Estranho modo de ser este que nos aglutina os sentidos e nos destina a existências que não conhecemos e, ainda assim, nos preenchem e nos entregam àquilo que sempre suspeitamos não ter perdido. Que vidas separadas são estas que tanto se tocam e se imiscuem nos seus mais recônditos jardins proibidos? Como se de nada se acurasse, cuida-se o sentimento, apartado pela distância euclidiana e, contudo, alcançável ao toque da mão que se estica procurando amparo e equilíbrio. Não poucas vezes me questiono sobre a sanidade deste querer, deste sentir. Sei que sou eu que assim me sinto, ainda assim, são eles que conseguem orvalhar a aridez da minha alma com a sua sabedoria e grandeza de espírito. A dor da solidão minorou-se quando me viram sem me olhar e pespegou-se-me a sede insaciável de lhes penetrar na vida que não tenho e que é deles mas que me doam como se doa um sorriso a uma criança. Sei que vos tenho enquanto me quiserem. Sei que sou vossa enquanto mo permitirem. Estarei convosco para onde fôr e ver-vos-ei na beira das estradas que palmilhar. Limparei as lágrimas que se soltarem sabendo que é vossa a dor que me acanha o peito mas levantarei os olhos sem demora porque sei que vos terei quando acordar.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
ESTRANHO MODO DE SER
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sexta-feira, julho 31, 2009
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
ESTÁ NA HORA
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quinta-feira, julho 30, 2009
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terça-feira, 28 de julho de 2009
AS PALAVRAS E OS HOMENS
Há uma frase que diz que as mulheres se distinguem pelo que fazem, os homens pelo que levam as mulheres a fazer. Se não for bem assim, passou, neste momento, a sê-lo, porque cada um faz das palavras aquilo que melhor lhe aprouver e beneficiar.
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terça-feira, julho 28, 2009
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
O HOMEM QUE FOI TORNEIRO
Chamam provocação ao género insubmisso que teima em debater-se e contestar afirmações do tipo-“Uma fulana que dá umas quecas com quem lhe apetecer, pelas mais diversas razões que só a ela dizem respeito, é uma galdéria. Se os fulanos que alinharem com ela lhe derem uns trocos ou umas prendas, passa de galdéria a vaquita. Mas se assentar o rabo num estabelecimento para servir a clientela, passa a prostituta. Curiosamente se optar pela berma da estrada, é uma triste.” Eu chamo-lhe indignação!
Que moralidade é esta que nos venda os olhos como pala de asno e nos empossa de todo o poder de julgar e condenar. Que sabemos nós da vida, da razão ou da falta dela de indivíduos que se deitam ou não por esta ou por outra razão, para lhes adjudicarmos o título de galdéria, vadia, vaca maior ou menor ou ainda prostituta por assentar o rabo num estabelecimento e servir clientela. Julgo da maior oportunidade e de profícua acuidade a aclaração da significação dos termos “estabelecimento” e “clientela”. Para melhor nos situramos diria que assenta como luva de pelica ao termo “estabelecimento” a definição de acto ou efeito de estabelecer morada fixa. Talvez tudo se resuma a um código de regras mercantilistas pré-estabelecidas pelo “bicho social”. Dizem-me que uma mulher que se desprende do seu próprio corpo e o oferece em troca de benesses pecuniárias é uma prostitua enquanto que outra que faz exactamente o mesmo em troca da paz familiar é uma boa esposa. A mulher que se sujeita aos desmandos e violência física e psíquica do homem que supostamente a deveria proteger da maldade de outros homens, é uma prostituta que tem um proxeneta, a outra que faz exactamente o mesmo ao abrigo de uma “coisa” a que chamaram casamento e debaixo de outra a que alguém entendeu designar por “lar” é uma coitada sujeita à violência doméstica apensa ao estatuto do marido, que a todos confunde mas que todos aceitam cobardemente. É um problema de homens, diz Saramago, a quem algumas mentes eleitas e supra-inteligentes chamam “torneiro” como se “torneiro” fosse o maior dos nomes ultrajantes e insultuosos. Como se ser torneiro seja sinónimo de poucas faculdades mentais e espirituais. São estes homens que sem o menor dos pudores e com a mesma bitola tanto qualificam um ser humano de galdéria e vaquita como de torneiro que fazem o quórum dos tribunais das ruas e dos que se situam para lá dos portões de cada um de nós e, assim, autenticam todos os desvarios dos homens que pelo simples facto de o serem, são soberanos no juízo alheio. O mais risível destes comportamentos soberanos é a auto-complacência consigo mesmos porque, ainda assim, auto inocentam-se afirmando que não pretendem pregar qualquer moralidade. Eu diria que não pretendem porque entendem ser essa moralidade intrínseca a si mesmos e obvia aos outros e não terem que a pregar porque se não é perceptível é porque os outros são desprovidos da sua enormíssima e inatingível sabedoria.
