesouro sublime, que ele chamava ‘Tao’, um outro, no entanto, tinha mesmo metido na cabeça capturar uma certa serpente, à qual ele conferia poderes mágicos e que chamava Kundalini. Em contrapartida, o meu próprio objectivo de viagem e vida, que já desde os anos tardios da adolescência se me apresentava em sonhos, era o seguinte: ver a bela princesa Fatme e, porventura, conquistar o seu amor."




Da ópera ‘A Flauta Mágica’ de Mozart, a ária em que Tamino sabe da existência da princesa Pamina através do seu retrato, se apaixona por ela e deseja encontrá-la.



(...)
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora

(...)

FP, Eros e Psique

HINO À ALEGRIA



Tem de ser em enguilês!

O AMOR NOS TEMPOS DE COLERA

"- E até quando pensa o Senhor que podemos continuar neste ir e vir dum caralho? – perguntou-lhe.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada há já cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as noites.
- Toda a vida – disse."

"Amor nos Tempos de Cólera" - Gabriel García Márquez

Li “Cem anos de Solidão”, se a memória não me atraiçoa, há uns quinze anos. Num tempo em que o meu poder analítico e introspectivo se centraria mais em frivolidades extasiantes da vida prática, não obstante o prazer que me provocou a leitura do livro, confesso que não terei sabido extrair dele mais do que isso. O prazer da leitura. Vou relê-lo brevemente.

“Amor nos Tempos de Cólera” encheu-me as medidas. A ficção move-se dentro do imaginário do leitor a uma velocidade vertiginosa desembocando num final feliz contra todas as reais expectativas geradas pelo decorrer inexorável do tempo. O amor platónico de Florentino auto-alimenta-se, obstinadamente, de esperança sem o menor indício de presente ou futura aceitação e retribuição, depois de repudiado pela sua “Deusa Coroada” e subsiste nas suas primeiríssimas forma e grandeza, até ao dia em que, finalmente, passado meio século, virá a completar-se na alma e no corpo de Firmina quando ambos são já septuagenários. Numa idade em que o amor é considerado obsceno ambos fazem pleno uso de direito do seu livre arbítrio para, finalmente, viverem o resto dos seus dias como lhes dá na real gana.

Como em todas as boas obras, perdi-me algures entre a ficção e a realidade e continuo sem saber onde estou.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

DESGRAÇA

Mais vale cair em graça que ser engraçado!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

BOAS LEMBRANÇAS!

MARIA MADALENA

Maria madalena é uma personagem que foi dada a conhecer, pelo catecismo católico como uma mulher pecadora. Uma prostitua a quem Jesus Cristo deu a mão, por piedade e que ter-se-á convertido aos bons ensinamentos do Mestre. Aquando do seu apedrejamento em praça pública, Jesus veio em sua defesa, incitando aqueles que não tivessem pecados a atirar a primeira pedra. Esta é a versão da Igreja Católica. A versão dos Templários, e das ordens que lhes sucederam, mostram-nos Madalena como uma mulher sublime, sagrada, a outra metade de Jesus. Foi o pilar do Sagrado Feminino.

Não sou uma mulher de fé, daí que não acredito cegamente, sem questionar, seja no que for. Subscrevo, na minha maior insignificância, a posição aristotélica de que a dúvida é o princípio da sabedoria. Contrariamente a esta posição existem os dogmáticos, fiéis seguidores da doutrina cristã, que nem eles sabem de que forma lhes foi dada a conhecer. São homens de fé, pessoas que se auto-definem como “de bem” e que pelo seu carácter de bons cristãos, não se inibem em acatar e divulgar como verdades absolutas, ideias que se lhes afiguram, pela leitura de meia dúzia de tretas que lhes chega aos olhos, por um qualquer meio.

A esses cristãos, fiéis e que n’Ele confiam sem pestanejar e a cujos ensinamentos, que não são d’Ele mas de homens que, prepotentemente, se fizeram na voz d’Ele, a quem seguem com subserviência canina, ofereço a sabedoria de um outro génio - Orson Welles: “É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos.”

