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quinta-feira, 24 de junho de 2010

JOGADOR DE FUTEBOL GANHA MAIS, ORA!

Quem trabalha com sabedoria, empenho e sentido de responsabilidade sabe que não precisa de ser supervisionado no seu trabalho para que ele produza efeitos positivos e lucrativos. É evidente que é necessário um período de aprendizagem, mas sobretudo é necessário espírito dinâmico e vontade de aprender e chegar sempre mais à frente, seja em quantidade seja em qualidade do serviço que presta. É evidente que nem todas as pessoas têm essa capacidade e para isso é imprescindível a presença de alguém capaz de produzir essa avaliação e proceder em consonância. Que alguém que, pela sua intervenção operacional qualificada e que contribua para resultados de excelência em determinada empresa seja remunerado acima de um trabalhador médio/indiferenciado apesar de também aqueles serem imprescindíveis para se atingirem resultados excelentes, é aceitável. O que não poderia jamais ser aceitável e é-o sem que ninguém se importe verdadeiramente, é que seja superior em 700%. Isto é, o salário de um chefe de departamento de uma empresa estatal daria para pagar a sete funcionários dos quadros médios e a 10 indiferenciados. Segundo um estudo encomendado pelos bons samaritanos liderados por um belo coelhinho playboiano que por aí vagueia, existem, em média, 60 chefes em cada empresa do estado. Excepção seja feita à Refer, que é uma empresa que prima por resultados excelentíssimos – só 113 milhões de euros de prejuízo em 2009 – que apresenta um gang de 158 chefes, sendo certo que um considerável número deles são chefes de si mesmos já que não têm subordinados. A completar este quadro brilhantíssimo e que retrata na perfeição o busílis da situação económico-financeira do país, temos uma carteira de salários que ronda os 6.300 euros por chefe/mês, havendo ainda alguns, que devido ao revestimento a ouro da sua massa encefálica, merecem ainda mais, ganhando acima dos 8 mil euros por mês.

Agora venham dizer-me que o problema está nas pensões de velhice, nos abonos de família, nos apoios sociais em geral, nas ambulâncias do Inem e no não-pagamento de portagens nas vias que foram construídas com o nosso dinheiro.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

CHAMEM-LHE O QUE QUISEREM

São escassas as vezes em que não lhes chamam utópicos. Quase sempre rotulados de dinossauros, não pela imponência do animal com que os identificam mas mais pelo desuso dos ideias que representam e alegada extemporaneidade das cores da bandeira que empunham, são tolerados em nome de uma democracia que de si nada tem senão o nome.
Na sequência do momento económico e político que o país atravessa manifestam, da forma que lhes é inerente e possível, o desacordo e a aflição que é comum à maioria dos portugueses, ainda que essa maioria nada faça senão esperar que passe a tempestade e bocejar.
Mais do que dizer não, apresentam propostas não se limitando ao lava-maõs característico dos acordos de interesse particular em santo nome do país. Ora, ao que me foi dado perceber, vão ser levados a debate quatro projectos que constituirão eventual oportunidade para introduzir justiça e equidade fiscal no país, manifestando-se como uma real alternativa ao plano de austeridade acordado entre os líderes governamental e opositor.
Sempre por defeito e excluindo os efeitos da tributação do património de luxo, andará à volta de um ganho de três mil milhões de euros (3.000.000,00 €) por ano de receita que se poderia obter caso fossem implementadas as mediadas propostas.
A saber, tratar-se-ia de imputar responsabilidades e dividir esforços pelo sector bancário e financeiro, à custa da tributação adicional dos lucros escandalosos de grandes grupos económicos e do combate acrescido à evasão fiscal e aos sistemas fiscais privilegiados.
1 - Criar um novo imposto sobre as Transacções e Transferências Financeiras, (ITTB), que taxaria em 0,1% todas as operações realizadas no mercado regulamentado e não regulamentado da EURONEXT Lisboa e taxando em 20% as transferências financeiras para os paraísos fiscais.
2 - Tributar extraordinariamente os patrimónios mais elevados, através da introdução temporária, (até 31 de Dezembro de 2013), de taxas agravadas de IMT (Imposto Municipal sobre Transacções Onerosas), de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), de ISV (Imposto sobre Veículos) e de IUC (Imposto Único de Circulação), incidindo sobre prédios de valor superior a 1,2 milhões de euros, sobre veículos ligeiros de passageiros de custo, antes de impostos, superior a 100 000 euros e sobre a detenção de iates e aviões particulares.
2 – Tributação efectiva em sede de IRC com a taxa de 25% sobre os lucros superiores a 50 milhões de euros do sector bancário e dos grandes grupos económicos, deixando estes grupos de poder deduzir qualquer tipo de benefícios fiscais até ao final de Dezembro de 2013 e, ainda, a eliminação de todos os benefícios fiscais que são hoje concedidos, em sede de IRC, ao sistema bancário e financeiro e às entidades gestoras de produtos financeiros com estabelecimentos situados na Zona Franca da Madeira.
4 - Revogação dos benefícios fiscais que hoje beneficiam os PPR, repondo o que o Orçamento do Estado para 2005 veio consagrar.
Tenho sérias dúvidas de que haja alguém pertencente às denominadas classes média e baixa que discorde da razoabilidade e justiça da aplicação destas medidas. Tenho sérias dúvidas de que haja alguém, excluidos os da cor da bandeira dos proponentes, que levante o dedo na concordância e na exigência de que sejam estudadas e aprovadas as medidas propostas. Todos nós, de uma ou outra forma mais ou menos mansa, que de mansidão percebemos nós, nos insurgimos contra a pilhagem generalizada dos grupos económicos visados. Ainda assim, são poucos ou nenhuns os que se tronam revoltosos. No dia em que a fome grassar e se virar o feitiço contra o feiticeiro, não mais se tratará de vilipendiar cores e símbolos porque o vermelho vivo do sangue vertido pelas ruas entupidas de corpos sucederá à ganância e antecipará a morte arrancada à vida à força das velhas alfaias.

