quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ALTO E PÁRA O BAILE!!



Acabei de encontrar...


Darei ao povo o meu poema.
Eu lhe darei a flor e a pedra
cada minuto cada tristeza
uma azagaia contra a dura sorte
a minha raiva acesa em cada noite.
Eu lhe darei a flor e a pedra.
E a minha vida. E a minha morte."


MANUEL ALEGRE

ESPANTA-PARDAIS

JUNK FOLDER

Cum caneco! Cum caraças! Cum raio que os carregue, corja de tarados e taradas, comedores da santa quietude empresarial e divino esforço profissional. Está uma pessoa muito compenetrada na sua obrigação de execução exemplar e dedicada ao trabalho e é bombardeada com torpedos destes. Atentai no calibre do assédio.

“Olá! Acabámos de nos abrirmos. O nosso endereço na rede... Temos vídeos e fotos a qualquer gosto, incluindo hard kor, chuva de ouro, zoofilia, etc. Estais limitados apenas por sua fantasia. Montes de pornografia clássica dos anos 70 e 80. Entra, pois a velocidade de carga não está limitada. www.nacionalpussilga"


Não fosse eu uma pessoa compenetrada e bem resolvida a vários níveis, outros nem tanto mas isso agora não interessa nada, já estava de olho posto no tal “nacionalpussilga". Estes gajos não desarmam mesmo! Será difícil perceber que se eu estivesse interessada nessa coisa do “nacionalpussilga” não estaria até agora à espera que uns energúmenos desclassificados ma pusessem olho adentro, salvo seja?

Ainda assim há coisas que me fazem uma certa confusão mental: “Acabámos de nos abrirmos”. Esta declaração referir-se-á exactamente a quê? Só pode ser ao que estão a pensar e que eu pensei também assim que pus os olhos no url. Pois! Tem lógica! Só mesmo à vimada! Desavergonhadas! Galdérias! Se fossem mas era cavar terra!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O CIRCO DA ALEGRIA

A IDADE DO FRIO

Apetecia-me comer uma viola
Daquelas que se punham na árvore de Natal,
Recordar o tempo em que a minha avó
Cobria o chão com palha limpa
E tudo cheirava a fantasia....

Os serões punham sombra na parede,
O fogo ardia ao ritmo das palavras
E eu acreditava nas histórias de assustar
(tinha a certeza que debaixo das camas
viviam bichos que gostavam de pés de crianças....
por isso era bom dormir com a luz acesa!).
Gostava do cheiro do alecrim
Nas horas de trovoada,
Santa Bárbara sempre esquecida!

Apetecia-me esse sabor puro das manhãs
Quando o leite e o café
Eram aquecidos ao borralho.
Os dias acordavam assim,
Com essa infância aberta para a claridade,
A relva aparecia coberta por geada transparente
E era bom deitar fumo pela boca!

O tanque enchia-se de navios de sabão
E era bom andar de carapuço
Embrulhada em xailes de lã,
Ter as mãos frias
E a esperança doce das maçãs!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

EDUCAÇÃO OU VIOLÊNCIA
























Foto desviada de lusitaniavox.blogspot.com

Numa sociedade transpirando violência por todos os poros, onde reina a impunidade, onde, por vezes, premiamos prevaricadores e criminosos, onde impera o salve-se quem puder, uma criança cujo comportamento se rege pela mesma violência, é chamada a atenção, verbalmente, por alguém que não tem a seu cargo a sua educação mas que se sente na obrigação, como adulto, de a educar. Ressalve-se que esta falta de educação colide com a educação e o bem estar das suas próprias crianças. Em resposta imediata a essa chamada de atenção verbal, o pivete de cinco anos espeta uma bofetada no adulto que a adverte. Questiono-me sobre qual seria a atitude imediata e passível de ser considerada acertada a tomar pelo adulto visado? Já agora dava-me jeito a vossa opinião.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CHUVA, CHUVA, CHUVINHA!

Mas porque carga de águas, passo a redundância, é que as pessoas hão-de sempre queixar-se dos dias de chuva?

- Bom dia. Ai que chuvinha tão chata! Que dia triste, não é?