ANONIMATO

Se alguém falar de Joseph Ratzinger, George W. Bush ou de Bin Laden, a maioria de nós saberá relacionar o nome a uma personalidade. Mas saberemos nós alguma coisa mais sobre estas pessoas? Quanto a mim, pouco ou nada sabemos daquilo que, efectivamente, são. O mesmo se aplicará a muitos ilustres conhecidos e outras tantos desconhecidos. Nada do que nos chega ao conhecimento é retrato daquilo que somos. Damos aos outros partes segmentadas de nós, amanhadas segundo aquilo que se nos afigura mais conveniente. Isto é: palha aos burros, papas e bolos aos tolos, e, talvez um pouco mais do que isso aos outros.

O novo mundo da blogosfera tem como motor principal uma espécie de código deontológico que se rege pela ausência de BI substituída pela existência de um nome que se veio a designar de “nick”. Os inter-agentes relacionam-se por meio do seu uso, e, habitualmente, mantêm-no nas suas intervenções. O nick identifica o blogueiro. Pode ser que tenha alguma coisa da pessoa que o usa, mas não é o seu BI. Segundo o meu ponto de vista, o bom cumprimento do dito código deontológico blogueiro implica que se use sempre o mesmo nick, por forma a que se possa identificar um comentário ou uma postagem, com determinada personagem. Ora, assim sendo, comentários anónimos são de ninguém. Existe, portanto, uma não identificação com qualquer personagem, mas sim uma forma de se escrever banalidades ou não, sob uma capa que pode ser de qualquer um. É uma clara e evidente falta de carácter dentro de um código que apenas se aplica nos meandros do blogger. Nada mais do que isto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

VIUVEZ

"No ócio reparador da solidão, em compensação, as viúvas descobriam que a forma honrada de viver era a mercê do corpo, comendo só por fome, amando sem mentir, dormindo sem terem de fingir-se adormecidas para fugir à indecência do amor oficial, donas por fim do direito a uma cama inteira só para elas na qual ninguém lhes disputava a metade do lençol, a metade do seu ar que respiravam, a metade da sua noite, até que o corpo se saciava de sonhar com os seus próprios sonhos e acordava só"

"O Amor nos Tempos de Cólera" - Gariel García Marquez

TIME



Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun


Time -The Dark Side of the Moon, 1973 - Pink Floyd

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

AOS PEIXINHOS DO CÉRTIMA

”Toma um homem do mar um anzol, ata-lhe um pedaço de pano cortado e aberto em duas ou três pontas, lança-o por um cabo delgado até tocar na água; e, em vendo, o peixe arremete cego a ele e fica preso e boqueando até que assi suspenso no ar, ou lançado no convés, acaba de morrer. Pode haver maior ignorância e mais rematada cegueira que esta? Enganados por um retalho de pano, perder a vida! Dir-me-eis que o mesmo fazem os homens Não vo-lho nego. Dá um exército batalha contra outro exército, metem-se os homens pelas ponta dos piques, dos chuços e das espadas, e porquê? Porque houve quem os engodou e lhe fez isca com dous retalhos de pano. A vaidade, entre os vícios, é o pescador mais astuto e que mais facilmente engana os homens. E que faz a vaidade? Põe em isca nas pontas desses piques, desses chuços e dessas espadas dous retalhos de pano, ou branco, que se chama hábito de Malta, ou verde, que se chama de Avis, ou vermelho, que se chama de Cristo e de Santiago; e os homens, por chegarem a passar esse retalho de pano ao peito, não reparam em tragar e engolir o ferro. E depois disso, que sucede? O mesmo que a vós. O que engoliu o ferro, ou ali ou noutra ocasião, ficou morto, e os mesmos retalhos de pano tornaram outra vez ao anzol para pescar outros."

In Sermão de Santo António aos Peixes

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ISSO É QUE É FALAR!

Ora nem mais! Como se não bastasse todos os crimes praticados, com poucas ou nenhumas probabilidades de ser punido por eles, ainda teremos que lhe pagar indemnizações pelo facto do governo lhe ter privatizado a galinha de ovos de ouro. É valente! Este país não existe e eu estou a viver um pesadelo. Só pode!

BOAS COMO O MILHO!