Tudo isto tem a impotância que tem unicamente porque é um problema de homens. Em caso de não ser passível de perda total das glândulas do escroto para quem as tem, sugiro a leitura deste texto do homem que foi torneiro. Quem as não tem lerá, certamente, sem qualquer prurido ainda que não seja apreciadora do escritor nessa mesma qualidade ou ainda como homem.
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segunda-feira, julho 27, 2009
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
DA GENIALIDADE
De mim se há-de dizer que depois da morte de Jesus me arrependi do que chamavam os meus infames pecados de prostituta e me converti em penitente até ao fim da vida, e isso não é verdade. Subiram-me despida aos altares, coberta unicamente pela cabeleira que me desce até aos joelhos, com os seios murchos e a boca desdentada, e se é certo que os anos acabaram por ressequir a lisa tersura da minha pele, isso só sucedeu porque neste mundo nada pode prevalecer contra o tempo, não porque eu tivesse desprezado e ofendido o mesmo corpo que Jesus desejou e possuiu. Quem aquelas falsidades vier a dizer de mim nada sabe de amor. Deixei de ser prostituta no dia em que Jesus entrou na minha casa trazendo-me a ferida do seu pé para que eu a curasse, mas dessas obras humanas a que chamam pecados de luxúria não teria eu que me arrepender se foi como prostituta que o meu amado me conheceu e, tendo provado o meu corpo e sabido de que vivia, não me virou as costas. Quando diantes de todos os discípulos Jesus me beijava uma e muitas vezes, eles perguntaram-lhe porque me queria mais a mim que a eles, e Jesus respondeu: “A que se deve que eu não vos queira tanto como a ela?” Eles não souberam que dizer porque nunca seriam capazes de amar Jesus com o mesmo absoluto amor com que eu o amava. Depois de Lázaro ter morrido, o desgosto e a tristeza de Jesus foram tais que, uma noite, debaixo do lençol que tapava a nossa nudez, eu lhe disse: “Não posso alcançar-te onde estás porque te fechaste atrás de uma porta que não é para forças humanas”, e ele disse, queixa e gemido de animal que se escondeu para sofrer: “Ainda que não possas entrar, não te afastes de mim, tem-me sempre estendida a tua mão mesmo quando não puderes ver-me, se não o fizeres esquecer-me-ei da vida, ou ela me esquecerá”. E quando, alguns dias passados, Jesus foi reunir-se com os discípulos, eu, que caminhava a seu lado, disse-lhe: “Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti”, e ele respondeu: “Quero estar onde estiver a minha sombra se lá é que estiverem os teus olhos”. Amávamo-nos e dizíamos palavras como estas, não apenas por serem belas e verdadeiras, se é possível serem uma coisa e outra ao mesmo tempo, mas porque pressentíamos que o tempo das sombras estava a chegar e era preciso que começássemos a acostumar-nos, ainda juntos, à escuridão da ausência definitiva. Vi Jesus ressuscitado e no primeiro momento julguei que aquele homem era o cuidador do jardim onde o túmulo se encontrava, mas hoje sei que não o verei nunca dos altares onde me puseram, por mais altos que eles sejam, por mais perto do céu que alcancem, por mais adornados de flores e olorosos de perfumes. A morte não foi o que nos separou, separou-nos para todo o sempre a eternidade. Naquele tempo, abraçados um ao outro, unidas pelo espírito e pela carne as