Mas será que toda a gente tem que dizer o mesmo? Cambada de vinis riscados! Pois eu hoje estou muito bem disposta. Até está de chuva e tudo? Rega-me as árvores e a relva e até a alma. Porque é que eu haveria de estar aborrecida? Não estou, pronto! Estou até muito bem disposta. Homessa!!! Hoje nem sinto inveja nem nada! Dos que pululam livremente ao sol quando está sol.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Olho sobre azul

Já alguma vez se sentiram num túnel de via única, sem desvios, vistas ou alternativas? Onde nem sequer o GPS funciona?
Não sei se é argumento suficiente para me ilibar das prolongadas ausências, mas poderá explicar a tal "via láctea" em que me encontro.




«Viver com um autista é desafiar constantemente os padrões estabelecidos para a normalidade. Deixamos de nos guiar pelas prioridades dos “outros”, mas também passamos a não ser entendidos em quase todas as atitudes que tomamos diariamente.
Já me vou habituando a que as outras mães e pais não percebam porque é que deixei de frequentar grande parte dos espaços públicos, ou porque é que dou almoço ao Tiago em casa, antes de ir a um casamento, ou porque é que tenho de estar a vigiar constantemente o Tiago, mesmo durante as brincadeiras ao ar livre, em espaços abertos. Há uma ignorância generalizada em relação às PEA (Perturbações do Espectro do Autismo), por um lado por se tratar de uma deficiência não-visível no aspecto físico, por outro lado por ter características tão ambíguas, em grande parte misteriosas, por vezes até inexplicáveis.

Por muito que eu tente explicar aos amigos e familiares, é sempre com uma grande dose de cepticismo que os mais compreensivos acabam por entender que o Tiago (como todos os outros indivíduos com autismo) fica com as estruturas mentais todas descontroladas quando recebe demasiados estímulos visuais e sonoros ao mesmo tempo; que a alimentação é um drama que quase todas as mães de autistas têm de enfrentar, porque eles são selectivos e qualquer transtorno pode arruinar o dia ou mesmo a semana; que os indivíduos com PEA não têm noção do perigo, pelo que facilmente avançam sobre um abismo, uma janela aberta, uma piscina, uma estrada cheia de trânsito.

Outra das grandes dificuldades do dia-a-dia é enfrentar os olhares de censura, ou mesmo até os comentários desagradáveis, daqueles desconhecidos que assistem a uma grande cena de gritos e agitação, por exemplo, num supermercado ou qualquer outro espaço público com centenas de estímulos. Na ausência de qualquer deficiência física, o que os outros vêm é uma criança birrenta, mal-educada, mimada, que armou uma monumental gritaria, e uma mãe “incapaz de dar educação ao filho”.
Como explicar que aqueles gritos são a expressão possível de um qualquer mau-estar? Como fazer os outros entender que aquela criança não é capaz sequer de entender as emoções que está a sentir, quanto mais explicá-las a um adulto?
O autista tem a sua mente de tal forma compartimentada, que um qualquer desvio, por muito pequeno que nos pareça, pode perturbar-lhe toda a ordem. Um som inesperado ou desagradável, uma cor fora de contexto, um objecto que não está onde devia, pode chegar a provocar-lhe dor física, de tal forma o perturba e desorienta.

É a forma como eles vêm o mundo que está errada? Há forma certa para organizar o mundo? De todas as vezes que penso nestas questões – e noutras que obrigatoriamente se encadeiam – concluo que, como mãe do Tiago, me tornei uma pessoa muito mais rica que a maioria das que conheço. Aprendi com o Tiago a observar pormenores que escapam aos outros. Descobri que a mentira não cabe nos padrões dos autistas – o que eles mostram é aquilo que está a passar-se lá dentro, nem mais nem menos. Eles não entendem como é possível fingir, nem trocar os nomes às coisas. Se o Tiago me abraça (felizmente, ele não rejeita o contacto físico), isso só pode significar que naquele momento ele sentiu um grande afecto pela mãe… e nada mais podia fazer senão demonstrá-lo.
Que clareza!
É mau não ser igual aos outros? Não! É só mais difícil.»


Excerto de um texto que escrevi, para colaborar num trabalho de formação.

ATCHIMMMM

Ai que friiiiiiio!!!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sorry?



Rectificação à rectificação que rectifiquei.

O QUER DIZER SALVO SEJA?



Então, aqui estou publicamente para rectificar perante a DD que não nos virou nada as costas, anda é numa via láctea diferente. Porquê esta música? Foi a primeira que me veio à mão (salvo seja).