terça-feira, 25 de maio de 2010

CADA MIGALHA É PÃO

Há já algum tempo que me tenho vindo a abster de me manifestar sobre o estado da nação e/ou sobre os desmandos dos governantes. Não que nada tenha a dizer, não que concorde ou discorde das políticas assumidas, não que esteja tudo bem ou tudo mal. Têm sido maiores e mais fortes o cansaço, o tédio, a impotência sabida de palavras escritas a tinta branca e não escarlate e que nada pesam na balança do poder. É a triste consciência de que não existem Catarinas Eufémias nem padeiras de Aljubarrota. E, a menos que incorpore o caudal do mesmo rio e me deixe rebolar leito abaixo com a corrente ou em contrapartida me arme em revolucionária de cravo ao peito alvejada pelo facto de fazer ou não a depilação às pernas ou ao buço ou pela louca genica do que pela bravura e pela determinação, qualquer palavra que escreva cairá em saco roto. O que me acode e concorre neste momento para a materialização das palavras que se me escapam da cabeça para a ponta dos dedos é tão-só a vontade de gritar, a vontade quase incontrolável de chorar perante a certeza de que neste país dificilmente fará sentido esperar que aconteça justiça, equidade e probidade entre governantes e governados, independentemente do âmbito da governação. Como se os senhores deputados, aqueles senhores que propõem, ditam e aprovam leis que, sumariamente, lhes facilite a vida, tivessem parcos meios financeiros para o fazer. A quem foi, a título de exemplo, retirado cinco por cento do salário, coitadinhos, cinco por cento enquanto que aos outros, aos sacanas dos outros, é apenas retirado um ou um e meio. Àqueles senhores a quem depois de uma temporada numa assembleia supostamente do povo abrindo e fechando Magalhães e nos intervalos a boca para dizer umas bacoradas valentes, passam a ter direito a beneces que a maioria de nós desconhece. É a esses senhores que, em tempo de crise apontados e publicitados como o estandarte do bom exemplo, se lhes retirou cinco por cento ao salário - porque Dona Merkle Branca mandou - mas e sem que se note em demasia, se aumenta significativamente o orçamento para transporte, deslocações e estadas, despesas com seminários, exposições e similares, artigos honoríficos, decoração do Parlamento - pasme-se - e “outros trabalhos especializados” - uma caixinha de utilidades onde cabe tudo o que se lhe quiser enfiar dentro. Não haverá solução porque nunca ninguém lhes ensinou que cada migalha é pão.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

INCOMPATIBILIDADES

É minha convicção pessoal que uma das causas maiores do insucesso escolar e da irregular formação das nossas crianças é a deficiência dos modelos. É sabido que a evolução da civilização tem obrigado progenitores – primeiros responsáveis pela educação e formação das suas crianças – a delegar competências nessa área aos profissionais da educação, vulgo Professores. Esperam deles a capacidade para ensinar aos seus filhos a serem pessoas minimamente bem formadas dentro das normas e costumes socialmente aceites e a aprender a respeitar a integridade física e psíquica de cada ser humano, incluindo a deles próprios.

É notória a banalização com que, ao longo do evoluir dos tempos, se tem lidado com o corpo humano, mormente com o feminino. Já ninguém se escandaliza quando se vêm, a troco de cêntimos, em qualquer folhetim publicitário ou sem o menor dispêndio monetário nas acessibilíssimas páginas cibernéticas ou na televisão, reproduções fotográficas de corpos humanos nus e nas mais arrojadas e despudoradas poses.

Devido à tendencial ostracização ou estigmatização a que as pessoas que se obstem, de modo mais ou menos acentuado, à vulgarização do corpo humano e das relações pessoais e intimas, estão sujeitas é comum testemunharem-se profundas declarações públicas de pseudo aceitabilidade e aprovação das mais reprováveis condutas no que à reserva da intimidade e respeitabilidade pelo corpo de cada um de nós diz respeito.

Não me é cara a aceitação de que as pessoas são efectivamente livres para exercerem sobre o seu próprio corpo qualquer acção, seja ela em prol do seu próprio prazer ou do prazer alheio, desde que não colida com a liberdade e com o prazer das pessoas que, directa ou indirectamente, lhe estão, por força das circunstâncias, aglutinadas.

É do mais elementar saber que educador é aquele que para além de transmitir conhecimentos académicos, transmite com a mesma ou talvez mais veemente facilidade, padrões de comportamentos e valores através da própria conduta, sendo certo que, consciente ou inconscientemente, serão imitados.

Daqui resulta o seguinte: há profissões que são efectivamente incompatíveis. Ou se é vendedora da imagem do seu próprio corpo, vulgo modelo, e/ou do corpo propriamente dito – vulgo prostituta ou se é professora. As duas ao mesmo tempo é que…NÃO OBRIGADA!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SEMPRE MESTRE

Apesar de o ser humano ser egoísta por natureza é, de igual monta, o mais dependente dos seus pares. Só se realiza em sociedade.