Há alguma dúvida de que as administradoras deste blogue são umas queridas, umas lindas fofinhas?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

BREVE

Sem querer impor quaisquer regras, muito menos de bom comportamento, será oportuno esclarecer que os objectivos deste blogue não passam necessariamente por quedas acentuadas de qualidade. Este reparo é feito apenas para evitar a repetição de filmes de péssimo gosto.

SABEDORIA POPULAR

Nunca argumentes com idiotas! Rebaixam-te ao mesmo nível e ganham-te por experiencia!

OBJECTIVO DA SEMANA


Trabalhar por objectivos... BOA!

Segunda-Feira Terça-Feira Quarta-Feira Quinta-Feira Sexta-Feira

Ora Bolas! Era suposto aparecer um homenzito (verde) a espreitar à porta da Segunda e a atirar-se em fuga corrida para a porta da Sexta. Não aparece mas Vexas podem muito bem dar corda aos neuróniozitos (verdes) e objectivar vendo-o a esgueirar-se. Podem ou não? Olha, já se foram!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

FILHADAPUTICE

É já sem o menor pudor, sem o menor cuidado com a ocultação dos factos, que nos é revelada a promiscuidade crescente e descontrolada existente entre a classe política, em exercício governamental ou não e a corja de ladrões que constituem a banca portuguesa. Desde os menores administradores aos fiscalizadores máximos vivem-se descaradas patranhas de esconde-esconde dos maiores crimes fiscais e económicos. E com a maior das latas, privatizam-se passivos para que os infelizes cumpridores, pagadores de tudo e mais alguma coisa que lhes impõem a pagamento, descasquem a abacaxi. Os activos continuam na mão zelosa e providencial dos fiéis administradores cúmplices senão protagonistas em co-sociedades in ou off-shores com os prevaricadores, corruptos, sanguinários ladrões para que continuem a encher os bolsos e as barrigas à custa do esforço dos que já nada conseguem esforçar sob pena de estraçalharem a de si já tão frágil roupagem que lhes resta. E ninguém se empenha em descobrir a razão pela qual verdadeiros “zés-ninguéns” conseguem assenhorar-se de verdadeiras fortunas em apenas meia dúzia de anos. E porquê? Porque têm rabos presos. Porque se não os consegues vencer junta-te a eles. Porque não se pode remar contra a maré. Porque é assim. Porque ser honesto não compensa. Os honestos morrem na miséria. Dos fracos não reza a história. Nunca ninguém enriqueceu sendo honesto. E viva a filhadaputice!

FIEIS DEFUNTOS

"O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano).

Quando não somos livres e continuamos a prestar vassalagem às maiores palhaçadas protagonizadas pelas mais hilariantes formas da vida em sociedade, deparamo-nos muitas vezes com verdadeiras anedotas. "Não perdemos porque simplesmente os mandámos à frente". Primeiro, era preciso que fossemos todos bruxos como S. Cipriano para ter esse poder. Se assim não fosse, tínhamos que ser, no mínimo, criminosos para decidir mandar alguém para os anjinhos. Depois, é dia da mais íntima comunhão com aqueles que não perdemos?!! Atão não! Só aqueles que nunca tivemos é que não perdemos. Perdemos e de que maneira! Agora, o que eu perdia sem a menor tristeza e com o maior alívio era o desfile de todas as vaidades e falsidades deste dia. Mas está bem! É preciso dinamizar a economia. A floricultura e a indústria da cera constituem um bom contributo neste dia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

THE UNFORGIVEN



Uma beka de good sound para o fds.
Men, este som é uma curte! Yeah!!!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O CÓDIGO DA VINCI

“Avassalado por uma súbita reverência, Langdon caiu de joelhos. Pareceu-lhe, por um instante, ouvir uma voz de mulher…a sabedoria das idades…murmurar-lhe das profundezas da terra.”

Há sempre uma pontinha de tristeza quando seja o que for, capaz de proporcionar-nos prazer, chega ao fim. Apenas duas palavras para definir este romance: “Da Deusa”

QUAL OPOSIÇÃO QUAL QUÊ?!