nossas bocas, nem Jesus era então o que dele se proclamava, nem eu era o que de mim se escarnecia. Jesus, comigo, não foi o Filho de Deus, e eu, com ele, não fui a prostituta Maria de Magdala, fomos unicamente aquele homem e esta mulher, ambos estremecidos de amor e a quem o mundo rodeava como um abutre babado de sangue. Disseram alguns que Jesus havia expulsado sete demónios das minha entranhas, mas também isso não verdade. O que Jesus fez, sim, foi despertar os sete anjos que dentro da minha alma dormiam à espera de que ele me viesse pedir socorro: “Ajuda-me”. Foram os anjos que lhe curaram o pé, eles foram os que me guiaram as mãos trementes e limparam o pus da ferida, foram os que me puseram nos lábios a pergunta sem a qual Jesus não poderia ajudar-me a mim: “Sabes quem eu sou, o que faço, de que vivo”, e ele respondeu: “Sei”, “Não tiveste que olhar e ficaste a saber tudo”, disse eu, e ele respondeu: “Não sei nada”, e eu insisti: “Que sou prostituta”, “Isso sei”, “Que me deito com homens por dinheiro”, “Sim”, “Então sabes tudo de mim” e ele, com voz tranquila, como a lisa superfície de um lago murmurando, disse: “Sei só isso”. Então, eu ainda ignorava que ele fosse o filho de Deus, nem sequer imaginava que Deus quisesse ter um filho, mas, nesse instante, com a luz deslumbrante do entendimento pelo espírito, percebi que somente um verdadeiro Filho do Homem poderia ter pronunciado aquelas três palavras simples: “Sei só isso”. Ficámos a olhar um para o outro, nem tínhamos dado por que os anjos se tinham retirado já, e a partir dessa hora, pela palavra e pelo silêncio, pela noite e pelo dia, pelo sol e pela lua, pela presença e pela ausência, comecei a dizer a Jesus quem eu era, e ainda me faltava muito para chegar ao fundo de mim mesma quando o mataram. Sou Maria de Magdala e amei. Não há mais nada para dizer.
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sexta-feira, julho 24, 2009
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
BABOOSHKA
Decorria o ano civil de 1980 e terminava o lectivo. Estávamos, portanto, em finais de Junho ou início de Julho - falha-se-me já a memória - e as festas dos finalistas do 9º ano preparavam-se com o êxtase e empenhamento de quem não mais teria 14 anos. À Rita coube-lhe o playback da Kate Bush. Gótica como nunca, trajada de véus esvoaçantes, deambulava ao som da “Babooshka” pelo polivalente apinhado de malta compondo uma massa uniforme envolvida por aquela mística melodia. Chegara, enfim, o seu ansiado showtime e, em pura sintonia de gestos coreográficos, deu voz ao corpo agitando o dedo indicador no ar em semi-circulo e bamboleando as nádegas ao ritmo do “Tragedy”. Foi lindo de morrer! O espectáculo prosseguiu com um concerto da Adelaide Ferreira - her-self. A “Baby Suicida” fez as delícias das mentes perversas dos rapazotes e a noite entrou-nos alma adentro habitando as fantasias e os delírios juvenis! E a década de 80 lá fora à espreita!
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terça-feira, julho 21, 2009
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domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
UM MIMO PARA MINIE
Presentinho de boas-vindas...
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quinta-feira, julho 16, 2009
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FILHOSES, CREPES E TRIPAS!
