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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ARLEQUINS E POLICHINELOS POLITICOS

Portugal está seguramente no caminho da prosperidade e da plena e geral felicidade. Depois de ter sido informado o mundo de que o cão de água português é o preferido e o potencialmente escolhido para encher de pêlo a casa branca, agora também Obama usa expressões utilizadas pelos nossos políticos nos seus discursos. E para quem duvida basta rever o de ontem no Congresso e constatar que o homem citou Paulo Rangel aquando da sua intervenção no debate quinzenal que ocorreu ontem no nosso português parlamento. O décalage temporal não interessa para nada. E já agora, desculpem lá o termo em francês mas é que não me apetece dizê-lo num idioma menor.

Ladies and gentlemen...those days are over!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

SERMAO DE S.PINOQUIO AOS PEIXES

Corre sibilinamente entre os peixinhos do Cértima, que ouviram por entre marulhos, dos peixinhos do Águeda, que por sua vez ouviram dos peixinhos do Vouga, a notícia de que S. Pinóquio rondará as margens deste último a curto prazo, tendo-se até já posto a caminho. Dª Monstra, a Baleia, uma papona irregenerável e avara, terá alegadamente deglutido a Solução para a Crise como moeda de troca pela vida de seu tio Gepeto. S. Pinóquio virá corajoso e armado de eloquência e arrojo, como sempre, até ao seu esconderijo, calcula-se algures acima do Poço de S. Tiago para, a título de mais um sermão aos peixinhos, aproveitar a oportunidade para atirar-se à monstra e assim salvar a Solução. O Grilo falante, sempre consciencioso, foi avisando-o sem, no entanto, colher daí qualquer resultado – S. Pinóquio tenha cuidado, os peixinhos não são confiáveis e estão muito descontentes. Mas ele não faz caso e, como um menino valente e santo, virá sem dúvidas, sem medos, sempre de arma em riste e não se deixando intimidar por coisa alguma. – Eles que nem pensem que conseguirão demover-me dos meus propósitos. Encontrarei D. Monstra e arrancar-lhe-ei ainda que da amálgama das suas vísceras, a maldita Solução. E aí vem, escoltada por um grande grupo de meninos que conseguiram a custo safar-se à transformação total em burros, hasteando as suas orelhas e os seus rabos típicos de quem comete maldades umas atrás das outras mas nem assim se dignam baixar cachimbo. O distrito está em polvorosa: S. Pinóquio e a sua trupe estarão área. Peixinhos do Cértima, camaradas vizinhos e amigos – Alerta! Organizem-se, porra!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

BLIMUNDA A DALTONICA

Ninguém à minha frente, apenas um semáforo. Não estava em mudança de cor. A cor já estava estável quando me aproximei reduzindo a velocidade com a calma e a serenidade que a operação requer. Ouvi uma buzinadela longínqua apesar de ter saído da viatura que me antecedia. Não pensei em nada. Segunda buzinadela e olho pelo retrovisor resmungando com os meus botões - Mas que raio quer este gajo? Será alguém conhecido a tentar dizer-me que está atrás de mim? Burro que nem uma porta! Como quer ele que eu consiga saber quem é se não se vê nada para trás? - Terceira buzinadela. – Dass!!! Que anormal! - Subitamente num fash de presença de espírito vejo uma cor verde a fugir-me do raio de visão passando a laranja ou amarelo dependendo do grau de daltonismo de cada um e depois a vermelho. - Cum caraças! Tou pior! - Afundei-me no assento e esperei pelo regresso do verde agora já sem buzinadelas. Em ponto de embraiagem aguardo o momento de fugir rápido dali. Como seria de esperar, o condutor de trás aproveitou para passar-me ao lado assim que dei pisca para seguir pela via da direita e mudar de sentido. Sabia que vinha lá mimo e veio - nova buzinadela e um “ Dah” gestual. Com um encolher de ombros sorri e soprei-lhe um beijo. E lá foi o homem feliz porque lhe tinham dado oportunidade de fazer mais um “Dah” a uma mulher. PQP!!! Fico nas horas do caraças quando merdas destas me acontecem! Preciso urgentemente de férias!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

OS BONS EM TUDO

Era uma vez um grupo de meninos muito vaidosos e possuidores de um desmedido orgulho na sua fardinha. Pouco lhes importava se pertenciam ou não a uma escolinha onde muitos outros meninos também tinham fardinhas, embora diferentes, mais escuras, sóbrias, menos brilhantes. Quando lhes perguntavam quem eram, onde pertenciam e o que faziam respondiam como se o nome do seu grupo fosse omnipotente, clarividente e grandiloquente – somos os Bons em Tudo.