Diz-nos um órgão de comunicação social, que as despesas de deslocação e estadas dos nossos digníssimos deputados da AR sofrerão um aumento de 7,6% no próximo ano, percentagem que se traduzirá num valor que ascende os 3,72 milhões de euros. Subida orçamental apreciável, no entanto, folgada, de acordo com a melhor opinião do presidente gestor e administrativo da referida casa que representa o povo português. Diremos nós, povo português, “Haja vergonha”; “Estes gajos são uns larápios”, “O Zé Povinho é que se lixa a apertar o cinto para estes estupores estoirarem o nosso dinheirinho no bem bom” entre outras sentenças reflectoras da mais pura indignação. E muito bem. Vivemos em democracia e em democracia as pessoas dizem o que querem. O que nós, Zé povinho, não sabemos é que não pode ser de outra maneira. Senão vejamos: como é que seria possível sermos bem representados nas nossas pretensões se os nossos representantes não tivessem a mínima noção daquilo que é bom para o povo. E o povo quer ver reflectidas nas medidas governamentais discutidas e aprovadas em sede própria as suas melhores aspirações. E todos nós aspiramos ao bem bom. Quem é que quer andar de casal de 2 quando pode andar de Mercedes? Quem é que quer ir de comboio quando pode ser papalmente conduzido num jactinho? Quem é que quer comer sardinha quando pode ter caviar? Que se lixem os outros que não têm pão para a boca dos filhos, nós queremos é os nossos atulhados de TLM’s e PSP’s e DVD’s .O mais curioso é que, até agora, não se ouviu uma única voz de oposição ao considerável aumento orçamental. Será porquê? A oposição adormeceu? É muito simples:não se pode levantar o dedo ao acaso sob pena de se enfiar o respectivo no próprio olho.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

ASSIM SE ENGANAM OS TOLOS




Luta de Almofadas em Lisboa

Caso passe pela Alameda Afonso Henriques neste sábado, dia 1 de Novembro, pelas 17h, ficará certamente estupefacto com o que ali irá decorrer.

Circula na Internet um "comunicado" que convida todos os interessados a participarem no Pillow Fight Club, uma luta de almofadas entre os transeuntes, à semelhança do que se faz em várias partes do mundo.

Em Lisboa, o campo de batalha será no relvado em frente à Fonte Luminosa, e está aberto à participação de todos aqueles que queiram participar desde que cumpram um determinado conjunto de regras que neste momento circulam em e-mails, fóruns, blogs...

Tou já lá caída, venham comigo... Alegria, não faltes!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

MAIS PAPAS E BOLOS

Com papas e bolos se enganam tolos. Esta é a política do governo e vai-se materializando, a cada passo, na aplicação das medidas governamentais. E o povo gosta porque, infelizmente, o que mais há neste país são famintos de papas e bolos. Ontem, no programa da Fátima, não da manhãs da Sic mas das noites das Segundas da RTP, debateu-se a magnânima manigância do governo para ajudar os coitadinhos dos trucidados pela crise. Aqueles que não conseguem cumprir os seus encargos mensais e estão em vias de perder tudo. De um lado, os bonzinhos: o clone do menino bonito do PS, também ele trucidado mas pela injustiça da justiça, que estagiou uns meses na pildra e voltou agora, de cabeça erguida, ao maior circo do país. Raios me partam se aquele Secretário de Estado não é irmão gémeo do outro! Ao lado dele, o representante da CGD, e mais um que não deve ter-se destacado nem pela positiva nem pela negativa porque neste momento não me lembro quem era. Do outro lado, um apêndice do Millenium BCP que melhor fora não ter posto lá os pés. Ainda por cima era amorfo, feio e ficava mal como o caraças ao lado da deputada do PSD. A estrela, sem a menor dúvida foi Francisco Anacleto Louça. O homem está, definitivamente, no partido errado, apenas porque o partido que representa não tem eco suficiente para governar o país. Na falta de argumentos ou porque a sua informação era escassa e diminuta ou por mera incompetência, o representante do Estado nada fez senão baralhar e causar a maior das confusões ao debate sobre uma questão que já de si é suficientemente dúbia, arbitrária e sobretudo comercial, defende-se chamando retórico ao único homem que durante todo o seu discurso não usou senão do maior pragmatismo. Não me venham com merdas anti-esquerdalhas, porque se alguém falou o que tinha que ser falado foi o Louça. Como quase sempre!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