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quinta-feira, julho 16, 2009
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EXALTEMOS MORAL
“Eram quatro horas de uma tarde de Verão quando a equipa da Revista País Positivo foi ao encontro, na Fundição de Oeiras, de Isaltino Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras. O encontro deveu-se aquando das comemorações dos 250 anos do concelho e é indelével a doce forma como a autarquia se empenha em iniciativas como a que nos preparamos para assistir. Estamos à porta da Fundição de Oeiras, com Isaltino Morais preparado para nos fazer uma visita guiada por uma das maiores exposições jamais realizadas sobre um concelho: “Celebrar Oeiras – Passado, presente e futuro”. Entremos então…”Neste romanceado artigo podemos ainda ler uma citação daquele Presidente. - “Winston Churchill costumava dizer que: «é sempre avisado olhar em frente, mas difícil é olhar para além do que se pode ver». Por mim concluo que Churchill teria gostado de viver em Oeiras. Eu gosto e muito.”
Pois, então não havia de gostar?! Até porque conseguiu a proeza de aprender a olhar para além do que se pode ver, por nós, os outros, aqueles que pautam a sua conduta social, política e económica por práticas honestas e à vista de todos os olhares.
Ele há gajos cá cuma lata!!!
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quinta-feira, julho 16, 2009
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
NAO ESTOU CÁ PARA NINGUEM
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quarta-feira, julho 15, 2009
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terça-feira, 14 de julho de 2009
TAMBÉM TENHO ATAQUES DE SAUDADES
Claro que a música era outra, olháááá bolachinha americana...
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terça-feira, julho 14, 2009
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AS GARAGENS DAS FERIAS GRANDES
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Blimunda
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terça-feira, julho 14, 2009
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sábado, 11 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
DEVO ESTAR COM FEBRE
Apenas numa semana, o macabro bate várias vezes na mesma tecla e se ainda é possível ir até Guimarães para tentar ganhar um magnífico prémio, a oportunidade de ser sorteado para assistir ao funeral do MJ já passou. A menos que se repita a cerimónia ou... que tudo não tenha passado de uma operação de marketing e o artista continue vivinho da Silva! Uma ideia perturbadora com certeza, por isso, nada melhor que aproveitar o conselho do Funes e apanhar a gripe já, enquanto há tempo.
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Mofina
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sexta-feira, julho 10, 2009
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
ANTES DE CASTRIL, O CERTIMA!

Privada, antes de agendares a visita a Castril, sai para fora cá dentro e vem tomar um xiripiti ao 100stress. É só seguir sempre em frente pela rua do Carril, desembocas no CCB – Centro Cultural de Barrô, para os amigos "Titanic" e lá estarei à tua espera. Caso não possas despender do teu tempo precioso mandarei o nosso A7 para te recolher no Sá Carneiro. Enviarei à Ana a documentação necessária ao voo. Não te preocupes com o escaldão do encontro. Temos logo ali em baixo as águas do Cértima onde poderemos refrescar o corpo cálido da ardente ansiedade que o atormenta. Traz a Saphou! O Mestre já conhece mas se pedir muito deixa que vos acompanhe.
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Blimunda
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quinta-feira, julho 09, 2009
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
FUNES E SARAMAGO
"Algumas pessoas levam a vida à procura da infância que perderam. Creio que sou uma delas. " - José Saramago
Comecei a ler Saramago pelo “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Dos dezoito, salvo erro, romances seus publicados li sete. Espero, oportunamente, ler os restantes. Admiro-lhe o estilo. Há dias li um livro de Italo Calvino e estranhei o paralelismo estético que pude conferir entre ambos. Numa recente pesquisa sobre o segundo, constato que também este pertenceu ao Partido Comunista, desta feita, Italiano, tendo renunciado à filiação em 1957. Não faço ideia de quando o fez Saramago. Estranho a coincidência e acabo por recear a tendência para escritores de esquerda. Não por ter alguma coisa contra aquela ideologia mas unicamente por sempre tentar evitar o tendencialismo generalizado seja em que área for. Nos últimos tempos tenho mergulhado em Isabel Allende e, não obstante não lhe conhecer filiação política, todos sabemos que a sua obra é marcada essencialmente pela contestação à ditadura implantada no Chile em 1973 e que derrubou o Presidente Salvador Allende, primo de seu pai, também ele do partido comunista.