Ora, como se sabe, os Bons em Tudo prestavam vassalagem ao Director Geral da Escolinha da Grande Nave da Rambóia. Um belo dia o Sr. Director que está lá no Governo a mandar no senhor Director que está na escolinha grande, que por sua vez está na escolinha grande a mandar nos senhores directores que mandam nas escolinhas mais pequenas, lembrou-se de reorganizar os diferentes grupos da Escolinha em Geral. Foi aí que a porca torceu o rabo porque os Bons em Tudo perderam a fardinha clarinha, o chapeuzinho característico, os carrinhos brancos às listas e o pior de tudo o crachá. Isso é que foi uma grande chatice! O seu espírito de grupo veio ao de cima e toca de se manifestarem da forma que melhor sabiam fazer – fazendo nada. Deixaram pura e simplesmente de brincar. Fazem de conta que brincam! Vão para a rua em bandos e deixam-se ficar com os seus ainda carrinhos brancos às listas a ver os outros meninos todos nas suas correrias diárias e em vez de se juntarem e fazerem uma força maior como a daquela menina do Euro e do Scolari que agora não me lembro como se chama, tratam de tirar boas sonecas e esperar que o tempo passe.
Ora isso é que é falar! O país está todo lixado mas os meninos lindos e Bons em Tudo capricham porque deixaram de ser Bons em Tudo passando a ser apenas mais uns meninos que pertencem e obedecem directamente aos seus directores das escolinhas Grande Nave da Rambóia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

CRONICA ARGUMENTATIVA

Não obstante a minha total concordância com o nosso amigo JG, o que aliás de uma ou outra forma quase sempre acontece (vá-se lá saber porquê), gostaria de tecer alguns comentários sobre o entendimento que fiz da forma como se debateu ontem, no programa “Prós e Contras”, o assunto “Casamento Homossexual”.

É contra séculos de cultura que nos injectam desde cedo que tento cultivar e alimentar na minha natureza a tolerância, a compreensão e o respeito pela diferênça. Admito que não percepciono com a mesma visão a manifestação pública de carinho entre pessoas de sexos opostos e pessoas do mesmo sexo. Nada a fazer! É mais forte do que eu! Causa-me um mau estar que se tem manifestado persistente e de difícil combate.

A minha posição pessoal nada tem a ver com o que ontem constatei durante o debate do programa da Dr.ª Fátima Campos Ferreira que engorda a olhos vistos de semana a semana. A Doutora e não o programa, obviamente.

Não sendo obstativa, para o efeito, a minha posição pessoal conclui que, ou por falta de concretos, irrefutáveis e válidos argumentos ou porque simplesmente são pessoas pouco informadas, os “Contra” manifestaram-se um bando de galinhas tontas sem saber de que lado reclamar a atenção do seu galo. Desde padres a professores universitários, nenhum foi capaz de dizer “coisa com coisa”, alegando, pelo contrário, razões mais do que risíveis e burlescas para defender as suas posições, como exemplarmente alegar que os bissexuais também não podem casar com os dois géneros pelos quais se sentem atraídos sexualmente.
Ora, tal como seria expectável, esta intervenção “universitária” foi prontamente arrasada com a contra-posição de que os homens que se sentem atraídos por um número indefinido de mulheres não se casam com todas elas. Já por seu lado, os eloquentes defensores do “Prós” apresentaram razões coerentes, credíveis e válidas. Honra lhes seja feita. Pelo menos demonstram que sabem o que querem e pelo que lutam.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