PRECISO DE ESPAÇO

Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raiz
Ter a rede pronta
Para o mar de sempre
Ter aves e sonho
Quando a terra escuta
E falar de amor
Aos tambores da luta


Ter palavras certas
No Sol do caminho
E beber a rir
O doirado vinho
Misturar a vida
Misturar o vento
E nas madrugadas
Quando o povo abraço
Para estar contigo
Preciso de espaço

Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raiz
Caminhar sem ódio
Falar sem mentiras
Ter meus olhos longe
Na luz de uma estrela
E ser como um rio
Que se agita ao vê-la

Poema de Vasco Lima Couto

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

IN THE AIR TONIGHT



Foi há uma eternidade, mas ainda o vejo, desvairado, faminto de loucura, imitando o Phil Collins. De olhos fechados, agitava os braços como se na bateria estivesse a essência de toda uma vida. Como se amanhã não existisse. E não. Esta é para ti Irmão Saudade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

MULHER EXEMPLAR

A Associação Madeirense de Mulheres Empresárias distinguiu, na tarde de segunda-feira, a mãe do “craque” na categoria "Resultados Humanos" e definiu Dona Dolores Aveiro, cuja única exemplaridade é o sobrenome que tem, como uma "mulher exemplar".

Interessante este prémio! A Senhora é galardoada como mãe de Cristiano Ronaldo. Uma mãe exemplar por ter o filho que tem. Mas estes gajos ou, melhor, estas gajas estão a brincar com valores da maternidade e da boa educação ou serão os valores da maternidade e da boa educação que já não se regem pelos mesmos princípios? Então, e como mãe dos restantes filhos que não são famosos nem ricos, não há prémiozinho? E o facto de o Ronaldinho ter sido uma nódoa como estudante, e não ter feito um cú na escola, sendo que passava o tempo a dar toques na bola, não consta nos registos da primorosa educação que a Senhora deu ao menino? Se o prémio se deve às características do menino de ouro, não seriam os educadores das escolas do Sporting mais merecedores do prémio. E o mais engraçado é que a Senhora acredita mesmo que foi a melhor mãe de todos os tempos. Ele há cada cromo!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

LEONARDO MAS NÃO DA VINCI

Nunca gostei de matemática. Talvez porque ninguém me ensinou a aprender e a gostar dela. Ontem aprendi algo de novo e não me senti mais infeliz. Senti-me menos infeliz.


3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144


Não são números do totoloto nem do euromilhões. Existe uma lógica neles, que eu gostaria de ter aprendido com prazer no tempo em que era suposto aprender por obrigação.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

PENTACULO

Sagrado Feminino ou Magia e Ocultismo

"O pentáculo - esclareceu Langdon - é um símbolo pré-cristão relacionado com o culto da Natureza. Os antigos imaginavam o mundo em que viviam dividido em duas metades: o masculino e o feminino. (...) Este pentáculo representa o lado feminino de todas as coisas... (...) Na sua interpretação mais específica, o pentáculo simboliza Vénus... a deusa do amor sexual e da beleza femininos. (...) Landgon decidiu não lhe revelar a mais surpreendente propriedade do pentáculo: a origem gráfica da sua ligação a Vénus. Ainda jovem estudante de Astronomia, ficara estupefacto ao saber que o planeta Vénus traçava, de oito em oito anos, um pentáculo perfeito no céu eclíptico. (...) Num tributo à magia de Vénus, os Gregos usavam o seu ciclo de oito anos para organizar os Jogos Olímpicos. Actualmente, poucas pessoas sabem que o calendário quadrienal das Olimpíadas modernas continua a seguir os meios-ciclos de Vénus. E menos ainda sabem que a estrela de cinco pontas esteve muito perto de se tornar o emblema olímpico oficial, tendo sido substituída à última hora pelos cinco anéis entrelaçados, que reflectem melhor o espírito de inclusão e harmonia dos Jogos. "
“O Código Da Vinci", - Dan Brown, p. 53 e 54.

Alguém um dia me disse: “Quanto menos souberes menos infeliz serás”. Apesar de já suspeitar de que se tratava de uma verdade insofismável, acabo de concluir não possuir já a menor dúvida de que assim seja. Ontem retomei a leitura do Código Da Vinci e logo após as primeiras páginas, sou levada a reforçar a ideia que já tenho há muito tempo sobre a Igreja Católica. Ninho de víboras!