Mas não era sobre isto que eu pretendia falar mas sim sobre a auto-determinação que cada um de nós tem em escolher esta ou aquela terra para viver e sobre o direito que todos temos em coabitar com este ou aquele povo sob as demandas deste ou daquele governo, bem como de manisfestar, pela via que melhor nos convier, este ou aquele desagrado face aos comportamentos dos outros para connosco.
Comecei a ler Saramago pelo “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Dos dezoito, salvo erro, romances seus publicados li sete. Espero, oportunamente, ler os restantes. Admiro-lhe o estilo. Há dias li um livro de Italo Calvino e estranhei o paralelismo estético que pude conferir entre ambos. Numa recente pesquisa sobre o segundo, constato que também este pertenceu ao Partido Comunista, desta feita, Italiano, tendo renunciado à filiação em 1957. Não faço ideia de quando o fez Saramago. Estranho a coincidência e acabo por recear a tendência para escritores de esquerda. Não por ter alguma coisa contra aquela ideologia mas unicamente por sempre tentar evitar o tendencialismo generalizado seja em que área for. Nos últimos tempos tenho mergulhado em Isabel Allende e, não obstante não lhe conhecer filiação política, todos sabemos que a sua obra é marcada essencialmente pela contestação à ditadura implantada no Chile em 1973 e que derrubou o Presidente Salvador Allende, primo de seu pai, também ele do partido comunista.
Mas não era sobre isto que eu pretendia falar mas sim sobre a auto-determinação que cada um de nós tem em escolher esta ou aquela terra para viver e sobre o direito que todos temos em coabitar com este ou aquele povo sob as demandas deste ou daquele governo, bem como de manisfestar, pela via que melhor nos convier, este ou aquele desagrado face aos comportamentos dos outros para connosco.
Tem-me feito alguma confusão mental o desprezo com que algumas pessoas, felizmente não tenho ouvido muitas, se referem a José Saramago. Achei uma certa graça a um texto que o Mestre Funes escreveu qualificando-o de rebelde oficial e exemplificando essa rebeldia com a questão que alegadamente Saramago terá retoricamente colocado - “Prémio Nobel, e depois?”.
O Mestre denuncia, assim, a falsa modéstia de Saramago acusando-o de não pretender senão provocar o exacto efeito contrário. Não querendo, de forma alguma, entrar em conflito ideológico com o Mestre, até porque sem falsa modéstia, perderia à primeira volta todos os meus suados feijões, gostaria de traçar um paralelo entre algum conteúdo do que escreveu sobre o nobel da literatura e o que escreveu sobre si mesmo neste post.
Citando Funes: “A blogosfera abunda em mediocridade. De um modo geral, "Funes, el memorioso" eleva-se um pouco acima dessa geral mediocridade. Este, este e este post formam mesmo um conjunto genial. Expliquei aqui porquê. Não espero que essa explicação convença muita gente. É-me indiferente. Eu sei que é um conjunto genial e orgulho-me dele.”; e ainda: “Não sou um escritor repentista. O pensamento e a forma não me saem à primeira. Escrevo, re-escrevo, risco, deito fora e começo de novo. Pertenço àquele grupo de literatos que, numa entrevista a um jornal literário, poria um ar pungente e superior, confessando ser senhor de uma escrita sofrida.” Em jeito de cereja no topo do bolo diz ainda: “Repito, a ver se percebem desta vez: os Vossos comentários são-me absolutamente indiferentes. Não alteram os meus estados de alma. Mas aceito dinheiro.”
Assim, de repente, parece que o Mestre adopta uma postura completamente oposta à delatada por si em relação a Saramago quando este pergunta: “prémio nobel, e depois?”. Quanto a mim, não passa de aparência porque na essência se um peca por propositada falsa modéstia ao ponto de provocar o desejado efeito contrário, o outro pecará por excesso de desprezo pelos potenciais premiadores da sua escrita, provocando de modo igual o desejado efeito contrário ao intrinsecamente presente na sua afirmação. Pela sua ordem de ideias, Mestre, e pelo meu entendimento não vejo diferênça entre os dois - Saramago e Funes.