Não têm sido poucas as vezes em que o Mestre manifesta desprezo pelas eventuais avaliações que de si possam fazer os outros. Ora, no meu humilde a roçar o orgulhoso entendimento, esta é uma forma falaciosa de contornar a desprezível dependência que todos nós sentimos da avaliação alheia.
Recordo um outro post seu (quem somos nós sem esse pilar de sabedoria que nos alenta o caminho?) nascido, do mesmo modo, da atribuição de um qualquer prémio, em que desfere duros ataques aos seus comentadores, atestando a sua total indiferença e desprezo pelo que pensam os outros da sua escrita. Na altura discordei, alegando que a sua escrita só existe porque alguém a lê e a comenta, caso contrário não existe, é nula. Fazendo os devidos paralelismos, entendo que a auto-suficiência da sua auto-avaliação é fraudulenta já que a segunda não é válida senão por oposição ao conceito geral da avaliação pública e exógena. No momento em que o Mestre radicaliza a máxima sofista de que o homem é a medida de todas as coisas, reclamando-a si mesmo, entra em total contradição com a natureza humana e, por conseguinte, consigo próprio. Em que códigos se procuram os valores para a avaliação, seja ela endógena ou exógena? Avaliamo-nos sempre por comparação, seja connosco mesmos seja com os outros. O sucesso ou insucesso é determinado por uma tabela de valores que nos foi imposta extrinsecamente e que se aplica e regulamenta os nossos comportamentos da mesma forma que se aplica e regulamenta os dos outros. Para ajuizarmos sobre determinado valor pessoal, fazemo-lo transpondo esse valor para o outro e calculando o que o outro ajuizaria sobre o mesmo valor. A auto-estima nasce da consciência que temos das nossas potencialidades por oposição ao conceito geral que nos é incutido pelos outros, através de avaliações e comparações externas. Ora, assim sendo, não vejo como se conseguir o radical corte com o julgamento alheio. Se nos auto-julgamos por tabelas de juízos que nos são impostas pelo exterior, entendo ser completamente descabida de sentido a pretensão de se ser único juiz em causa própria e achar que só esse julgamento será válido, verdadeiro e justo.

Na generalidade partilho da posição do Mestre sobre o poder do julgamento dos outros sobre mim própria. Não vivo por ele nem para ele. No entanto, e lamento profundamente que assim seja, tenho que admitir que não possuo o fardo das divinas omnipotência, omnisciência e omnipresença sobre os ombros. Sou simplesmente humana. Confesso que não encontro qualquer ligação entre os temas debatidos, tanto nos posts referidos do Mestre como neste próprio post, com o conceito que tenho sobre os sentimentos de orgulho e de humildade.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A CLASSE CEPHALOPODA

Esta “coisa” que se tem passado nos últimos dias com a comunicação social faz-me lembrar as notícias sobre a violência doméstica. Dizem os números que, de há um par de anos para cá, aumentou drasticamente. Ora, todos sabemos que, afinal, o que aumentou foi o registo das denúncias. O mesmo se passa com todo este alarido que se tem feito em volta das alegadas pressões para total controlo da liberdade de expressão ou, para que ninguém se encha de pruridos fazendo a devida destrinça, da comunicação.

Confesso que qualquer tipo de folclore me causa fortes crises de urticária, embora reconheça a necessidade e o valor da representação e registo cultural de todos os povos. Estas vozes que agora se fazem, copiosamente, ouvir, com repetidos sons agudos e lancinantes aos ouvidos dos que os têm já tão cheios de pungentes estridências desgovernadas, prenhas de uma gravidez psicológica predestinada a parir ventos de tudo menos de mudança, provocam-me surdez profunda e severa.

Desde quando a liberdade de expressão e/ou comunicação é sinónimo de divulgação da verdade? Quem, na posse das suas plenas faculdades cognitivas, pode afirmar-se bem informado, aquando da pluralidade de informação. É do mais primário engano que se trata. Quanto maior é a informação, menor é o conhecimento. Somos hiroshimamente bombardeados com verdades de uns fundamentadas nas mentiras de outros e nagasakimamente canhoneados com mentiras de outros alicerçadas nas verdades de uns.

O que me intriga não é a onda de indignação que por aí se fecunda como coelhos, consequência da proclamada isenta liberdade de investigação, sabe-se lá por que insondados meios e com que éticos procedimentos da, até à data, dita livre comunicação social. O que me intriga é tão-somente a capacidade que o povo tem de se deixar arrastar para as correntes que a mesma faz fluir. Ninguém se questiona sobre os reais motivos de uns e outros. É letra de lei o que se escreve e ninguém quer ler para além do que se lê. Eles são aos molhos os desditosos arrasados, erradicados das suas próprias casas ou crónicas, devido aos caprichos de um tirano chefe, cujo entendimento editorial não se cruza com o caminho da publicação de textos cujo conteúdo sofre da ausência do princípio do contraditório. E vai daí, demitem-se de beiça feita, da casa que é sua por direito de usucapião em vez de ficarem e continuar a usar da argamassa, e depois dizem-se os coitadinhos despejados do seu próprio tecto. E choram-se rios de tinta, mares de angústias antecipadas, roubadas ao futuro como quem rouba o apocalipse que há-de vir.