COERÊNCIA



Still the same - Bob Seger 1978

You always won everytime you placed a bet
You're still damn good no ones gotten to you yet
Everytime they were sure they had you caught
You were quicker than they thought
Youd just turn your back and walk

You always said the cards would never do you wrong
The trick you said was never play the game too long
A gamblers share the only risk that you would take
The only loss you could forsake
The only bluff you couldnt fake

And you're still the same
I caught up with you yesterday
Moving game to game
No one standing in your way
Turning on the charm
Long enough to get you by
Youre still the same
You still aim high

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

BLIMUNDA

"Usa, cada qual, os olhos que tem para ver o que pode ou lhe consentem, ou apenas parte pequena do que desejaria." MC, 75
Blimunda tem curiosos e estranhos poderes. As sensibilidades apuradas fazem-lhe ver por dentro das coisas e das pessoas, quando em jejum.
“Olhaste-me por dentro. Juro que nunca te olharei por dentro. Juras que não o farás e já o fizeste. MC, 49”.
A realidade que possui do certo e errado, do bom e mau, foge aos paradigmas da época. Questiona o sentido das coisas não se submetendo passivamente aos modelos de comportamentos sociais que lhe são impostos. É preciso vencer a cegueira e viver intensamente. Blimunda atreve-se, contra as mentes inquisidoras, a questionar o moralmente aceitável, adoptando comportamentos que vão de encontro aos seus sentidos e sentimentos. Blimunda foge aos padrões da época e aos códigos estabelecidos pela sociedade, tornando-se exemplo de transgressão. É amada por uns e apedrejada por outros.
Pretender ser Blimunda vai para além de pretender ser amiga, companheira, unificadora ou construtora. É pretender cravar em si o esteio de todo um universo e fazê-lo girar como gira o mundo, em movimentos de rotação e translação, capaz de ser noite e dia, de calmarias e de tormentas capazes de destruir represas e assim permitir, na corrente do rio, novos caminhos e outras fontes de vida. Blimunda destrói o arquétipo da mulher omissa e submissa, dependente e escrava, tomando parte das decisões, tendo consciência da sua participação e da importância do seu ser. Sabe que é um dos pilares desse grande sonho, dessa ousada busca de liberdade e felicidade.
Esta é a Blimunda, personagem principal do livro de José Saramago - O Memorial do Convento. Eu sou apenas alguém que, não desesperando por ser e saber mais do que aquilo que me consentem, procuro sempre cumprir na sua essência aquilo que sei que sou e respeitar aquilo que são os outros, quando o sabem.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

pulsar







Esta é uma faixa do cd Lambarena - Bach to Africa, um cd de homenagem ao Dr. Albert Schweitzer, que mistura de uma forma estranhamente harmoniosa composições de Bach com cantos tribais africanos. Sente-se um único pulsar.

Não obstante os critérios por que possa ser avaliado, este cd é para mim um símbolo do que pode ser o encontro entre as diferentes civilizações quando há admiração e respeito pelas diferenças, não importando a origem, ou o grau de elaboração de cada cultura. Lembra que o quão maravilhoso poderia ser o mundo, se as diferenças fossem encaradas de forma construtiva, e não com base na desconfiança, na arrogância e no preconceito. Afinal, enquanto existir um pouquinho de juventude no nosso espírito, sempre acreditaremos no fantástico e inalcançável lugar da utopia.

Esta música pareceu-me por isso uma boa forma de iniciar a participação neste blog. Sem conhecer pessoalmente duas das autoras, sinto em todas vocês esta característica de saber construir, com base no respeito mútuo e na amizade, algo de positivo, não obstante as diferenças de perspectiva que naturalmente haverá entre nós. Pequenas diferenças serão elas, se pensarmos que este mundo é tão vasto e colorido, e que a vida é demasiado breve para que pequenas diferenças se tornem grandes.

Obrigada por me convidarem a juntar-me a vocês.

A PRIMEIRA MANHÃ




Do rio Cértima é este vale que nos acolhe, nos alimenta o olhar, nos faz procurar o sentido da vida..