OS AZARES DA MANUELA

Não têm sido poucas as vezes que oiço pessoas já maduras em idade afirmarem que os anos passados lhes conferem o direito a dizer tudo o que pensam. Ora, sabendo que a verdade, na maior parte das vezes, é incómoda e causa dor e que o mau estar e a dor provocam perdas irreparáveis, as pessoas abstêm-se muitas vezes da verdade durante grande parte dos gloriosos anos das suas vidas.

No limiar da vida, no topo da escada, num tempo em que já pouco ou nada se pode perder por já se ter perdido tudo o que se teme perder, as pessoas ganham-se o direito de verbalizar os seus pensamentos sem filtros, sem medos. Já não podem perder o emprego, o amigo, o namorado ou marido, nem os filhos. Já não podem perder o dourado dos seus anos, porque os anos já se perderam. E a verdade dos seus pensamentos, ideologias ou fantasias, surge do alto da sua indiferença ao incómodo que possam provocar aos outros. Julgo ser esta a razão pela qual é tão enriquecedor ouvir ou ler pessoas livres em idade e sóbrias em inteligência independentemente do seu nível social ou intelectual.

Como bem sabemos, em política, reina a mentira descarada. O politicamente correcto implica filtragens constantes e sucessivas às verbalizações de pensamentos, ideias e ideologias, sob pena de haver colisões drásticas e irreversíveis na vida político-social do momento. Julgo ser este o grande problema do PSD. Tiveram o azar de escolher alguém para Presidente a quem a idade conferiu o direito à verbalização livre dos seus pensamento, ideias e ideologias e esqueceram-se de lhe colocar filtros para que seja politicamente correcta, compreendida e aceite pela sociedade política e social do momento.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

DOS AFETOS

”-Como aprendeste a ler? – Perguntou a rapariga a certa altura.
-Como todas as outras pessoas -respondeu o rapaz – Na escola.
-E, se sabes ler, então por que és apenas um pastor?
O rapaz deu uma desculpa qualquer para não responder àquela pergunta. Tinha a certeza de que a rapariga jamais entenderia. Continuou a contar as suas histórias de viagem, e os pequenos olhos mouros abriam-se e fechavam-se de espanto e surpresa. Á medida que o tempo foi passando, o rapaz começou a desejar que aquele dia não acabasse nunca, que o pai da jovem ficasse ocupado por muito tempo e o mandasse esperar durante três dias. Percebeu que estava a sentir uma coisa que nunca tinha sentido antes: vontade de ficar a morar numa única cidade para sempre. Com a menina dos cabelos negros, os dias nunca seriam iguais.
Mas o comerciante finalmente chegou e mandou que ele tosquiasse quatro ovelhas. Depois, pagou-lhe o que era devido, e pediu-lhe que voltasse no ano seguinte.
Agora faltavam apenas quatro dias para chegar de novo à mesma cidade. Estava excitado e ao mesmo tempo inseguro: talvez a menina já o tivesse esquecido. Por ali passavam muitos pastores para vender lã.
-Não tem importância – disse o rapaz para as suas ovelhas. - Eu também conheço outras meninas noutras cidades.
Mas no fundo do seu coração, ele sabia que tinha importância. E que tanto os pastores, como os marinheiros, como os caixeiros-viajantes, sempre conheciam uma cidade onde havia alguém capaz de fazer com que esquecessem a alegria de viajar livremente pelo mundo."


O alquimista, Paulo Coelho

Este excerto do livro que ontem iniciei dedico-o à minha pastora favorita com um agradecimento especial porque também ela é, para mim, muito especial.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

EXPLICAÇÃO

Partilhamos a vida real com as pessoas do nosso quotidiano: família, vizinhos, amigos, colegas de trabalhos... É gente conhecida aquela com quem cruzamos à hora do café, na ida aos correio, ao cruzar a rua... O nosso nome às vezes é bem lembrado, outras, ficar no aflorar da memória e ainda que não venha, está mesmo ali, debaixo da língua.
Mas eis que chegamos ao tempo da realidade virtual e tudo se transforma. Quem somos nós neste universo paralelo?
Trio, mais uma no cantinho! Essa flor tem tudo a ver comigo, Mofina dos ovos chocos. Porém, é a Blimunda que fica exposta às pedras que por mãos cobardes e traiçoeiras são atiradas, é a Jardineira que mora um pouco mais acima do leito deste rio, é a DD que nos virou as costas e nunca mais aparece.
E é do nosso mútuo desconhecimento que se criam laços de inexplicáveis afinidades, laços que não sendo de sangue, por sublime coindência, acabam por ter o mesmo código genético.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A princesa

Anda aí uma linguaruda a ameaçar pôr as pessoas a um canto. Antes que me façam alguma intimação, resolvi tentar adoçar as bocas com um post.