FUNES, O MESTRE II

Há coisas que têm mesmo que ser publicitadas. Funes acrescentou hoje uns valentes gigabytes à já titânica consideração que nutro pelo homem que tem anunciado ser.
Sem qualquer tipo de reserva, passado 30 anos, desnuda-se de alto a baixo confessando um amor platónico de uma forma absolutamente reverencial.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A BEIRA DO DESEMPREGO

“De Norte a Sul, milhares perdem o emprego. Como resistir? O que fazer para contornar a crise? Centenas de desempregados marcam presença no maior programa da televisão portuguesa. Frente-a-frente: o Ministro do Trabalho, Sindicatos e o maior partido da oposição.” – Este foi o mote de abertura do programa “Prós e Contras” de ontem.
Do público, entre outros que não tive oportunidade de ouvir, verborreou um intitulado empresário, de uma indigente quase inimputável postura que conseguiu granjear a minha solidariedade para com os participantes convidados da bancada principal, a saber, Vieira da Silva, Ministro da Segurança Social, António Borges do PSD, Carvalho da Silva da CGTP, João Proença da UGT, António Saraiva da CIP e Alberto Figueiredo, outro empresário. Senti que, assim como eu, também eles sentiram vergonha. E porquê? Perguntam vocês. Porque tenho vergonha que pessoas que têm obrigação de dignificar levando a sério um problema gravíssimo, se apetrechem com representações teatrais, absolutamente ridículas e que com isso consigam confundir e atormentar ainda mais as vitimas dos desmandos de quem nos governa. O pobre homem, dono de uma chafarica do ramo dos têxteis com 10 empregadas clamava há mais de já-não-me-lembro quantos anos, mais 10 que não conseguia de forma alguma. Esqueceu-se, entretanto, de referir que provavelmente explora as trabalhadoras não permitindo sequer que vão à casa de banho e que as persegue para que produzam como escravas. Esqueceu-se, provavelmente, de referir que não as deixa parar para que possam alimentar-se a meio da manhã, que não se suporta o frio no inverno nem o calor no verão debaixo das telhas de zinco da chafarica. Enfim, uma série de justas causas para que as pessoas se recusem a trabalhar para ele. Atestou ainda que somos um país de ricos e que não há qualquer crise porque ninguém quer trabalhar sendo a culpa do governo que dá tanto de subsídio como ele de salário, salário esse a que é obrigado por lei, nem mais nem menos 1 centavo. E continuou gesticulando e arremessando acusações a torto e a direito, desde às instituições de Guimarães, até aos senhores da bancada principal. Atestou ainda que não paga nem pagará um centavo que seja à segurança social nem ao Estado, que primeiro pagará aos trabalhadores. Esqueceu-se novamente de referir que aos trabalhadores não se esquece ele de descontar os devidos impostos que, por sua vez deveria entregar ao Estado e não entrega. E o desenrolar de puras alarvices foram tantas que continuar a desfiar rosário seria tarefa ingrata para quem escreve e para quem lê.
Não me espanta nem me surpreende que pessoas assim empreguem subjugando outras pessoas àquilo que se possa entender como emprego. O que me espanta e me causa ainda alguma indignação é que instituições como a RTP na pessoa da Dr.ª Fátima Campos Ferreira se aproveitem destas infelizes realidades para dar ênfase, popularidade e audiências a um programa televisivo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

FUNES, O MESTRE!

É dado adquirido que sou fã incondicional de Funes, el memorioso. De entre inúmeras postagens pedagógicas, lúdicas, dogmáticas, pragmáticas, enfim, enriquecedoras a vários níveis, encontrei há tempos esta que hoje me apeteceu reler e partilhar convosco e com a devida vénia ao seu autor, tomar a liberdade de aqui transcrever.
"Do Desejo
Sou masoquista.
Acredito na felicidade pelo eterno sacrifício e pela eterna renúncia. Não pela renúncia ao desejo, à maneira do estóico ou do oriental. Mas, ao invés, pela renúncia, de certo modo platónica, à consumação do desejo que infinitamente se cultiva.
Acredito que ser feliz não é não desejar. É desejar ilimitadamente, sem nunca chegar a ter.
Não creio que seja caminho a todos recomendável."
Funes, el memorioso, 2006-12-05

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O SONHO DO VALENTIM! PIM!