Entretanto, como quem não quer a coisa e até que outro iluminado e atento representante da tão apregoada liberdade de expressão e/ou comunicação se lembre de borrifar todas as páginas da sagrada Comunicação Social com mais uma informação livre e isenta e, por isso, verdadeira, ninguém se debruça sobre o facto de um qualquer administrador de empresa pública precisar de renunciar, dizem eles que eu não faço a mínima sobre os meandros em que se verifica tal renúncia, ao cargo de administrador executivo da mesma empresa, para poder preparar a sua defesa sem quaisquer constrangimentos e para que a sua presença nos órgãos sociais da PT não pudesse servir para lesar a imagem e a reputação do grupo e nunca, obviamente, por ter sido protagonista de conduta menos adequada aos requisitos do cargo que ocupa. De somenos importância terá saber quais as contrapartidas financeiras auferidas, ou a auferir por tal administrador com a sua saída da empresa pública e a falta de comentários dos seus chefes hierárquicos com a descabida afirmação de que a empresa nunca comentou ou transmitiu fora da sede própria – que é a divulgação de informação ao mercado – as condições de remuneração dos seus órgãos sociais, não fazendo qualquer sentido que abra uma excepção no presente caso. Até porque, a bem da verdade se deve sempre sublinhar o empenho e profissionalismo com que o auto-ou-nem-por-isso demitido administrador exerceu todas as funções que lhe foram atribuídas no seio do seu remunerador grupo empresarial.

E vêm-me radiosos Sete-Sóis e iluminadas Sete-Luas apontar o dedo à indubitável e inconfundível cova do polvo? Quem, em seu juízo perfeito, é que é capaz de afirmar que o bichinho vive em cova certa? Esse triste e odiado cefalópode que nem tentáculos tem, mas apenas uns míseros oito bracinhos com os quais procura o seu alimento, sabe Deus coitadinho, valendo-se apenas do seu especializado bracito hectocótilo para quando sentir ganas de fecundar alguém. A lula e o choco sim, esses malfadados cefalópodes, não se contentando com os mesmos oito braços, contam ainda com dois pujantes tentáculos com os quais travam verdadeiras guerras espermatófitas, capturam cruelmente as suas presas e fazem delas o que bem lhes apetece.
Já não há pachora para estas proliferantes classes de cephalophodas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DA DERROTA

De derrota em derrota até à derrota final. Assim assistimos, embasbacados, ainda que esperneando e rabujando, mas não mais do que isso por não sabermos fazer diferente, ao descalabro a que nos levam os senhores actuais da nossa guerra. Assistimos aos seus percursos, sem táctica nas estratégias percorrendo os mais morosos caminhos que poderiam calcorrear em busca de vitórias que desconhecem o destinatário. Sem estratégias sustentando a táctica, não fazendo senão ruído antes da derrota. A hora é sempre certeira nos seus sessenta minutos e o Fundo Monetário Internacional anuncia o fim da recessão para o próximo ano, com uma expansão de 3,1% da economia mundial. Outros afirmam que, apesar de a crise financeira ter, provavelmente, acabado, a crise económica agravar-se-á cada vez mais, sendo que se prevê uma terceira crise, desta feita que se tem ocultado por detrás dos dois primeiros grandes papões - a crise da competitividade. Como se esta fosse virgem e nunca se tivesse deixado beliscar nas suas intimidades. Devem querer que a seguir venha a crise da lucidez, porque não há santo que os entenda e aguente. Sustenta-se que o mundo dopou a economia internacional com dinheiro barato e negligenciou na adopção de medidas institucionais. Prevêem-se catástrofes de destruição maciça para o país a ocorrer nos próximos anos. Os talibãs atafulham o oriente de renovados mísseis e multiplicam bombas a repartir por homens, mulheres e crianças que não saberão na morte, o mártir que mata do mártir que morre. A dimensão das desigualdades na distribuição da riqueza em todo o mundo atinge, a cada dia que passa, proporções chocantes, indizíveis de tão vergonhosas. Não se vislumbram planícies de verdura, vales refrescantes nem montanhas de coragem para os filhos de hoje e, ainda assim, continuamos a fazê-los, deixando para amanhã o desassossego que se impunha tivéssemos tido ontem.

E enquanto o mundo pula e recua, de derrota em derrota até à derrota final, os nossos governantes e deputados, empregam o tempo, gastam horas, preenchem metros de folhas de papel, ocupam teras em suportes magnéticos, discutindo a semântica desta ou daquela expressão linguística, utilizada por este ou aquele indivíduo, com maior ou menor propriedade para tal, o sexo dos anjos - diga-se. E, assim, se ocupam e ocupam o povo, como se fosse vital ou fatal essa expressão, em lugar de cuidar da alteração do certeiro percurso desta batalha teimosamente vitoriosa e que, de derrota em derrota, cedo ou tarde, extinguir-nos-á com a derrota final.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MEA CULPA