Para as minhas sócias, amantes de livros e viagens, aqui fica um excerto do livro Viagem ao país da manhã’ de Herman Hesse. E mais uns complementos.


"E, cada um de nós, parecendo seguir ideais e fins comuns e lutar sob uma mesma bandeira, levava individualmente no seu coração, como força mais íntima e último consolo, o seu próprio sonho louco de infância. No que diz respeito ao meu próprio objectivo e destino de viagem, sobre o qual tinha sido interrogado pela Cátedra Suprema antes da minha admissão, era de natureza simples, ao passo que alguns dos outros irmãos se tinham colocado objectivos, que eu podia, evidentemente, respeitar bastante, mas não entender plenamente. Um, por exemplo, procurava tesouros e não tinha outra coisa na mente senão a conquista de um tesouro sublime, que ele chamava ‘Tao’, um outro, no entanto, tinha mesmo metido na cabeça capturar uma certa serpente, à qual ele conferia poderes mágicos e que chamava Kundalini. Em contrapartida, o meu próprio objectivo de viagem e vida, que já desde os anos tardios da adolescência se me apresentava em sonhos, era o seguinte: ver a bela princesa Fatme e, porventura, conquistar o seu amor."




Da ópera ‘A Flauta Mágica’ de Mozart, a ária em que Tamino sabe da existência da princesa Pamina através do seu retrato, se apaixona por ela e deseja encontrá-la.



(...)
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora

(...)

FP, Eros e Psique

HINO À ALEGRIA



Tem de ser em enguilês!

O AMOR NOS TEMPOS DE COLERA

"- E até quando pensa o Senhor que podemos continuar neste ir e vir dum caralho? – perguntou-lhe.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada há já cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as noites.
- Toda a vida – disse."

"Amor nos Tempos de Cólera" - Gabriel García Márquez

Li “Cem anos de Solidão”, se a memória não me atraiçoa, há uns quinze anos. Num tempo em que o meu poder analítico e introspectivo se centraria mais em frivolidades extasiantes da vida prática, não obstante o prazer que me provocou a leitura do livro, confesso que não terei sabido extrair dele mais do que isso. O prazer da leitura. Vou relê-lo brevemente.

“Amor nos Tempos de Cólera” encheu-me as medidas. A ficção move-se dentro do imaginário do leitor a uma velocidade vertiginosa desembocando num final feliz contra todas as reais expectativas geradas pelo decorrer inexorável do tempo. O amor platónico de Florentino auto-alimenta-se, obstinadamente, de esperança sem o menor indício de presente ou futura aceitação e retribuição, depois de repudiado pela sua “Deusa Coroada” e subsiste nas suas primeiríssimas forma e grandeza, até ao dia em que, finalmente, passado meio século, virá a completar-se na alma e no corpo de Firmina quando ambos são já septuagenários. Numa idade em que o amor é considerado obsceno ambos fazem pleno uso de direito do seu livre arbítrio para, finalmente, viverem o resto dos seus dias como lhes dá na real gana.

Como em todas as boas obras, perdi-me algures entre a ficção e a realidade e continuo sem saber onde estou.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

DESGRAÇA

Mais vale cair em graça que ser engraçado!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

BOAS LEMBRANÇAS!

MARIA MADALENA

Maria madalena é uma personagem que foi dada a conhecer, pelo catecismo católico como uma mulher pecadora. Uma prostitua a quem Jesus Cristo deu a mão, por piedade e que ter-se-á convertido aos bons ensinamentos do Mestre. Aquando do seu apedrejamento em praça pública, Jesus veio em sua defesa, incitando aqueles que não tivessem pecados a atirar a primeira pedra. Esta é a versão da Igreja Católica. A versão dos Templários, e das ordens que lhes sucederam, mostram-nos Madalena como uma mulher sublime, sagrada, a outra metade de Jesus. Foi o pilar do Sagrado Feminino.