Raios partam os dias pré-estabelecidos para se comemorar seja o que for! Sou completamente avessa a esta treta! Vão ludibriar outra! Lamechices e ró-nhó-nhós servem a mentecaptos! Basta! Pum! Basta! Uma geração que consente deixar-se ludibriar por falsas e fúteis comemorações do dia de (…) é uma geração que nunca o foi! É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração dos dias de(…)! Morram os dias de(…)! Morram! Pim!
P.S - Esta coisa tem já quase um ano e é uma segunda edição. Para quem não sabe, claro! Não linco porque a gaja não me cobra direitos de autor. A foto não faço ideia de onde caiu.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

DASSSSSS

Atenção que isto é para se ler aos berros.

DASSSSSSS!
PQP ESTA MERDA!
VOU FAZER EXTENSÕES E DAR VOLUME AO CABELO!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O QUE É DEMAIS É MOLÉSTIA!

É bem verdade que nada é original. Já pensei desatar a inventar palavras nunca antes proferidas e que ninguém entenda até que alguém lhes ache alguma graça e se atreva a repeti-las uma e outra e ainda outra vez até que acabem encaixando a curto prazo no vocabulário corrente e a longo no dicionário. É óbvio e evidente que terá alguém que se lembrar de lhes dar um significado aceitável, corrente e mais ou menos substanciado para que a coisa entre na moda. É esta minha falta de iniciativa que me tolhe e me impede de fazer postagens. Por todo o lado se lê “coisas” sobre Obama, sobre Israel e a Faixa de Gaza e sobre o diabo a 7. Sempre uns tentando antecipar-se a outros e dizer mais e melhor que todos. Confesso, estou cansada e nem estou para aí virada. Será talvez mérito desta meteorologia multi-depressiva. Ok, está no tempo dela, mas o que é demais é moléstia!

domingo, 18 de janeiro de 2009

MANAGEMENT GENIUS

Foi numa conferência intitulada “ A Libertação da Sociedade Civil”, pasme-se, que o popular líder da comunicação social e presidente do grupo Impresa, para quem não sabe, Dr. Francisco Pinto Balsemão, lançou o mais risível e absurdo, no meu modesto entender, repto ao governo: benefícios fiscais em matéria de IRC para as empresas que aumentem o seu investimento publicitário em 2009. E adianta, como se não fosse, por si só, facilmente compreensível o alcance e objectivo prático desta proposta: "Não se trata de mais um subsídio, mas de um incentivo às empresas que, em vez de se deixarem mergulhar na crise e começar a cortar pelo mais fácil, a publicidade, façam um esforço de investimento no sector".

Apesar de não ser pessoa de sorriso fácil, não me coibi de largar uma valente gargalhada ao ouvir tamanho dislate. Ainda assim, dando a respectiva margem de crédito que, por natureza, dou a todas as alminhas e no sentido de encontrar o fio condutor das boas intenções de tamanha patranha, tentei desmantelar a coisa, spot por spot. Senão vejamos: não basta ser já o papalvo do consumidor bombardeado com publicidade enganosa e menos enganosa por todos os poros, teria ainda que pagar para o ser? E com que finalidade? Dinamizar a economia? Certo! E é assim que se dinamiza a economia? A enganar o Zé Povo e a conduzir as famílias ao consumismo exacerbado que as levou à situação de falência em que se encontram neste momento?

Apliquemos este cenário à vida real e visualizemos a cena na praça de peixe da Costa Nova.
- Quanto é?
- São 8 aeros freguesa.
- 8 euros? Mas ali está escrito que a dourada está a 7 euros o quilo!
- Ó minha santa, o que está a mais é o preço do meu pregão.