Enquanto a malta se preocupa em celebrar as bodas de ouro do Astérix, mais um caso de corrupção e fraude fiscal é levada ao conhecimento público. A verdade é que cada vez mais, os crimes cometidos por quadros superiores de empresas públicas, empresas que são dos cidadãos que, cumpridoramente pagam os seus impostos e, infelizmente, dos que não pagam também, são investigados e levadas à tábua da Justiça. Não é menos verdade que a balança que por lá se usa - na Justiça - não é fiável, ainda assim, somos levados a crer que alguém terá mostrado serviço e justificado o salário auferido, não obstante, poder este vir a ser hipotecado por incumprimento das doutrinas do laissez-faire-laissez- passer. Cada vez mais me capacito que este país jamais terá solução à vista. Não, enquanto as pessoas se acomodarem cobardemente e olharem para o lado enquanto são descaradamente roubados, espoliados do fruto do seu trabalho por todos os que têm poder para o fazer. É tão mais fácil, enfiar-se numa fila interminável de alucinados e, assim, garantir a reserva de um milagroso ingresso para um concerto dos U2, que acontecerá daqui a um ano, se acontecer, se entretanto ao atravessar a rua, um desgovernado TGV não nos levar à frente. É tão mais fácil, acomodarmo-nos em frente ao televisor e regalarmo-nos com tapa-olhos “Fedorentos” e não nos incomodarmos com o facto de mais um qualquer ex-membro governamental ter enchido os bolsos ávidos de enriquecimento fácil e rápido, tendo sido cúmplice de exorbitantes roubos aos cofres do Estado. É tão mais simples ocupar o pensamento com discussões fúteis e estéreis sobre a senilidade ou sageza de um qualquer escritor que lança mais um livro polémico, ou ainda sobre a despudorada atitude de uma qualquer artista brasileira para com o povo português e os seus usos e costumes. Gastamos páginas e páginas de palavras escritas e lidas sobre a constituição do novo governo, sobre os desmandos das sucessivas desgovernações a que somos sujeitos, mas nada passa de palavras que se escrevem, se lêem para logo de seguida serem esquecidas e enterradas no conforto do sofá da sala lá de casa. Acusamos o Governo e o Estado da situação económica do país e esquecemos que a culpa mora ao lado, senão dentro da nossa própria casa. Somos culpados pelo fechar de olhos, somos culpados pelo calar da voz, somos culpados pela conivência silenciosa com todos os crimes cometidos contra o direito ao trabalho e do trabalhador e que, invariavelmente, se reflectem na economia do país. Vivemos num gueto de empresários novos-ricos que avolumam riquezas roubando os seus trabalhadores e os dos outros, repetidas vezes e das mais diversas maneiras. E assistimos calados à violação dos seus mais elementares direitos porque o poder é de quem pode e quem pode é quem manda e quem manda é quem tem dinheiro. Dinheiro que nos foi roubado, que nos é roubado todos os dias, com práticas comercias e fiscais ilícitas, roubado do devido salário que nos é sonegado a coberto da farsa da crise do país ainda que saibamos que nem tudo é crise, que nem tudo vai mal. Admitamos de uma vez por todas que todos somos culpados enquanto calarmos, enquanto olharmos para o lado quando temos obrigação de olhar em frente. Mea culpa, mea culpa, mea culpa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SILÊNCIO

Nenhuma ideia é imune à sua comunicação. Assim, abstenho-me da sua expressão neste e em qualquer outro lugar, nesta e em qualquer outra hora para que nenhum inexacto entendimento mine a sua verdade! Respiremos silêncio!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ESTRANHO MODO DE SER

Estranho modo de ser este que nos aglutina os sentidos e nos destina a existências que não conhecemos e, ainda assim, nos preenchem e nos entregam àquilo que sempre suspeitamos não ter perdido. Que vidas separadas são estas que tanto se tocam e se imiscuem nos seus mais recônditos jardins proibidos? Como se de nada se acurasse, cuida-se o sentimento, apartado pela distância euclidiana e, contudo, alcançável ao toque da mão que se estica procurando amparo e equilíbrio. Não poucas vezes me questiono sobre a sanidade deste querer, deste sentir. Sei que sou eu que assim me sinto, ainda assim, são eles que conseguem orvalhar a aridez da minha alma com a sua sabedoria e grandeza de espírito. A dor da solidão minorou-se quando me viram sem me olhar e pespegou-se-me a sede insaciável de lhes penetrar na vida que não tenho e que é deles mas que me doam como se doa um sorriso a uma criança. Sei que vos tenho enquanto me quiserem. Sei que sou vossa enquanto mo permitirem. Estarei convosco para onde fôr e ver-vos-ei na beira das estradas que palmilhar. Limparei as lágrimas que se soltarem sabendo que é vossa a dor que me acanha o peito mas levantarei os olhos sem demora porque sei que vos terei quando acordar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O HOMEM QUE FOI TORNEIRO