Não sou uma mulher de fé, daí que não acredito cegamente, sem questionar, seja no que for. Subscrevo, na minha maior insignificância, a posição aristotélica de que a dúvida é o princípio da sabedoria. Contrariamente a esta posição existem os dogmáticos, fiéis seguidores da doutrina cristã, que nem eles sabem de que forma lhes foi dada a conhecer. São homens de fé, pessoas que se auto-definem como “de bem” e que pelo seu carácter de bons cristãos, não se inibem em acatar e divulgar como verdades absolutas, ideias que se lhes afiguram, pela leitura de meia dúzia de tretas que lhes chega aos olhos, por um qualquer meio.

A esses cristãos, fiéis e que n’Ele confiam sem pestanejar e a cujos ensinamentos, que não são d’Ele mas de homens que, prepotentemente, se fizeram na voz d’Ele, a quem seguem com subserviência canina, ofereço a sabedoria de um outro génio - Orson Welles: “É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos.”

ANONIMATO

Se alguém falar de Joseph Ratzinger, George W. Bush ou de Bin Laden, a maioria de nós saberá relacionar o nome a uma personalidade. Mas saberemos nós alguma coisa mais sobre estas pessoas? Quanto a mim, pouco ou nada sabemos daquilo que, efectivamente, são. O mesmo se aplicará a muitos ilustres conhecidos e outras tantos desconhecidos. Nada do que nos chega ao conhecimento é retrato daquilo que somos. Damos aos outros partes segmentadas de nós, amanhadas segundo aquilo que se nos afigura mais conveniente. Isto é: palha aos burros, papas e bolos aos tolos, e, talvez um pouco mais do que isso aos outros.

O novo mundo da blogosfera tem como motor principal uma espécie de código deontológico que se rege pela ausência de BI substituída pela existência de um nome que se veio a designar de “nick”. Os inter-agentes relacionam-se por meio do seu uso, e, habitualmente, mantêm-no nas suas intervenções. O nick identifica o blogueiro. Pode ser que tenha alguma coisa da pessoa que o usa, mas não é o seu BI. Segundo o meu ponto de vista, o bom cumprimento do dito código deontológico blogueiro implica que se use sempre o mesmo nick, por forma a que se possa identificar um comentário ou uma postagem, com determinada personagem. Ora, assim sendo, comentários anónimos são de ninguém. Existe, portanto, uma não identificação com qualquer personagem, mas sim uma forma de se escrever banalidades ou não, sob uma capa que pode ser de qualquer um. É uma clara e evidente falta de carácter dentro de um código que apenas se aplica nos meandros do blogger. Nada mais do que isto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

VIUVEZ

"No ócio reparador da solidão, em compensação, as viúvas descobriam que a forma honrada de viver era a mercê do corpo, comendo só por fome, amando sem mentir, dormindo sem terem de fingir-se adormecidas para fugir à indecência do amor oficial, donas por fim do direito a uma cama inteira só para elas na qual ninguém lhes disputava a metade do lençol, a metade do seu ar que respiravam, a metade da sua noite, até que o corpo se saciava de sonhar com os seus próprios sonhos e acordava só"

"O Amor nos Tempos de Cólera" - Gariel García Marquez

TIME



Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun


Time -The Dark Side of the Moon, 1973 - Pink Floyd

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

AOS PEIXINHOS DO CÉRTIMA

”Toma um homem do mar um anzol, ata-lhe um pedaço de pano cortado e aberto em duas ou três pontas, lança-o por um cabo delgado até tocar na água; e, em vendo, o peixe arremete cego a ele e fica preso e boqueando até que assi suspenso no ar, ou lançado no convés, acaba de morrer. Pode haver maior ignorância e mais rematada cegueira que esta? Enganados por um retalho de pano, perder a vida! Dir-me-eis que o mesmo fazem os homens Não vo-lho nego. Dá um exército batalha contra outro exército, metem-se os homens pelas ponta dos piques, dos chuços e das espadas, e porquê? Porque houve quem os engodou e lhe fez isca com dous retalhos de pano. A vaidade, entre os vícios, é o pescador mais astuto e que mais facilmente engana os homens. E que faz a vaidade? Põe em isca nas pontas desses piques, desses chuços e dessas espadas dous retalhos de pano, ou branco, que se chama hábito de Malta, ou verde, que se chama de Avis, ou vermelho, que se chama de Cristo e de Santiago; e os homens, por chegarem a passar esse retalho de pano ao peito, não reparam em tragar e engolir o ferro. E depois disso, que sucede? O mesmo que a vós. O que engoliu o ferro, ou ali ou noutra ocasião, ficou morto, e os mesmos retalhos de pano tornaram outra vez ao anzol para pescar outros."