Há de facto verdadeiros cérebros empresariais! Quem teria tamanha eficiência e pujança empreendedora para propor a um governo a aplicação do dinheiro dos contribuintes em mais valias para as grandes empresas e que se resume ao pré-pagamento da sua própria burla comercial? É de génio, convenhamos! Primeiro os banqueiros, depois as empresas de comunicação social! Caso para perguntar: qual será a próxima associação criminosa que vai pedir e, quiçá, obter incentivos à produção? O gang do multibanco? Este talvez não, visto que foi aparentemente desmantelado. Outros farão pleno uso do seu direito ao assalto do bolso dos papalvos contribuintes através da magnânima, beneficente e incentivadora política do nosso governo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

NINGUÉM LHO TINHA DITO

“ Também o fuzilado esperava no outro extremo do pátio, sangrando lentamente. - Não lhe tinham contado, meu tenente? Todos sabem disso. Não. Ninguém lhe tinha contado. Na Escola de Oficiais fora treinado para lutar contra países vizinhos ou contra qualquer filho da puta que invadisse o território nacional. Também o treinaram para combater os meliantes, para os perseguir sem piedade e dar-lhe caça sem trégua, de modo que os homens decentes, as mulheres e as crianças pudessem caminhar tranquilos pela rua. Essa era a sua missão. Mas ninguém lhe disse que teria de dar cabo de um homem amarrado para fazê-lo falar, não lhe ensinaram nada disso, e agora o mundo estava a virar-se do avesso e ele tinha de ir dar um tiro de misericórdia naquele infeliz que nem sequer se queixava. Não. Ninguém lho tinha dito.”

“De Amor e de Sombra” – Isabel Allende.

São milhões e milhões os anos de histórias de guerras que assombram a humanidade. Hoje como ontem e como, sem dúvida, amanhã, outros relatos se seguirão. As atrocidades que nos descrevem provocam ondas do mais violento e indignado repúdio pela guerra e suas consequências mas nunca o suficiente para as evitarmos.

Ensinam-nos a honrar e a defender com a própria vida uma estéril bandeira, grávida de simbolismo, vácua de realismo, seja ela da pátria, da arma militar, do partido ou do clube de futebol. Enquanto o letrado povo ensina, treina, instrui, o povo raso captura, destrói e mata desconhecendo que é a si próprio que tortura e executa, porque não, ninguém lho tinha dito.

E é sempre da morte que se trata!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

MUITO RISO POUCO SISO!

Tudo vai bem quando está bem. Para o nosso PM nada estará mal, nem a célebre divergência presidencial relativamente ao já famoso Estatuto dos Açores e a grave alteração aos poderes constitucionais do PR levada a cabo com esta promulgação obrigatória, nem a crise que ora não é nossa ora já é, nem tão pouco a recessão que ora nunca será nossa ora se inicia já a seguir. Parece que foi hoje. Estamos, portanto em recessão, seja lá isso o que for. Quer queiramos quer não, de uma ou de outra maneira, estamos todos lixados, mas o nosso admirável, recto, intransigente e bem disposto primeiro-ministro ri-se até à lágrima. Lágrima não que o homem deve ser seco que nem um figo, mas até a vermelhidão dos olhos.

José Sócrates acompanhado pelo ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira e pelo chefe de Estado Maior do Exército, general Pinto Ramalho, ouve as Janeiras entoadas pelos estudantes do Colégio Militar, do Instituto de Odivelas e do Instituto Militar dos Pupilos do Exército e, num acesso de gentileza, resolve promover Nuno Severiano Teixeira à patente de general, o que provoca um riso desmedido e despropositado aos dois ministros.

Quando do alto do seu sisudo militarismo, o general propriamente dito diz, a jeito de “ qual é a piada?”, a Nuno Severiano que “não lhe ficava mal”, a patente, claro está, que o muito riso já começava a cheirara mal, este responde, a jeito de “ desculpe lá o mau jeito” que não senhor não ficava nada mal mas que a marinha é que podia ficar melindrada.

Confesso que não entendi a piada e continuo na dúvida sem saber a razão de tal suposição ministerial. Por que carga de águas ficaria a Marinha melindrada? Será possível que o nosso ministro da defesa não saiba que a Marinha não tem generais e que a patente que se lhe equipara é a de Almirante. Não percebi! Ou é o meu sentido de humor que anda pelas ruas da amargura ou então estamos cada vez pior.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

FIQUEM BEM!

Nada tenho contra a tradição e não desgosto de festas que promovem o calor humano e que, quanto mais não seja embora talvez a custo, ajudam as pessoas a lembrar que, afinal, o universo não se resume à individualidade de cada um.