Chamam provocação ao género insubmisso que teima em debater-se e contestar afirmações do tipo-“Uma fulana que dá umas quecas com quem lhe apetecer, pelas mais diversas razões que só a ela dizem respeito, é uma galdéria. Se os fulanos que alinharem com ela lhe derem uns trocos ou umas prendas, passa de galdéria a vaquita. Mas se assentar o rabo num estabelecimento para servir a clientela, passa a prostituta. Curiosamente se optar pela berma da estrada, é uma triste.” Eu chamo-lhe indignação!
Que moralidade é esta que nos venda os olhos como pala de asno e nos empossa de todo o poder de julgar e condenar. Que sabemos nós da vida, da razão ou da falta dela de indivíduos que se deitam ou não por esta ou por outra razão, para lhes adjudicarmos o título de galdéria, vadia, vaca maior ou menor ou ainda prostituta por assentar o rabo num estabelecimento e servir clientela. Julgo da maior oportunidade e de profícua acuidade a aclaração da significação dos termos “estabelecimento” e “clientela”. Para melhor nos situramos diria que assenta como luva de pelica ao termo “estabelecimento” a definição de acto ou efeito de estabelecer morada fixa. Talvez tudo se resuma a um código de regras mercantilistas pré-estabelecidas pelo “bicho social”. Dizem-me que uma mulher que se desprende do seu próprio corpo e o oferece em troca de benesses pecuniárias é uma prostitua enquanto que outra que faz exactamente o mesmo em troca da paz familiar é uma boa esposa. A mulher que se sujeita aos desmandos e violência física e psíquica do homem que supostamente a deveria proteger da maldade de outros homens, é uma prostituta que tem um proxeneta, a outra que faz exactamente o mesmo ao abrigo de uma “coisa” a que chamaram casamento e debaixo de outra a que alguém entendeu designar por “lar” é uma coitada sujeita à violência doméstica apensa ao estatuto do marido, que a todos confunde mas que todos aceitam cobardemente. É um problema de homens, diz Saramago, a quem algumas mentes eleitas e supra-inteligentes chamam “torneiro” como se “torneiro” fosse o maior dos nomes ultrajantes e insultuosos. Como se ser torneiro seja sinónimo de poucas faculdades mentais e espirituais. São estes homens que sem o menor dos pudores e com a mesma bitola tanto qualificam um ser humano de galdéria e vaquita como de torneiro que fazem o quórum dos tribunais das ruas e dos que se situam para lá dos portões de cada um de nós e, assim, autenticam todos os desvarios dos homens que pelo simples facto de o serem, são soberanos no juízo alheio. O mais risível destes comportamentos soberanos é a auto-complacência consigo mesmos porque, ainda assim, auto inocentam-se afirmando que não pretendem pregar qualquer moralidade. Eu diria que não pretendem porque entendem ser essa moralidade intrínseca a si mesmos e obvia aos outros e não terem que a pregar porque se não é perceptível é porque os outros são desprovidos da sua enormíssima e inatingível sabedoria.
Tudo isto tem a impotância que tem unicamente porque é um problema de homens. Em caso de não ser passível de perda total das glândulas do escroto para quem as tem, sugiro a leitura deste texto do homem que foi torneiro. Quem as não tem lerá, certamente, sem qualquer prurido ainda que não seja apreciadora do escritor nessa mesma qualidade ou ainda como homem.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

FUNES E SARAMAGO

"Algumas pessoas levam a vida à procura da infância que perderam. Creio que sou uma delas. " - José Saramago

Comecei a ler Saramago pelo “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Dos dezoito, salvo erro, romances seus publicados li sete. Espero, oportunamente, ler os restantes. Admiro-lhe o estilo. Há dias li um livro de Italo Calvino e estranhei o paralelismo estético que pude conferir entre ambos. Numa recente pesquisa sobre o segundo, constato que também este pertenceu ao Partido Comunista, desta feita, Italiano, tendo renunciado à filiação em 1957. Não faço ideia de quando o fez Saramago. Estranho a coincidência e acabo por recear a tendência para escritores de esquerda. Não por ter alguma coisa contra aquela ideologia mas unicamente por sempre tentar evitar o tendencialismo generalizado seja em que área for. Nos últimos tempos tenho mergulhado em Isabel Allende e, não obstante não lhe conhecer filiação política, todos sabemos que a sua obra é marcada essencialmente pela contestação à ditadura implantada no Chile em 1973 e que derrubou o Presidente Salvador Allende, primo de seu pai, também ele do partido comunista.

Mas não era sobre isto que eu pretendia falar mas sim sobre a auto-determinação que cada um de nós tem em escolher esta ou aquela terra para viver e sobre o direito que todos temos em coabitar com este ou aquele povo sob as demandas deste ou daquele governo, bem como de manisfestar, pela via que melhor nos convier, este ou aquele desagrado face aos comportamentos dos outros para connosco.
Tem-me feito alguma confusão mental o desprezo com que algumas pessoas, felizmente não tenho ouvido muitas, se referem a José Saramago. Achei uma certa graça a um texto que o Mestre Funes escreveu qualificando-o de rebelde oficial e exemplificando essa rebeldia com a questão que alegadamente Saramago terá retoricamente colocado - “Prémio Nobel, e depois?”.
O Mestre denuncia, assim, a falsa modéstia de Saramago acusando-o de não pretender senão provocar o exacto efeito contrário. Não querendo, de forma alguma, entrar em conflito ideológico com o Mestre, até porque sem falsa modéstia, perderia à primeira volta todos os meus suados feijões, gostaria de traçar um paralelo entre algum conteúdo do que escreveu sobre o nobel da literatura e o que escreveu sobre si mesmo neste post.

Citando Funes: “A blogosfera abunda em mediocridade. De um modo geral, "Funes, el memorioso" eleva-se um pouco acima dessa geral mediocridade. Este, este e este post formam mesmo um conjunto genial. Expliquei aqui porquê. Não espero que essa explicação convença muita gente. É-me indiferente. Eu sei que é um conjunto genial e orgulho-me dele.”; e ainda: “Não sou um escritor repentista. O pensamento e a forma não me saem à primeira. Escrevo, re-escrevo, risco, deito fora e começo de novo. Pertenço àquele grupo de literatos que, numa entrevista a um jornal literário, poria um ar pungente e superior, confessando ser senhor de uma escrita sofrida.” Em jeito de cereja no topo do bolo diz ainda: “Repito, a ver se percebem desta vez: os Vossos comentários são-me absolutamente indiferentes. Não alteram os meus estados de alma. Mas aceito dinheiro.”