In Sermão de Santo António aos Peixes

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ISSO É QUE É FALAR!

Ora nem mais! Como se não bastasse todos os crimes praticados, com poucas ou nenhumas probabilidades de ser punido por eles, ainda teremos que lhe pagar indemnizações pelo facto do governo lhe ter privatizado a galinha de ovos de ouro. É valente! Este país não existe e eu estou a viver um pesadelo. Só pode!

BOAS COMO O MILHO!

Há alguma dúvida de que as administradoras deste blogue são umas queridas, umas lindas fofinhas?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

BREVE

Sem querer impor quaisquer regras, muito menos de bom comportamento, será oportuno esclarecer que os objectivos deste blogue não passam necessariamente por quedas acentuadas de qualidade. Este reparo é feito apenas para evitar a repetição de filmes de péssimo gosto.

SABEDORIA POPULAR

Nunca argumentes com idiotas! Rebaixam-te ao mesmo nível e ganham-te por experiencia!

OBJECTIVO DA SEMANA


Trabalhar por objectivos... BOA!

Segunda-Feira Terça-Feira Quarta-Feira Quinta-Feira Sexta-Feira

Ora Bolas! Era suposto aparecer um homenzito (verde) a espreitar à porta da Segunda e a atirar-se em fuga corrida para a porta da Sexta. Não aparece mas Vexas podem muito bem dar corda aos neuróniozitos (verdes) e objectivar vendo-o a esgueirar-se. Podem ou não? Olha, já se foram!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

FILHADAPUTICE

É já sem o menor pudor, sem o menor cuidado com a ocultação dos factos, que nos é revelada a promiscuidade crescente e descontrolada existente entre a classe política, em exercício governamental ou não e a corja de ladrões que constituem a banca portuguesa. Desde os menores administradores aos fiscalizadores máximos vivem-se descaradas patranhas de esconde-esconde dos maiores crimes fiscais e económicos. E com a maior das latas, privatizam-se passivos para que os infelizes cumpridores, pagadores de tudo e mais alguma coisa que lhes impõem a pagamento, descasquem a abacaxi. Os activos continuam na mão zelosa e providencial dos fiéis administradores cúmplices senão protagonistas em co-sociedades in ou off-shores com os prevaricadores, corruptos, sanguinários ladrões para que continuem a encher os bolsos e as barrigas à custa do esforço dos que já nada conseguem esforçar sob pena de estraçalharem a de si já tão frágil roupagem que lhes resta. E ninguém se empenha em descobrir a razão pela qual verdadeiros “zés-ninguéns” conseguem assenhorar-se de verdadeiras fortunas em apenas meia dúzia de anos. E porquê? Porque têm rabos presos. Porque se não os consegues vencer junta-te a eles. Porque não se pode remar contra a maré. Porque é assim. Porque ser honesto não compensa. Os honestos morrem na miséria. Dos fracos não reza a história. Nunca ninguém enriqueceu sendo honesto. E viva a filhadaputice!

FIEIS DEFUNTOS

"O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano).

Quando não somos livres e continuamos a prestar vassalagem às maiores palhaçadas protagonizadas pelas mais hilariantes formas da vida em sociedade, deparamo-nos muitas vezes com verdadeiras anedotas. "Não perdemos porque simplesmente os mandámos à frente". Primeiro, era preciso que fossemos todos bruxos como S. Cipriano para ter esse poder. Se assim não fosse, tínhamos que ser, no mínimo, criminosos para decidir mandar alguém para os anjinhos. Depois, é dia da mais íntima comunhão com aqueles que não perdemos?!! Atão não! Só aqueles que nunca tivemos é que não perdemos. Perdemos e de que maneira! Agora, o que eu perdia sem a menor tristeza e com o maior alívio era o desfile de todas as vaidades e falsidades deste dia. Mas está bem! É preciso dinamizar a economia. A floricultura e a indústria da cera constituem um bom contributo neste dia.