Não me seria difícil entender se na primeira oportunidade e com a vantagem de não constar do seu curriculum nobel algum, o Mestre – escritor apenas - se pusesse a léguas dos seus conterrâneos leitores por quem nutre declarada indiferença e cujas críticas não alteram os seus estados de alma de literato não repentista de ar pungente e sofredor, senhor confesso de uma escrita sofrida a qualquer revista literária, ar esse antípoda ao ar superior e pedante, por si denunciado, de José Saramago - escritor consagrado e Nobel da literatura - auto declarado um português calado e discreto que um dia apareceu por Castril levado pela mão da pessoa a quem mais quer no mundo.
Citando Funes: “A blogosfera abunda em mediocridade. De um modo geral, "Funes, el memorioso" eleva-se um pouco acima dessa geral mediocridade. Este, este e este post formam mesmo um conjunto genial. Expliquei aqui porquê. Não espero que essa explicação convença muita gente. É-me indiferente. Eu sei que é um conjunto genial e orgulho-me dele.”; e ainda: “Não sou um escritor repentista. O pensamento e a forma não me saem à primeira. Escrevo, re-escrevo, risco, deito fora e começo de novo. Pertenço àquele grupo de literatos que, numa entrevista a um jornal literário, poria um ar pungente e superior, confessando ser senhor de uma escrita sofrida.” Em jeito de cereja no topo do bolo diz ainda: “Repito, a ver se percebem desta vez: os Vossos comentários são-me absolutamente indiferentes. Não alteram os meus estados de alma. Mas aceito dinheiro.”
Assim, de repente, parece que o Mestre adopta uma postura completamente oposta à delatada por si em relação a Saramago quando este pergunta: “prémio nobel, e depois?”. Quanto a mim, não passa de aparência porque na essência se um peca por propositada falsa modéstia ao ponto de provocar o desejado efeito contrário, o outro pecará por excesso de desprezo pelos potenciais premiadores da sua escrita, provocando de modo igual o desejado efeito contrário ao intrinsecamente presente na sua afirmação. Pela sua ordem de ideias, Mestre, e pelo meu entendimento não vejo diferênça entre os dois - Saramago e Funes.
Não me seria difícil entender se na primeira oportunidade e com a vantagem de não constar do seu curriculum nobel algum, o Mestre – escritor apenas - se pusesse a léguas dos seus conterrâneos leitores por quem nutre declarada indiferença e cujas críticas não alteram os seus estados de alma de literato não repentista de ar pungente e sofredor, senhor confesso de uma escrita sofrida a qualquer revista literária, ar esse antípoda ao ar superior e pedante, por si denunciado, de José Saramago - escritor consagrado e Nobel da literatura - auto declarado um português calado e discreto que um dia apareceu por Castril levado pela mão da pessoa a quem mais quer no mundo.
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quarta-feira, julho 08, 2009
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sábado, 4 de julho de 2009
NASCIDA A 4 DE JULHO
DD e os seus excepcionais predicados:
— Orelhas bonitinhas (acho... porque nunca reparei)
— Sobrinho que é um pão, um gato, um regalo prós olhos...
— Super-Sobrinha, fada do lar, da música e etc que até enerva...
— Filho mais querido do mundo!!!!!!!!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
FELINAMENTE PERIGOSA
Estou capaz de arranhar ou matar alguém de tanta raiva que sinto. Perdi uns valentes minutos a escrever um texto interessante sobre a ocorrência felídea desta madrugada e o estupor do sistema foi-se abaixo levando a rasto todo o material criteriosamente selecionado para impressionar e divertir os meus fãs que clamam a minha presença.
Privada, porra pá, ainda não foi desta! E agora não sei quando terei de novo tempo!
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Blimunda
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quinta-feira, julho 02, 2009
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