Assim, de repente, parece que o Mestre adopta uma postura completamente oposta à delatada por si em relação a Saramago quando este pergunta: “prémio nobel, e depois?”. Quanto a mim, não passa de aparência porque na essência se um peca por propositada falsa modéstia ao ponto de provocar o desejado efeito contrário, o outro pecará por excesso de desprezo pelos potenciais premiadores da sua escrita, provocando de modo igual o desejado efeito contrário ao intrinsecamente presente na sua afirmação. Pela sua ordem de ideias, Mestre, e pelo meu entendimento não vejo diferênça entre os dois - Saramago e Funes.

Não me seria difícil entender se na primeira oportunidade e com a vantagem de não constar do seu curriculum nobel algum, o Mestre – escritor apenas - se pusesse a léguas dos seus conterrâneos leitores por quem nutre declarada indiferença e cujas críticas não alteram os seus estados de alma de literato não repentista de ar pungente e sofredor, senhor confesso de uma escrita sofrida a qualquer revista literária, ar esse antípoda ao ar superior e pedante, por si denunciado, de José Saramago - escritor consagrado e Nobel da literatura - auto declarado um português calado e discreto que um dia apareceu por Castril levado pela mão da pessoa a quem mais quer no mundo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O SOLE MIO!

Éramos sete casais num sabático almoço solarengo. Os elementos masculinos todos pertencentes à mesma instituição pública encarregam-se de não descurar da poluição sonora da sala. Como não podia deixar de ser até pela consistência organizacional, as conversas dominantes desembocavam sempre nos mesmos assuntos. A maioria das mulheres enfastiada com o tema que as persegue como se de epiderme se tratasse, sempre que acontece um destes encontros distancia-se e acanha-se em conversas menores sobre os seus empregos e assuntos levianos e corriqueiros de menor importância face a auto-proclamada magistralidade profissional dos seus maridos. Por abominar de forma hercúlea conversas revisteiras e tertúlias cor-de-rosa é frequente ver-me toda a tarde entre os homens. Devo dizer que o que ouvi pouco ou nada acrescentou ao meu conhecimento há já muito adquirido mas quando as mesmas palavras são proferidas por pessoas detentoras de saber de ciência feito os seus significados ganham outras dimensões. Um dos assuntos largamente debatido foi "Despesa e Orçamentos Públicos”. Não é difícil entender-se de que forma se pode delapidar os cofres de um país economicamente saudável. Enquanto a administração pública integrar nos seus quadros homens e mulheres desprovidos da consciência do bem colectivo e que por ser colectivo é de cada um de nós, homens e mulheres que recusem manusear os dinheiros públicos como se manuseassem a sua própria conta bancária, enquanto existirem homens e mulheres que, por ser público ou do Estado, entendem que é para esbanjar e dividir ilicitamente por baixo do pano, este país nunca avançará. Enquanto existirem homens e mulheres que não estranhem e viabilizem obras ratificando orçamentos de 20.000,00 euros para envernizar meia dúzia de portas de madeira, este país à beira mar plantado bem pode rezar ao Deus Sol Invictus ou ao seu homólogo Hélios para que ilumine o santo turismo nacional benfeitor e salvador das muitas crises presentes e futuras que este país nunca avançará!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

EXECUTIVE GENIUS

Os directores, gestores e administradores das empresas devem ser compensados à medida da sua competência e dos resultados financeiros que derivam da sua actuação pessoal, directa ou indirectamente. Ok, nada de novo! Parece-me, no entanto, altamente discutível o valor que se deve pagar, sobretudo se se tiver em linha de conta o factor justiça, sendo certo que justiça não passa de um conceito abstracto e que de salário se pode ter uma percepção sensorial.
Quando uma empresa prospera a olhos vistos e apresenta lucros consideráveis, os primeiros e quase sempre únicos a serem agraciados pelo feito são esses mesmos directores, gestores e administradores. A graça, na maioria dos casos das grandes empresas como a Bristish Airways, traduz-se em somas avultadas e incompreensíveis para um trabalhador médio.
Quando o processo se inverte, os mesmos directores, gestores e administradores, a quem são pagas somas escandalosas, desprendem-se de todo e qualquer pudor moral, puxam dos seus galões de executivos e tentam mostrar mais serviço do "bom" daí resultando o conhecimento público de propostas indecentes feitas àqueles que têm que se amanhar com um ou dois míseros salários mínimos, para que deles abdiquem em proveito dos esvaziados cofres da empresa, vá-se lá saber porquê ou por quem.
Pois pronto, apetece-me rir, sei lá! Está bem que o génio deu o exemplo e já informou os milhares de trabalhadores que auferem um ou dois salários mínimos que também abdicará do seu. Digno de registo, sem dúvida! Este senhor de nome Willie Walsh é um verdadeiro altruísta e eu quando for grande quero ser como ele e dar-me ao luxo de abdicar de um mês do meu salário de cerca de 70 mil euros. Já se fosse trabalhadora média da BA e me propusessem abdicar do meu ordenado de valor equivalente a um ou dois salários mínimos, do qual depende o religioso cumprimento das obrigações a que mensalmente sou chamada a cumprir, mandava este génio da direcção executiva da BA para a sua mother fucker! (Não asssenta tão bem como para a puta que o pariu mas acontece que o gajo é beef e podia não apanhar à primeira)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

SAPHOU SOPHRIDA



Sometimes - Reamonn


São vezes demais as vezes em que a voz nos grita de dentro
Mentiras que sonhos esmagam em céus incandescentes
Devaneios implorados, concedidos, desmedidos, trucidados
Semeados em desnudas mentes condoídas do mais bravio desalento

São vezes de menos as vezes em que a voz nos grita por dentro
Palavras que elevam a força e joelhos aprumam estoicamente
Olhos descrentes nos olhos de quem vilmente nos mente
Vida assim suplicada é vida amargurada e o sonho é a quem pertence

Fonte de Inspiração: "Saphou Sophrida".

terça-feira, 2 de junho de 2009

A DESORDEM DA ORDEM!