Do que não gosto nem suporto é de palavras de circunstância, palavras vazias de sentido, palavras que são ditas porque são de ser. Palavras que à semelhança dos ritos, se sobrepõem ao verdadeiro espírito da ocasião. Desprezo palavras de pesar ou pêsames, palavras de encorajamento, palavras de felicitações, palavras de votos, palavras que atestam falsos sentimentos.

As pessoas que me conhecem e que gostam de mim sabem, sem que tenha que o atestar com expressão, que desejo o melhor a todas as pessoas, agora e em qualquer hora, seja Natal ou Carnaval. Desejo tudo de bom às que me respeitam e que me elevam aos píncaros da auto-estima assim como a aquelas que tentam humilhar-me pela exibição da única faculdade que lhes dá esse direito - o poder de poder determinar o saldo da minha conta bancária - às que me julgam enorme e às que se acham enormes e com autoridade moral para julgar a minha própria moralidade. Não sinto qualquer necessidade de exprimir estes meus desejos a ninguém em especial nem em qualquer especial ocasião, assim como não sinto de os receber. São, portanto, valores e desejos intemporais e universais. Fiquem bem!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ATÉ JÁ

Quando o trabalho aperta e o sentido de inexorabilidade desperta apercebemo-nos que apesar do tempo ser o que dele fazemos e que, por mais que disso tenhamos vontade, não volta atrás. A verdade é que há urgências que não podem, não devem, ser deixadas ao abandono e à mercê do toque implacável do tiquetaque. Vou estando à espreita, esgueirando os olhares que a odiosa responsabilidade, essa enfadonha fada dos seres imputáveis, me permitir.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A VIDA EM APNEIA

Ensonada estica o braço e cala a voz decapadora de sonos que se esganiça da geringonça radiofónica do lado esgueira-se do quente dos lençóis cambaleante entra na casa de banho senta-se na sanita não precisam de saber para quê nem porquê dirige-se ao lavatório lava os dentes põe a água do chuveiro a correr tira o pijama toma o seu banho enxuga-se arrepiada penteia-se e seca o cabelo veste-se e dirige-se à cozinha coloca a taça de leite no micro-ondas retira-a coloca-lhe os cereais senta-se à mesa come os cereais levanta-se deposita a taça vazia na banca liga a máquina de café aquece a chávena no micro-ondas tira o café toma o café fuma um maldito cigarro dirige-se ao quarto das crianças mais um calvário para despertá-las do sono quinze minutos passados vence e finalmente rouba-as aos braços de Morfeu faz-lhes a higiene despe-lhes o pijama veste-as dá-lhes o pequeno almoço depois de ligar a televisão da cozinha para verem os bonecos enquanto comem prepara os lanches faz as camas pensa no que há-de fazer para o jantar vai ao congelador retira o saco de alimentos destinados à refeição nocturna coloca-o na parte debaixo do friogorifico pega nas mochilas e arrasta as crianças que resmungam porque não querem desligar a televisão descem as escadas entram no carro e finalmente não tendo em linha conta os passos autómatos esquecidos a este relato cada um enfiado o melhor que consegue dentro do seu casaco anti-inverno saem de casa.

Pedimos desculpa pela interrupção o programa segue dentro de momentos sendo certo que do tempo dos momentos nada mais sabemos de que tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

VIOLÊNCIA OU EDUCAÇÃO

Há cerca de duas semanas relatei em post um episódio entre um adulto e uma criança intranquila e rebelde ao qual dei o título de “Educação ou Violência”. Não referi, no entanto, que a reacção à bofetada que a criança infligiu ao adulto como resposta à sua advertência verbal foi devolver-lhe a bofetada, evidentemente com a intensidade adequada à idade da criança. O caso foi, como seria de esperar, polémico. Depois das devidas explicações e pedidos de desculpa ao grupo de educadores incluindo os progenitores o adulto encerrou a questão de bem com a sua consciência.

Passadas as mesmas duas semanas, a criança dá de caras, pela primeira vez depois do incidente, com o mesmo adulto. De olhar tímido e apreensivo a criança estancou a sua correria ao deparar-se com a pessoa que lhe dera uma bofetada há uns dias atrás, esta por sua vez, abraçando o seu próprio filho. Apercebendo-se do constrangimento da criança, o adulto chamou-o dizendo-lhe que era seu amigo e que podia aproximar-se porque gostava muito dele. A criança, aliviada aproximou-se e disse-lhe: “Mas eu bati-te e belisquei-te.” O adulto abraçou-o e disse-lhe: “Pois foi e sabes que isso não se deve fazer nunca”. A criança acena afirmativamente com a cabecita e pergunta com a maior simplicidade e honestidade: “ E tu desculpas-me?”.

É irrelevante o relato da restante conversa porque o essencial está dito. Criança e adulto desculparam-se mutuamente e acabou ali, antes de começar, uma guerra. Estou certa de que aquela criança não voltará a esquecer a bofetada que recebeu em troca da que deu. Estou certa de que o objectivo daquela bofetada foi atingido e, mais do que tudo, estou certa de que foi educação e nunca violência. Estou certa, ainda, de que se os adultos entre si tivessem a imensurável sabedoria e desinteressada humildade das crianças a vida seria muito mais aprazível para todos, crianças e adultos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

FOBIAS IDEATIVAS

"Estou actualmente atravessando uma daquelas crises a que, quando se dão na agricultura, se costuma chamar "crise de abundância".

Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos, e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher que algumas se perdem, por elas serem tantas, e outras se não podem ler depois, por com mais que muita pressa escritas. As ideias que perco causam-me uma tortura imensa, sobrevivem-se nessa tortura escuramente outras. V. dificilmente imaginará que a Rua do Arsenal, em matéria de movimento, tem sido a minha pobre cabeça. Versos ingleses, portugueses, raciocínios, temas, projectos, fragmentos de coisas que não sei o que são, cartas que não sei como começam ou acabam, relâmpagos de críticas, murmúrios de metafísicas... toda uma literatura, meu caro Mário, que vai da bruma - para a bruma - pela bruma...

Destaco de coisas psíquicas de que tenho sido o lugar o seguinte fenômeno que julgo curioso. V. sabe, creio, que de várias fobias que tive guardo unicamente a assaz infantil mas terrivelmente torturadora fobia das trovoadas. O outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa e por tarde não havia carros. Afinal não houve trovoada, mas esteve iminente e começou a chover — aqueles pingos graves, quentes e espaçados — ia eu ainda a meio caminho entre a Baixa e minha casa. Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar, com a tortura mental que V. calcula, perturbadíssimo, confrangido eu todo. E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto — acabei-o uns passos antes de chegar ao portão de minha casa —, a compor um soneto de uma tristeza suave, calma, que parece escrito por um crepúsculo de céu limpo. E o soneto é não só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito. O fenômeno curioso do desdobramento é a coisa que habitualmente tenho, mas nunca o tinha sentido neste grau de intensidade... "

Carta de Fernando Pessoa ao amigo Mário Beirão, 1 de Fevereiro de 1913

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

SER PROFESSOR

À minha amiga Valentina com 60 anos, professora de Latim e Português que, com grande desgosto, pedirá reforma antecipada no final deste ano lectivo por não aguentar mais o descalabro do ensino e das medidas do actual ministério. À minha amiga Valentina que, nada mais tendo a perder, está hoje em Lisboa, debaixo do temporal que se sente, a lutar pelos direitos e deveres dos seus colegas em início ou meio de carreira. À minha amiga Valentina que quando eu era aluna já era professora e que como professora soube cativar a minha amizade e admiração por ela como pessoa.

Ser professor é ser artista,
malabarista,
pintor, escultor, doutor,
musicólogo, psicólogo...
É ser mãe, pai, irmã e avó,
é ser palhaço, estilhaço,
É ser ciência, paciência...
É ser informação,
é ser acção.
É ser bússola, é ser farol.
É ser luz, é ser sol.
Incompreendido?... Muito.
Defendido? Nunca.
O seu filho passou?...
Claro, é um génio.
Não passou?
O professor não ensinou.

Autor Desconhecido