Como ditam as leis dos antepassados duas Comissões do Judas - Lugar de Baixo e Lugar de cima da Freguesia de Travassô no Concelho de Águeda - enfrentam-se no adro da igreja fazendo fortes critica a muitos dos comportamentos das pessoas da aldeia. É usando da palavra de forma sarcástica e levando o público ao riso durante as acusações de ambos os lugares que são expostas publicamente factos da vida reservada de cada individuo ou grupo. O Judas é queimado em praça pública depois de lido o missal de criticas à comunidade e da tradicional leitura do Testamento, onde todos os solteiros da freguesia recebem a "herança" devida e advinda dos “podres” e as “carecas” são descobertas e alvo de paródia e sátira. Dois palcos de grandes dimensões servem de base a todo este teatro onde os sócios de cada comissão assumem as personagens como sendo a sua própria pele e dão vida aos mais ridículos fantoches.

Ontem, achei-me a assistir à “Queima do Judas” de Travassô, durante o programa “Prós e Contras”. Estava lá tudo: o palco, o judas, os juízes acusadores e até os bois. A cada emissão do programa que assisto mais me convenço que também este é para eliminar da minha ínfima lista “programas televisivos que merecem a pena”.

É, para mim, deplorável assistir ao “lavar de roupa suja” e ao exibir de vaidades e orgulhos do bem feito por mim simultâneo ao equivalente apontar de dedo do mal feito por ti e do até comungo das tuas razões mas di-lo-ia de forma mais eloquente e diplomática e não da forma arruaceira e grosseira que o dizes, em praça pública e seja em que contexto fôr.

Independentemente das razões que possam eventualmente assistir a qualquer um dos advogados intervenientes, quanto a mim, perderam toda a razão quando aceitaram participar num programa televisivo com propósitos de enxovalho e de aumento de audiências, para debater a actual situação da sua Ordem. Se o intuito foi credibilizar a idoneidade da classe presumivelmente destruída ou ferida de morte pelo seu Bastonário, não atingiram o objectivo a que se propuseram.

Pergunto-me como poderemos nós, cidadãos dependentes da capacidade de defesa de homens que não têm inteligência nem aptidão para se defenderem dos ataques dos seus pares em sede própria, colocar as nossas vidas nas suas mãos inábeis e incapazes?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O CORPO

O corpo é uma farda! O corpo é milícia armada! O corpo é acção violenta! O corpo é reivindicação de poder! O corpo está em guerra! O corpo afirma-se como sujeito! O corpo é um fim e não um meio! O corpo significa! Comunica! Grita! Contesta! Subverte!
"Se Numa Noite de Inverno Um Viajante" - Italo Calvino
Ou não!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

GRANDE BISBÓRRIA

Ora pois então!Agora que o homem recuperou a memória, agora que a corrida estoirou e os animais se lançam num esforço, agora que todos eles aplaudem a violência em jogo, agora que eles picam os cavalos violando todas as leis, agora que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço, já tudo são confissões e apontar de dedos. E o que até agora não poderia ter sido de forma alguma evitado pela entidade fiscalizadora, subitamente manifestou-se como uma falha do Banco de Portugal na pessoa do seu Governador. Parece-me que não poderiam ter escolhido melhor nome para o anunciar - Sanfona! Grande pandilha!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

VI CLARAMENTO VISTO

É do conhecimento geral, pelo menos daqueles que têm obrigação de estar devidamente informados, que para se conseguir legalmente um visto internacional é necessário e imprescindível uma carta convite de uma qualquer entidade, autenticada e avalisada pelo serviço de imigração do país terceiro que se queira visitar, classe de país a que pertencem todos os que não fazem parte do Espaço Schengen mas não forçosamente pertencentes ao denominado terceiro mundo. Pronto, não foi enviado atempadamente. Qual é a espiga? É só uma ineficiência administrativa ou incompetência dos intervenientes na tal viagem ao circo, mais nada! Não! Não se trata de uma ofensiva a leste com intuitos políticos conflituosos capazes de despoletar uma guerra entre os países envolvidos no circo. Vamos lá a sossegar o facho, pessoal! Ainda não é desta que vamos pôr as nossas FA a fazer pela vida rentabilizando os 51,5 milhões investidos nos 37 Leopards 2 A6!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

EU CONFESSO!

Quando a mente é assolada pelo vácuo e parece impossível discorrer sobre o que quer que seja, todos os temas se apresentam de exíguo valor. Não obstante ter como princípio nada dizer quando não sei o que dizer, a vontade irreprimível de estar com eles vence e as palavras vão saindo contrafeitas. Hoje nada direi senão que já não sei estar sem a sábia loquacidade do Mestre, a atrevida jocosidade do JG, a heróica vida-poesia da Mofina, o espirituoso criticismo da Saphou, o cartesiano cepticismo da Mac, a jubilosa constância do Privada, a virtual presença da DD, e a eco poesia da Teresa. Confesso que os tenho entranhados, na medida em que o podem estar.